Ponto Vermelho
Firmeza e convicção nas próximas etapas
24 de Dezembro de 2014
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Apesar do Benfica se preparar para entrar em 2015 com uma vantagem de 6 pontos sobre o 2.º classificado FC Porto que dependendo do jogo da 2.ª volta na Luz até poderão vir a ser de 7, nota-se em geral uma atmosfera pouco condizente com uma equipa que lidera destacada o campeonato nesta altura da época. Boa parte da imprensa, os nossos adversários e os nossos inimigos não se têm cansado de sublinhar que essa diferença a despeito de ser significativa, não é de nenhum modo confortável e até o jogador portista Maicon provavelmente num excesso de entusiasmo, para ficar bem na fotografia e para recuperar a titularidade perdida, afirmou que até não se importava de trocar de posição com o Benfica…. Um sinónimo de basófia exagerada que reflecte bem o sentimento que grassa no reino do Dragão…

Com efeito, depois de Pinto da Costa ter proclamado alto e bom som o aflitivo may-day, may-day… como forma de tentar impedir o Benfica de caminhar decididamente para o bi-campeonato que representaria o fim oficial da hegemonia pintista de 3 décadas, o FC Porto com poucos recursos disponíveis solicitou os bons ofícios do empresário da moda para tentar inverter o rumo dos acontecimentos que se aproximava velozmente do plano inclinado. Conseguiu-o em parte e, a despeito da intensa propaganda que tem passado por uma hipervalorização do plantel azul e branco, resulta claro que são mais as vozes do que as nozes. Isto sem intenção de desvalorizar a diversificação comprovadamente upgrade dos jogadores que chegaram.

Até agora tem sido o treinador Julen Lopetegui a arcar com todas as responsabilidades devido à alegada e excessiva rotatividade do plantel à sua disposição. Como se fosse isso apenas, no entender de alguns mal habituados a um passado ainda recente, a principal pecha do FC Porto de não estar, neste momento, no primeiro lugar do campeonato destacado e a ter que se preocupar única e simplesmente com a sua carreira na Liga dos Campeões. Quando algo não corre de harmonia com as ideias e teses esteriotipadas defendidas por alguns no papel, é certo e sabido que há que descobrir a vítima mais à mão, e neste caso o alvo mais vulnerável – o treinador. É assim em todo o lado.

No Benfica as coisas vão fluindo dentro das dificuldades esperadas e, infelizmente, das inesperadas. Por mais planeamentos que se façam, por mais expectativas que se criem, ninguém podia prever um tão acentuado grau de lesões traumáticas de recuperação prolongada. A única que transitou foi a de Fejsa que, é bom que se diga não foi suficientemente colmatada em tempo útil mas, todas as outras, aconteceram já num momento em que o plantel tinha sofrido sangria. As críticas não se fizeram esperar pela escassez de opções, mas curiosamente, para os que têm memória, na temporada anterior, os mesmos tinham criticado por haver excesso e um plantel muito alargado. Vá lá ser-se prior numa freguesia como esta…

As expectativas para as próximas etapas não podem deixar de ser prudentes mas isso não pode nem deve significar uma menor convicção em atingir os objectivos que restam. O prioritário – a renovação do título –, começa com uma nova fase em que as esperanças se mantêm intactas, sendo que o outro, um habitué no leque de troféus encarnados vem a seguir. Admitindo a partida de Enzo Pérez naquilo que não deixa de constituir um bom negócio para o Benfica (fora o campo desportivo) e para o jogador, a questão primordial não poderá ser a obsessão de encontrar de forma automática um clone, mas sim conseguir a rápida evolução do estaleiro, tornando aptas para a competição as várias soluções que, já com provas dadas, irão sem dúvida emprestar nível e equilíbrio à equipa nas suas diferentes vertentes.

Se tudo correr como se espera, o leque abre-se e os próximos tempos poderão trazer-nos a certeza (se alguma vez certezas existem neste particular!), de que a equipa do Benfica poderá assegurar um rendimento compatível com as suas aspirações para esta época. Compreende-se assim melhor, o suspiro e o anseio de Jorge Jesus quando falou nos reforços de Janeiro. É disso que se trata e é nisso que se deve acreditar. Até lá vamos ter que conviver com as críticas e as múltiplas desvalorizações dos vários segmentos mas isso, é uma inevitabilidade congénita sobre a qual já estamos vacinados e que sempre soubemos ultrapassar com firmeza. É essa a nossa predisposição de Natal em que aproveitamos para formular aos desportistas em geral e aos benfiquistas em particular, os nossos desejos de um Natal de grande felicidade sem mágoas nem rancores!








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