Ponto Vermelho
Viagem ao “Bas Fond” do doping portista-IV
18 de Dezembro de 2014
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Por EagleView

Prossigamos a resenha dos factos que foram sendo apurados introduzindo dados para uma possível comparação:
4. Comparem as afirmações referidas ao longo do artigo anterior com o que revelou Fernando Mendes no seu livro. Como é sabido, entre outros, jogou no FCP e no Boavista, em que revela que existiam (ainda existem?) clínicas no Norte onde se faziam investigações sobre estas substâncias (dopantes) e as respectivas dosagens a aplicar, de modo a não deixar traço nos controlos anti-doping. Estas experiências eram feitas em júniores(!!!) que serviam como cobaias. Uma das consequências da tomada dessa drogas "provocava uma raiva enorme", e "ficavam cheios de ódio". Não soa a qualquer coisa conhecida?

Eis então algumas passagens:
“Os incentivos para correr eram sempre apresentados pelo massagista.
No meu tempo, o doping era tomado de duas formas: através de injecção ou por recurso a comprimido. Podia ser antes do jogo, no intervalo, ou com a partida a decorrer, no caso daqueles que saíam do banco (...) A injecção tinha efeito imediato, enquanto os comprimidos precisavam de ser tomados cerca de uma hora antes do jogo.
Em alguns clubes onde joguei tomei Pervitin, Centramina, Ozotine, cafeína, entre muitas outras coisas das quais nunca soube o nome”.


"Cada jogador tomava uma dose personalizada, mediante o seu peso, condição física ou a última vez que tinha ingerido a substância (...) Porém, nos jogos importantes era sempre certo (...) Quando se sabia que não iria haver controlo antidoping, nunca falhava. Em certos treinos víamos um ou dois juniores que apareciam para treinar connosco. Esses juniores não estavam ali porque eram muito bons ou porque tinham de ganhar experiência. Estavam ali para servirem de cobaias a novas dosagens. Um elemento do corpo clínico dava cápsulas ou injecções com composições ilegais a miúdos dos juniores (...) Diziam-lhes que eram vitaminas e que a urina era para controlo interno."

"Se um jogo fosse ao Domingo, o nosso médico sabia na sexta ou no sábado quais as partidas que iriam estar sob a tutela do controlo antidoping. Mal tinha acesso à informação, avisava todo o plantel e o dia de jogo acabava por ser directamente influenciado por essa dica. Depois do apito final, as bolinhas eram retiradas do congelador e colocadas ao lado das outras dentro de um saco. Quando o médico ia escolher o atleta que tinha de ir ao controlo (antidoping), já sabia que não podia tirar nenhuma das bolinhas geladas (que eram as dos jogadores dopados)".

"Em determinada temporada (...) sou convocado para um encontro particular da Selecção Nacional. (...) Faço uma primeira parte fantástica, mas ao intervalo começo a sentir-me cansado e tenho medo de não aguentar o ritmo (...) O jogo realiza-se num estádio português (...) Estão lá um médico e um massagista de um clube onde jogava (...) No intervalo, peço a esse médico para me dar uma das suas injecções de doping. Saio do balneário da selecção, sem que ninguém se aperceba, e entro numa salinha ao lado. É aí que me dão a injecção pedida por mim. Volto a frisar que ninguém da selecção se apercebeu."

Outro testemunho elucidativo:
"Essa é, sem dúvida, uma das batotas do FC Porto. Nos meus tempos de aluno de liceu (anos 80) tinha um amigo que ajudava um professor de Ed. Física na colecta de dados para as estatísticas do FC Porto. Essa colecta era feita no recinto de jogo. O meu amigo foi chamado várias vezes a urinar em vez de jogadores do FC Porto". (Essa pessoa era José Neto professor do Liceu de Paços de Ferreira na altura).

Outra "coincidência":
5. "Recuemos a 94/95 e vamos às Antas onde proliferava naquele tempo como nos tempos que correm um autêntico laboratório de receitas obscuras, que procuravam aumentar a capacidade física de um atleta de alta competição, até aos obscuros esquemas de troca de urina de juniores/juvenis vulgarmente escondidas em gabardines que visavam sobretudo cobrir um jogador até aos pés que continham o maravilhoso líquido que seria entregue para o controle anti-doping e que limparia o jogador escolhido. As artimanhas eram conhecidas nas esferas da alta competição e médicos do laboratório de anti-dopagem limitavam-se a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada viam."

O caso que recordamos leva-nos a falar de um jogador que deu tudo à causa do FC Porto, António Orlando Vinha Rocha Semedo, tinha à data cerca de 30 anos de idade quando foi um dos escolhidos juntamente com Emerson Moisés Costa para o dito controle anti-doping a táctica utilizada estava mais que gasta e caia em descrédito pelo que a solução encontrada foi trocar a urina dos 2 atletas, até porque Emerson recentemente contratado ao Belenenses e num excelente momento de forma e que poderia render ao clube alguns milhões não poderia de forma alguma ser suspenso, perdendo assim o FC Porto o seu melhor homem do meio-campo e perdendo milhões com uma eventual suspensão do atleta".

"Resultado de toda a situação, as culpas recaíram sobre Semedo que acusou positivo no teste de doping sendo assim suspenso pelo período de 1 ano de jogar". Nada de anormal em toda esta situação; afinal Semedo era já um jogador em final de carreira e com uma lesão gravíssima que o levaria a estar parado por longo tempo. Daí o elevado prémio financeiro que posteriormente viria a receber para arcar com as culpas. Assim jogadores e clube teriam a sua recompensa. Afinal de contas o plano era perfeito pois Semedo estava a contas com uma lesão gravíssima". (…)


















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