Ponto Vermelho
Turbulência pré-natalícia
23 de Dezembro de 2014
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1. Incontornável; o Sporting contrariamente às expectativas dos seus adeptos e simpatizantes regressou em força ao síndroma pré-natalício ou seja, à habitual tendência autofágica de concorrer para o seu próprio suicídio. Temos que convir que a presente situação em que os nossos vizinhos se encontram é de alguma forma inesperada se entrarmos em linha de conta com a viragem que chegou a parecer estar em curso depois da entrada de Bruno de Carvalho. Aliás, disso expressámos a nossa convicção, com base na evolução que parecia começar a ganhar contornos nítidos rumo a outra direcção que recolocasse o Sporting em trilhos consonantes com a grandeza da sua história. Pelo que se observa e sem alegria, precipitadamente.

2. Passado o primeiro troço que trouxe consigo numa primeira fase a estabilização no que concerne ao plano inclinado em que se encontrava o clube, embora pelo que se sabe através de sucessivos milagres como seja a redução do passivo através da transformação de uma dívida de 20 milhões da Holdimo angolana de Álvaro Sobrinho em aumento de capital, e o empurrão com a barriga por via do beneplácito da banca ao anuir à dilação do prazo para 25 anos dos VMOC’s que ascendem a quase 80 milhões. É inegável que não estando sózinho, são créditos que devem ser atribuídos à gestão de Bruno de Carvalho (BC).

3. Esse período áureo que voltou a devolver esperança ao Sporting foi, todavia, sendo paulatinamente desbaratado através de constantes acções populistas motivadas pela ânsia de protagonismo de BC. Quando se impunha moderação e bom senso surgiu a radicalização, e o quantos são…, e sabe-se como essas tomadas de posição extremam posições externas e criam focos de instabilidade dentro do próprio clube que, naturalmente, tem massa pensante que não se deixa facilmente arrastar para essa política de terra queimada apenas e só porque a voz unicista aponta nesse sentido.

4. Ao facto real e elogiável do Sporting se encontrar, neste momento, em todas as competições (contando a despromoção à Liga Europa), responde BC com tácticas de guerrilha urbana ao transformar-se num pseudo-ditador de baixo calibre visando a desestabilização dos seus próprios comandados, esquecendo-se que os atletas e técnicos escondem atrás de si homens e pais de família que exigem ser respeitados na sua dignidade e no seu profissionalismo. Uma sequência de tiros de pólvora seca que em nada beneficiou o clube de Alvalade. Antes pelo contrário, arrastou consigo um conjunto de problemas crescentes que não sendo novos, eram evitáveis tendo em conta o que de positivo tinha sido construído.

5. Esta velha reedição de auto-suicídio que alegra todos os que se animam com a desgraça alheia, tem contornos perigosos face à forma de ser e de estar de BC, dando razão afinal a todos os que, a começar pelo seu próprio clube, levantavam dúvidas legítimas sobre a sua personalidade truculenta, a sua inexperência e a sua capacidade para conduzir um navio de tão grande dimensão. O ajuste de contas com o passado parece ser um objectivo perseguido pela sua vontade obsessiva e isso, partindo de princípios aceitáveis inseridos no seu programa eleitoral, transformou-se num problema sério que pode acarretar para o clube uma desestabilização sem precedentes atendendo à forma como o processo tem sido conduzido.

6. Para já o foco principal assenta no futebol. Subscrevemos a tese de que já devia ter abandonado o banco para assumir uma postura institucional na tribuna, como também a tendência de criar tensão com todos os treinadores, desde Jesualdo Ferreira passando por Leonardo Jardim, e agora com Marco Silva. BC vive na ilusão de que enquanto presidente do Sporting, lhe é permitido pôr, dispôr e ser recadeiro público, à revelia das mais elementares normas de bom senso que aconselham que as críticas, sugestões, comportamentos ou directrizes, devam ser feitas no recato do balneário.

7. Por ora não se sabe como irá terminar a fricção pública entre BC e Marco Silva. O extremar de posições pode conduzir a rupturas e, porque a bola está do lado de BC, para os sportinguistas é desejável que este faça um acto de contricção e não se deixe iludir pelas franjas radicais acéfalas que têm feito o que lhe é pedido: legitimar as acções populistas do seu presidente, dizendo amén a tudo o que sai daquela cabecinha pensadora, que qual papagaio em maré de excitação, pode conduzir o Sporting a um beco de onde será muito difícil sair, se considerarmos que existem processos complicados como por exemplo o da sua cruzada favorita – os Fundos – que poderão tornar a vida infernal a Alvalade. Compete pois aos sportinguistas ponderar a situação e decidir da forma que entenderem para corresponder melhor aos interesses do Sporting.






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