Ponto Vermelho
Considerações antes de um clássico diferente
14 de Dezembro de 2014
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Para desgosto dos pirómanos até ao momento, todos os dados apontam para constatações evidentes no que costuma caracterizar este tipo de jogos. Enquanto que no ambiente exterior que habitualmente fervilha antes dos jogos se nota uma tranquilidade inabitual e por isso digna de registo, dentro do campo perspectiva-se um clássico cheio de emoção e ardorosamente disputado até ao apito final. Uma situação que mostra muita gente preocupada porque apenas está habituada a conviver num ambiente de crispação para assim poder dar largas aos instintos bélicos que a caracterizam.

Não vamos entrar pelo campo da especulação gratuita e muito menos contribuir para alimentar polémicas estéreis que têm caracterizado a populaça do futebol (e não só) de há muitos anos a esta parte. Foi preciso o abismo se ter apresentado a reclamar protagonismo para que alguma coisa fosse feita no estado das relações do futebol português. Ao ponto a que se chegou, era impossível continuar por mais tempo a fingir que tudo estava bem quando os sintomas de degradação da organização do futebol se acentuavam a cada dia sem se vislumbrarem soluções no horizonte que travassem a queda acelerada no precipício.

Estranhamente, o evoluir da situação provocou alguma azia e desencanto em alguns que tinham passado a vida a reclamar, hipocritamente, um entendimento institucional sobre matérias centrais da organização do futebol. Agora consumado parcialmente esse entendimento, por questões de estratégia comunicacional dão mostras apenas na aparência de aplaudiram a solução, mas denunciam-se a cada passo quando não perdem a oportunidade de fomentar dúvidas e acrescentar comentários demonstrando incómodo, pugnando sim mas pela destruição dos pontos de contacto que permitiram alguma acalmia. A ênfase que é dada com frequência a alguns desalinhados pseudo-revolucionários reproduz fielmente o estado contraditório do seu comportamento.

Para ilustrar a sua teoria de navegação em baixios onde ficam encalhados com frequência, socorrem-se da credulidade dos adeptos mais vulneráveis que estão em permanência expostos às suas investidas. Esquecem-se de que a grande maioria há muito entendeu a sua estratégia e por mais que se esforcem, a sua acção é encarada como um factor de diversão e relegada para o sítio mais adequado – o encolher de ombros da indiferença para não dizer o gozo inaudito que as suas tentativas recolhem.

Apesar de haver por vezes grande volatilidade no comportamento humano, resta saber distinguir onde começa a forma de pensar diferente derivada das circunstâncias conjunturais, e começa a capitulação perante interesses representados por pessoas que encarnam todo um passado ínvio e tenebroso, o que nem sempre é fácil. No primeiro caso e sempre que se verifiquem pressupostos inadiáveis que legitimem tomadas de posição diferentes, é evidente que persistir num caminho a sós por mais que isso possa representar um acto de coerência perante a sociedade, não contribui para a solução mas antes agrava o problema. O seu e o dos outros. No segundo, apenas e só revela capitulação perante outros poderes que não são os seus e isso não pode, qualquer que seja a circunstância, ser jamais tolerado.

São por demais conhecidas as coordenadas do modus operandi dos poderes que ainda se mantêm e a influência nefasta que têm causado ao desenvolvimento e ao progresso do futebol português. Esquecer tudo isso agora seria a machadada final no que resta da esperança de virmos a ter melhores dias. Logo, tem que haver limites balizados para o entendimento sobre situações fulcrais do futebol português no seu todo e naquilo que deverá ser o futuro à luz de uma conjuntura terrivelmente complicada. Não pode ser ignorado o som das trombetas que anuncia novas directrizes sobre a forma como os clubes portugueses devem passar a viver nesta nova era.

T endo em consideração este panorama que ultrapassa em muito o simples desejo de ganhar que é comum a todos os adeptos aparte as cores que representem, afigura-se-nos que não é através da estagnação e agarrados aos velhos princípios de ontem em que os aspectos fundamentais que sustentam o futebol eram relegados para as calendas, que iremos resolver o sério e inadiável problema que o futebol português tem pela frente. Não escamoteando o aspecto importante da incompatibilidade das relações pessoais, esgotou-se o momento em que era preciso dar tempo ao tempo, para passar à fase em que tudo isso, por mais importante que seja, não pode constituir entrave à busca de soluções para o problema de forma global e assertiva. Já Inácio Dantas dizia que «Qualquer problema, por mais difícil que seja, somente ficará sem solução a partir do momento em que se abandonarem as tentativas.». É nisso que devem pensar todos os homens do universo do futebol português. Sem excepção!






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