Ponto Vermelho
Viagem ao “Bas Fond” do doping portista-I
11 de Dezembro de 2014
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Por EagleView

Desde os anos oitenta que o tema 'doping' passou a ser, no futebol portista, pasto de diversos rumores e comentários. É daquelas coisas que se começou a suspeitar que acontecia mas, apesar de alguns indícios e evasivas próprias das circunstâncias, parecia haver como em algumas organizações um pacto de silêncio. Percebia-se dada a gravidade que envolvia este tipo de prática que é recorrente e transversal ao mundo do desporto e tem consequências gravíssimas sobretudo para os próprios atletas. Já sem falar desse aspecto comezinho da verdade desportiva.

O conjunto de textos que abordaremos sobre o tema resulta essencialmente de uma pesquisa alargada a jornais, revistas, internet, das declarações do jogador brasileiro Casagrande, do livro publicado pelo antigo futebolista Fernando Mendes e, obviamente da compilação do autor, competindo as conclusões a cada um. De referir que actualmente é muito mais complicado este tipo de prática tendo em conta que as restricções são muito maiores e o controlo anti-doping muito mais eficaz, regular e apertado. Para além claro, das teias estarem menos espessas e os detectores de aviso já não funcionarem com a liberdade de outrora.

Assim sendo:
A Raça!
Sempre se falou na "raça" da equipa do Porto mas muita gente sempre suspeitou que essa "raça" vinha de outro sítio. Luciano d´Onorio, o bruxo brasileiro e acima de tudo o dr. Domingos Gomes, talvez saibam mais do que a generalidade dos adeptos sobre a capacidade competitiva dos jogadores portistas. Depois de deixarem o clube, no entanto, esses índices fisicos pareciam desaparecer como que por encanto. O dr. Domingos Gomes é um grande especialista do doping, e os jogadores do Porto tinham a fama (e o proveito) de irem para o controlo anti-doping com frascos já cheios, dentro dos bolsos dos roupões. Os jogadores chegaram a acusar que estavam… "grávidos", mas dopados, nunca!!!

Doriva e Emerson e todos os outros 'hulks' quando sairam de lá praticamente desapareceram. Sobre o doping, recordo as declarações de Demol quando saiu do Porto (o melhor marcador dessa época, do campeonato, só com os golos marcados de 'penalty'), onde disse: ia-se embora porque não queria ficar careca!!!? Dizia-se que as substâncias que eles tomavam, provocavam calvície e raiva precoce... Serei só eu que reparo que André, Semedo, Jaime Magalhães, Jaime Pacheco e Bandeirinha, todos jogadores de meio-campo... eram, por coincidência carecas? Procurem os efeitos secundários da testosterona e assim se explica o meio-campo campeão europeu de 87. E Doriva e Emerson e todas aquelas 'cobaias' que quando de lá sairam desapareceram? Não é, Domingos e Secretário?

Final com Doping
«Pois eu tenho o testemunho de um grande amigo meu que jogou no FC Porto (marcou um golo numa final europeia e mais não posso dizer) que me confidenciou tim tim por tim tim como era engendrado todo o esquema. Por exemplo: "nos treinos eu corria mais, saltava mais alto e cansava-me menos do que os outros todos, mas para meu espanto nos jogos a doer era ver os outros a voar e a correr como motos. Ao fim de vários jogos interpelei o meu massagista quanto ao que se estava a passar e exigi o mesmo tratamento que era dado aos meus colegas o que me foi concedido… e mais não digo. Tirem as vossas conclusões"». Depoimento de Domingos Vieira em resposta a alguém que duvidou do seu testemunho, acusando-o de inventar.

«Eu não invento nada pois a conversa teve lugar num local público (discoteca) e há testemunhas que ouviram o mesmo do que eu. Evidentemente que não vou denunciar a pessoa em questão mas fica aqui bem vincado o que ele disse e que vem ao encontro das declarações de Casagrande que de uma forma muito clara comprova o que eu disse, ou vai também dizer que ele inventou tudo?» Acrescentou Domingos Vieira.

Casagrande e o Doping (1987)
Casagrande jogou no FC Porto na época do primeiro título europeu, 1986/1987. Num programa algo recente de grande audiência Programa do Jô , o apresentador Jô Soares conversou com o ex-jogador Walter Casagrande, que estava a lançar a sua biografia, intitulada "Casagrande e seus demónios". O ex-jogador de futebol admitiu ter jogado "dopado" na Europa. "Drogado com drogas sociais não, mas eu tive um problema com doping no Porto", afirmou.

Quem não se lembra do jogo de Viena? De como na primeira parte pareciam uns coelhinhos e na segunda pareciam hienas? Quem não se lembra disso? Walter Casagrande, que representou o FC Porto na temporada 1986/87, confessou, em entrevista aquele programa da TV Globo, ter sido aconselhado a recorrer a substâncias dopantes aquando da sua chegada ao clube portista. "Quando cheguei à Europa, no dia em que me estreei no FC Porto, um jogador chegou ao pé de mim e avisou-me, pois ninguém sabia a equipa antes do jogo. Então eu entrei no campo para ver como estava o relvado, ele chegou ao pé de mim e disse-me que ia ser titular, que me ia estrear", começou por recordar, admitindo que se sentiu "empolgado" pela novidade.

«Mas depois ele disse-me: 'tens de passar ali atrás, que tem ali um negócio para usar'. Fui lá e usei... Usei umas quatro vezes. É aquilo que mais me envergonha, que menos gosto de lembrar. Atrapalha-me muito mais pensar nisto do que quando penso nas drogas que tomei", lamentou, dizendo depois que a substância era "injetada no músculo", dando uma "disposição acima do normal". Quanto a um possível controlo anti-doping, Casagrande foi claro: "não havia anti-doping”...» (…)


















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