Ponto Vermelho
Vermelho forte
15 de Dezembro de 2014
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No momento em que se consumam vitórias com amplo significado e a alegria evolui para intensas manifestações de júbilo, seria bom igualmente que fosse possível reflectir sobre a magia e os efeitos que o futebol causa, pois pode alterar radicalmente estados de espírito e comportamentos que chegam a roçar a irracionalidade. Se é certo que existem clubes como o Benfica em que a presença da vitória está sempre muito perto de acontecer trazendo alegria ao coração dos seus adeptos e simpatizantes, o reverso da medalha ao invés, arrasta consigo a tristeza afectando por vezes de forma muito intensa e penosa as mentes mais susceptíveis. Afinal, cada um reage à sua maneira e isso não é controlável.

Continua a ser indiscutível que o futebol é o momento, tantas e tantas vezes efémero. Ainda na passada 4.ª Feira à noite estávamos a lamber as feridas europeias de uma eliminação precoce e já ontem, quando caminhávamos para o fim da noite, sentíamos a alegria de uma vitória muito importante, realçada pelo facto de muitos (incluindo o próprio universo benfiquista) sentirem que após o desaire europeu a capacidade de reacção da equipa seria menor. Depois, porque a história do passado recente não abonava a tese do optimismo através das estatísticas negativas que os sempre pressurosos e atentos media foram repetindo até à exaustão.

Ao longo das últimas semanas quando já fervilhava a vontade de antecipar a abordagem ao maior clássico do futebol português, fomos lendo todo o tipo de crónicas, comentários e meras opiniões que reflectiam grosso modo algum consenso sobre o facto de ter chegado a hora do FC Porto atingir de vez o topo da classificação. Convenhamos que era uma tese com o seu quê de defensável, porquanto não só parecia consensual que os portistas tinham feito um esforço para construir um plantel de respeito, como também a tão criticada atracção pela rotatividade do treinador Julen Lopetegui vinha a ser gradualmente abandonada, e os portistas depois de um passeio pelo seu Grupo de apuramento da Champions, chegavam ao clássico no ponto ou seja, no momento exacto de poderem atacar com êxito o seu principal objectivo da época.

Tendo conseguido manter a distância pontual, o cenário que se apresentava ao Benfica era todavia desfavorável. Porque, aparte as últimas deslocações falhadas ao Dragão para o campeonato, o factor anímico poderia ser em teoria muito diferente, na medida em que o FC Porto vinha de um apuramento bem conseguido na Europa e via o primeiro lugar à distância de um passo, enquanto que o Benfica ainda estava a digerir uma eliminação em que ficou a sensação, vistas as coisas do lado de fora, de que poderia ter feito mais para a evitar. Afinal de contas, o prestígio que os encarnados gozam na Europa e no Mundo foi em grandíssima parte conquistado em épicas jornadas europeias.

Provando-se mais uma vez que nem sempre o que parece acaba por ser, tudo saiu ao contrário do previsto desmentindo formal e factualmente as previsões de muitos, sobretudo de alguns mais radicais na análise que chegaram a escrever que «seria preciso um milagre para não perder no Dragão». Em suma e em termos de jogo-jogado nem de perto nem de longe estivémos perto desse cenário bíblico, o que prova que é sempre arriscado ter certezas no futebol. Poderão, evidentemente, evocar-se os ses, mas na realidade o Benfica justificou a vitória através de uma exibição personalizada e descomplexada que contrariou de forma nítida anteriores prestações no mesmo local.

Mérito relevante por isso da equipa técnica e dos jogadores que souberam interpretar e aplicar fielmente com êxito reconhecido as ideias e a estratégia estabelecidas antes do jogo, destacando-se sobretudo a raça que colocaram em cada jogada e a capacidade de pressão em todas as zonas do terreno, uma situação que convenhamos, nem sempre tem acontecido. Entrando até um pouco no campo da especulação, poder-se-ia dizer que talvez isso tenha tido influência decisiva em alguns jogos. A prova de que o futebol é ilógico e imprevisível pôde notar-se na esperança, nos desejos e nas preces manifestadas pelos nossos vizinhos. Partindo do princípio de que os 3 pontos já estariam assegurados com o Moreirense, desejavam acima de tudo que o Benfica baqueasse; em primeiro lugar por ser o Benfica, e em segundo porque isso permitir-lhes-ia reduzir a distância para 5 pontos. Então não é que acabaram por ficar a 10? Há com cada uma…








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