Ponto Vermelho
O que nos trará 2015?
29 de Dezembro de 2014
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Quando caminhamos a toda a velocidade para a conclusão de mais um ano que do ponto de vista económico e social volta a não nos deixar gratas recordações, é legítimo que nos interroguemos sobre o que nos poderá trazer o novo ano. Até a um passado não muito distante, os adeptos, simpatizantes e os desportistas em geral, para além de canalizarem as suas expectativas para um período melhor do ponto de vista individual e colectivo, centravam as suas atenções no que o desporto poderia trazer no novo ano que estava prestes a arrancar e nas performances a atingir pelos seus clubes de eleição.

Actualmente, enquanto não se alterar a negra conjuntura que atravessamos e regressar o optimismo, aparte as excepções que são cada vez menos, a prioridade da esmagadora maioria da população que definha, passa pela preocupação consiga própria e com os seus agregados familiares. É a luta constante pela sobrevivência, apesar de haver por aí uns ex-frequentadores de feiras e mercados e ex-jotinhas que não se cansam de nos metralhar de forma quase diária com estatísticas feitas à medida para tentar ludibriar-nos, tentando comprovar que tudo está melhor. Decididamente não está. Oxalá estivesse.

É portanto num contexto de penúria que o desporto em geral e os clubes e agremiações em particular vão tentando a todo o custo sobreviver, sabe-se lá com que dificuldade. Para todos eles sem excepção e com particular ênfase para as centenas e centenas de pequenos clubes espalhados pelo Portugal profundo e que na sua enormíssima maioria passam incógnitos às luzes dos holofotes da ribalta, vai a nossa solidariedade e o nosso aplauso. E é preciso chegar o Natal para que alguns vejam de forma fugaz reconhecido o seu trabalho, os seus méritos e as suas virtudes a nível nacional, já que local ou regionalmente sabem bem quem são, o que fazem, e os sacrifícios que os seus dirigentes suportam para que a palavra solidariedade chegue a quem mais dela necessita. Um trabalho anónimo de grande dimensão social nunca reconhecido.

Bem sabemos que a redução das enormes assimetrias que sempre existiram e muitíssimo se agravaram por força do período negro e triste a que nos conduziram interna e externamente, é uma tarefa gigantesca de décadas que não se esgota nesta ou naquela geração. Mas também sabemos e temos sentido na pele que a inexistência de vontade política tem contribuído e de que maneira para o forte agravamento das desigualdades, ao mesmo tempo que tem abortado à nascença qualquer hipótese de reacção consentânea com esse desiderato. Mais do que realçar a pobreza de recursos que sendo um facto iniludível não é o que apregoam, importa reagir de modo sereno mas firme ao tradicional lambebotismo perante os sistemáticos despautérios externos.

É mais uma vez num cenário problemático como o que enfrentámos em 2014 que temos que encarar 2015. No ano prestes a findar, a despeito de tudo e sem que o Estado tenha prestado a atenção e o apoio que lhe incumbiam (o que convenhamos não é de agora), o desporto nas suas várias vertentes configurou-se como um oásis que ressaltou da mediocridade. Com meios altamente insuficientes, o desporto conseguiu ainda assim destacar-se e erguer bem alto o nome de Portugal além fronteiras, um realce que não foi circunscrito pois para além do futebol várias foram as modalidades que sobressairam, desde a canoagem, o ténis de mesa, o judo, o atletismo, etc, etc, provando que mesmo enfrentando as maiores dificuldades, os dirigentes e sobretudo os atletas conseguem superar-se. Até onde chegariam se fossem devidamente apoiados como na grande maioria dos países?

Não gostaríamos de terminar o ano sem (re)lembrar dois casos intensamente mediáticos durante alguns meses mas que entretanto cairam no esquecimento, estando neste momento em sede de justiça a aguardar decisão. O caso do antigo V.P. do Sporting Paulo Pereira Cristóvão indiciado pela prática de 7 crimes com destaque para a tentativa de linchamento do árbitro auxiliar José Cardinal que já data de 2012, e o rocambolesco assalto à Sede da F.P.F. que é mais recente (Fev.º/2013) que se arrastou meses e meses até o assaltante, identificado desde o primeiro dia, ser detido. Ambas as situações que parecem não enfermar de especial complexidade de investigação, continuam à espera de agendamento nos tribunais os quais, continuam a não conseguir desmentir a tese que a justiça em Portugal é sempre incrivelmente lenta, salvo naturalmente as devidas excepções… Será que estes dois casos serão resolvidos em 2015 ou perfilar-se-ão como candidatos à prescrição?








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