Ponto Vermelho
Desafios mais exigentes?
21 de Dezembro de 2014
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1. Faz parte de uma realidade incontornável que o Benfica está permanentemente debaixo de fogo e de pressão. Acontece com todas as equipas de alta competição, mas no caso particular dos encarnados é fruto da geo-estratégia dinamizada e implementada pelos fiéis seguidores do segundo maior clube português – o nosso bem conhecido anti-Benfica – . A questão quase que atinge foros de desígnio nacional, uma expressão que perdeu todo o seu sentido depois dos vendilhões desta pátria em vias de desegregação terem desbaratado piece by peace o que restava do orgulho nacional.

2. Na realidade, em grande parte das análises prévias ao jogo do Dragão, a assumpção clara era a de que se havia equipa pressionada essa era a do Benfica. Porque, argumentavam, depois da eliminação europeia a destempo, a derrota com o FC Porto e a consequente descida para o 2.º lugar ainda que em igualdade pontual com os portistas, ao mesmo tempo que criava uma dinâmica forte e um élan positivíssimo no clube da Invicta, representava um forte retrocesso sobretudo de ordem psicológica nas hostes benfiquistas. Poderia ser até, o princípio da derrocada encarnada ainda mais ameaçada pelo facto de estar escrito nas estrelas que Janeiro seria um mês de debandada de jogadores encarnados.

3. No Dragão houve futebol e as expectativas desses arautos da desgraça acabaram por sair defraudadas. O Benfica venceu e inverteu parte da lógica e das suposições que se adivinhavam no após-jogo. Curiosamente, não foi a estrutura e até mesmo os adeptos benfiquistas que hipervalorizaram a vitória dos encarnados pois, por muito que custe a alguns, tratou-se objectivamente de mais um êxito e de mais três pontos. Mas no clube que mencionámos acima houve como que uma tentativa de forçar o ineditismo, como se o Benfica ao ganhar no Dragão ou o FC Porto na Luz não fizesse sempre parte do leque de opções possíveis em todos os clássicos entre estes dois rivais. Concedemos que os últimos resultados do Benfica no Dragão para o campeonato talvez tenham induzido a esse clamor.

4. Ainda mal refeitos de uma digestão difícil e incómoda, alguns articulistas entre os quais se situa um que tal como Augusto Inácio afirmou publicamente, chegou a entender que o Sporting partia na linha da frente do favoritismo à conquista do campeonato, foram logo confrontados com um facto novo e até inesperado – a eliminação do Benfica na Taça de Portugal. De novo surgiu à luz do dia a ladaínha da pressão para o resto da época, uma conclusão aliás seguida por alguns benfiquistas certamente desgostosos e desiludidos (tal como todos nós) por terem sido confrontados com uma realidade que não estava nas suas (e nossas) cogitações. Mas daí a assumirem que a pressão passou a ser muito maior é não só discutível como potencialmente reveladora da perda de alguma convicção.

5. Entendemos, apesar de tudo, o seu raciocínio. Tendo já sido eliminado de dois objectivos e restando igual número para atingir, torna-se necessário que o foco esteja bem sintonizado. No fundo, em termos práticos e objectivos, a dispersão foi reduzida em 50% pelo que desse ponto de vista, a sempre existente pressão passa a ser canalizada para o Campeonato (primeiro e grande objectivo estratégico), e para a Taça da Liga numa segunda vaga de opções. Por só existirem já esses é aí que se devem concentrar os esforços e as atenções como parece ser por demais evidente. Acabaria por ser sempre assim.

6. Todavia, é inegável que tendo sido decidido pela estrutura que o objectivo primeiro e até com distância marcante seria a revalidação do título, falhar esse seria claramente um golpe duro. Sobretudo porque em face da conjuntura e da vantagem pontual de que disfruta neste momento, o Benfica tem todas as condições para prosseguir, tal como até aqui, na linha da frente até ao fim, restando-lhe apenas atacar os objectivos semanais de forma pragmática, incisiva e onde a concentração e a entreajuda nunca devem ser descuradas. Não esquecendo nunca que os escolhos podem sempre surgir ao virar de cada esquina, a começar já hoje com o Gil Vicente que tantas dificuldades nos criou na época anterior no jogo da Luz. É isso que se espera com a convicção do costume…








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