Ponto Vermelho
Será?
22 de Dezembro de 2014
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Nestas andanças do Natal nota-se um esforço concertado dos fabricadores de estatísticas engajados para provar ao povo anónimo deste País quase, quase, ex-independente, que essa coisa insignificante do subsídio da época que costumava dar algum alento nesta quadra, generosa e equitativamente distribuído pelos restantes meses até não se dar por ele, conseguiu o incrível milagre da multiplicação ao ponto de ter feito disparar o dispêndio natalício das famílias portuguesas. Um entre muitos embustes como por exemplo a redução do desemprego à custa da emigração forçada e dos já famosos estágios remunerados. Mas adiante que é tempo de Natal.

No futebol de duas faces, a 14ª jornada que encerrou por assim dizer pouco mais do que um terço do campeonato por este ano apesar de ainda haver Taça da Liga, temos estranhado, apesar de não ser tarde, não termos ainda ouvido a ladaínha dos Campeões de Inverno, um título que muitos apreciam. Não tendo sucedido, falemos então da jornada que decorreu este fim de semana e que, face ao alimento de que necessitam os inúmeros painéis televisivos e os diversos fóruns, produziu a inevitável polémica que, para não variar, se prendeu com os benefícios e prejuízos pelos erros arbitrais.

E tudo porque o Benfica ganhou com um golo derivado da posição anterior de fora de jogo, embora o FC Porto e o Sporting também tenham sido beneficiados. Mas levando em linha de conta que foi o Benfica e como é óbvio, o assunto ganhou foros de sensação, com o rambório a começar após o jogo e a prolongar-se por toda a semana apenas com uma pausa no dia 25. Mas mesmo nesse dia, certamente em muitas mesas familiares o tema virá à baila entre duas garfadas de perú, leitão, cabrito ou borrego consoante o alcance das bolsas. Não há dúvida que só o Benfica conseguiria este pleno

Abordemos pois o lance que não ofereceu dúvidas quanto à sua ilegalidade se visto ao ralenti na BTV, comprovando que não há razão para as dúvidas e preocupações levantadas pelos nossos adversários, uma vez que a estação é servida por profissionais que fazem o seu trabalho com excelência. Assim é que devia ser sempre e pena temos que a SportTV não se possa gabar do mesmo. Mas sobre isso apenas falam os benfiquistas cansados de tanta parcialidade nas transmissões, quer no capítulo das imagens quer na área dos comentários.

Falemos do que julgámos ver no estádio. O lance foi muito rápido e após o passe de Ola John, surgiu Maxi Pereira a fazer a diagonal e a rematar contra a barra de Adriano, sendo que no momento ficámos com algumas dúvidas sobre a legalidade da sua posição. Ficámos nós e os relatores desportivos que na altura estávamos a acompanhar. Apenas quando a BTV repetiu o lance em câmara lenta ficaram com a certeza de que o lateral encarnado no momento de recepção da bola estava adiantado em relação à defesa do Gil. Entretanto, o lance tinha sido de bola corrida e o árbitro auxiliar que possivelmente sentiu a mesma dúvida tinha tomado a decisão de validar o lance na habitual fracção de segundo como manda a FIFA. Com uma diferença incontornável – não tinha TV e muito menos repetições…

Com tanta algazarra e por uma questão de equilíbrio, olhemos também para o que se passou no Dragão e na Choupana. No primeiro o FC Porto vencia por 1-0 e sabe-se como o resultado tangencial transmite força anímica e alimenta os mais fracos que se agigantam por sentirem que podem empatar a partida. Jackson Martínez beneficiou de posição irregular para desbloquear de vez a partida. Na Choupana, e quando a margem do Sporting era também mínima, Carrilo cometeu infracção para penalty. Em ambos os casos o árbitro e/ou os auxiliares não terão visto porque, de harmonia com os comentários sempre abalizados da imprensa, os lances eram de difícil julgamento. Aliás o Sporting é reincidente porquanto em Moreira de Cónegos, beneficiou de penalty inexistente para eliminar o Vizela. Viram ou ouviram por acaso algum alarido?

É evidente que em nenhum dos lances referidos os árbitros e/ou os seus auxiliares estiveram bem e terão, porventura, contribuído para a adulteração da história dos jogos. A questão essencial é se achamos que os erros foram involuntários ou se foram propositados, um estigma que assalta muito espíritos desde o ‘Apito Dourado’. Se estamos a falar da primeira situação é uma coisa, se estamos com o pensamento na segunda é completamente diferente, tendo aqui que ir por outro caminho. Nas presentes circunstâncias e face ao intenso escrutínio de que são alvo, as equipas de arbitragem estão demasiado expostas, dado que actuam sistematicamente em situações de flagrante desigualdade.

Se não fossem as infindáveis repetições televisivas quantos lances não dispensariam polémica? E nos que não são televisionados não acontecem erros e por vezes importantes? Critiquem-se (e nós quantas vezes já não o fizémos?) as equipas de arbitragem quando julgamos que erraram, fundamentalmente quando entendamos que se trataram de erros grosseiros. Sabemos que é quase impossível sermos imparciais dada a nossa condição de adeptos clubistas, mas tentemos observar transversalmente o futebol com bom senso. Pugnemos para que os árbitros errem cada vez menos e exijemos que os profissionais da imprensa que assumem parcialismos e análises enviezadas constantes, não desvirtuem o futebol. Sabemos que para alguns isso é um objectivo prioritário e isso, mais uma vez, ficou bem patente…




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