Ponto Vermelho
A mentalidade do país desportivo…
12 de Dezembro de 2014
Partilhar no Facebook

Disputando-se no próximo Domingo um dos clássicos mais aguardados e sério candidato a jogo do ano em Portugal, seria lógico que todas as energias positivas nele se concentrassem discorrendo-se sobre os jogadores que num momento de inspiração podem vir a resolver o desafio, nas tácticas a utilizar por ambos os treinadores ou nas consequências que podem advir do desafio para os vencedores e derrotados. Isto, obviamente no caso de não acontecer empate, uma situação que pese embora a história dos últimos desafios o querer desmentir, nunca é de excluir neste tipo de encontros.

É verdade que há gente a fazê-lo. Mas é uma escassa minoria porquanto o grosso da coluna, sejam profissionais da imprensa, comentadores ou simples opinadores, continuam entretidos a promover os habituais fait-divers, uma motivação a que não conseguem resistir e que obtém a quase exclusividade da sua atenção. Como se isso fosse o centro do Mundo e tivesse prioridade sobre tudo o resto que relegam para secundaríssimo plano, quando a sua principal preocupação deveria ser outra de cariz bem diferente.

Mas as audiências e as vendas parecem de alguma forma dar-lhes razão. Uma parte significativa do povão gosta de se deliciar com esses esquemas mirabolantes pré-fabricados a que se juntam a cada dia mais dados inéditos para assim as histórias permanecerem vivas por mais uns tempinhos, continuando a ser discutidas em permanência num exercício bem programado mas que deveria constituir um factor de desinteresse geral dada a pouca substância das matérias envolvidas e a sua irrelevância. Mas é o que temos.

Nesse contexto em que já na semana passada tinham sido lançadas as bases que haveriam de redundar num pseudo-clamor de indignação e hipocrisia por parte de algumas virgens ofendidas que sempre aparecem à luz do dia nestas circunstâncias e cuja intelectualidade se reduz a patamares mínimos sempre que se trata de algo relacionado com o Benfica, prosseguiu esta semana em catadupa num esforço programado e concertado para que o auge fosse atingido em vésperas do clássico, tentando assim criar fortes factores de desestabilização com fins mais do que óbvios. A imaginação já não é o que era…

O despautério tem atingido tanto fulgor que até alguns dos nossos vizinhos que primam habitualmente pela moderação, se viram na necessidade de justificar publicamente que queriam que os portistas ganhassem para assim poderem reduzir a desvantagem… Pelos vistos os três pontos com o Moreirense parecem já fazer parte da sua bagagem… Incrível como o comboio do tempo continua a seguir a sua marcha inexorável e por Alvalade continuam a andar por veredas e pelos caminhos da inveja em vez de se concentrarem em reduzir as suas insuficiências que correm o risco de passarem a ser crónicas…

Comprovando essa realidade, o grande tema da semana depois da rábula do alcatrão de Hugo Vasconcelos, foi (e continua a ser) o caso Miguel Rosa-Deyverson. Sabe-se que por norma o que provoca maior irritação nos provocadores é a ausência de reacção dos provocados. Com o apoio consistente de vários plumitivos e do apelo lancinante em directo aos sócios do Belenenses (recorde-se que sobre outro tema também já o tinha apelado aos sócios do Benfica), o sobrinho-jornalista que gosta de empunhar a bandeira da sua verdade desportiva, quis fazer subir a temperatura para aquecer o ambiente num altura do ano em que os termómetros registam as temperaturas frias da época. Uma táctica que ainda continua a dar alguns frutos, sobretudo naqueles que ainda não conseguem alcançar as perversidades das atitudes. Não houve de pronto reacção ao apelo?

Enquanto continuam a ser envidados esforços para manter em constante actualização este facto de lana-caprina, novos desenvolvimentos parecem estar em fila de espera. Ao que consta o presidente leonino naquele seu estilo muito peculiar de D. Quixote apresentou ou vai apresentar queixa na Liga sobre o assunto do momento. Ora aqui está uma acção deveras interessante que decorre com outra motivação subjacente; depois do alarido provocado com a eleição do novo presidente da Direcção da Liga e de se ter demitido das suas responsabilidades e auto-isolado, Carvalho quer aproveitar este pretexto para testar a capacidade de reacção dos órgãos da Liga e em particular do seu consócio Luís Duque. Ficámos desde já curiosos…

Mal parecia terminar a semana sem criar mais um caso de vital importância para o futebol português, revelador de como grande parte se deixa arrastar pelos cantos de sereia de alguns que lançam os foguetes e não abdicam de ficar com as canas. Com os casos Sócrates e BES a deixarem de justificar as primeiras páginas e as aberturas dos telejornais, o novo e enorme tema da actualidade começa a ser se Luís Filipe Vieira vai ou não sentar-se na Tribuna do Dragão e se sim, se vai ficar longe, perto ou ao lado de Pinto da Costa e, já agora, se vai mordiscar croquetes ou pastéis de camarão… A grande e enorme diferença é que enquanto os sucessivos temas vão-se esgotando, o Benfica pela positiva mas sobretudo no extremo contrário, está sempre no topo da actualidade. Isso revela a sua pujança e a sua grandeza!




Bookmark and Share