Ponto Vermelho
Inquietações!
24 de Janeiro de 2013
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Depois daquelas rábulas em que o clube do 'Querido Líder' é cliente assíduo e que levou ao adiamento do jogo do Setúbal à espera da colaboração e benevolência de S. Pedro, realizou-se na noite de ontem no 'Bom Fim' o habitual passeio do FC Porto ao lindíssimo estuário do Sado a que não faltou sequer o membro mais proeminente da confraria e da arbitragem contemporânea, e o subserviente anfitrião Fernando Oliveira teve a subida honra de ter recebido em sua casa tão ilustre visitante e amigo. Quando assim é, e a festa se prolonga para além do entretenimento nas quatro linhas para ajustar calendário, podemos dar graças por o futebol portoguês em todo o seu esplendor nos oferecer tão eloquente e tão elevada manifestação global de companheirismo. Pena foi que (não há bela sem senão) que alguns vitorianos não tenham alinhado nas efusivas comemorações e tenham discordado da actuação do já celebérrimo apitador e o tenham levado a perder o estilo pavoneante com que frequentemente se exibe dentro e fora dos relvados, algo que obrigou inclusive o presidente sadino a vir a terreiro defender os interesses do seu clube, tardiamente é certo, mas compreendamos que fazer de babysitter à Rainha Isabel é uma tarefa a tempo inteiro...

Isso leva-nos à conclusão que a tradição ainda é o que era e que as amplas liberdades permitem que qualquer aprendiz se auto-arrogue de Mestre. Nem sequer é preciso grande lábia pois o apoio da estrutura é determinante no estilo e na forma, e até personalidades afectadas pela timidez congénita surgem com tiradas tonitruantes que embevecem o dia a dia dos media na sua incessante procura por notícias em que valha a pena investir. Não é por acaso que depois do magnífico trabalho do jornalista Carlos Rias de 'A Bola' sobre os meandros da podridão no campo dos observadores vs árbitros, se assiste a um silêncio estratégico sepulcral, sendo que apenas os seus camaradas de jornal a ele se estejam a referir. Mas seria certamente interessante constatar as conversas que desde a sua publicação têm decorrido nos bas-fonds sobre a melhor forma de lidar com verdades indiscutíveis. Como noutras ocasiões similares, o silêncio é dourado e a melhor forma de lidar com isso é deixar que a poeira assente e não levantar muitas ondas. Como a vergonha não existe, é só deixar que surja o rolo compressor do esquecimento. Disso se tem alimentado o futebol portoguês e sabemos os resultados.

Passemos pois à frente na procura de coisas eventualmente mais interessantes o que se torna difícil encontrar hoje em dia. Mas tentemos ignorar por ora a euforia desmiolada e os fait-divers de incompetentes personagens insensíveis ao sofrimento das pessoas do mundo real com o regresso aos mercados, para nos concentrarmos no futebol que temos mas que não gostaríamos de ter, em que todos os indicadores revelam que vivemos tempos de grande incerteza e de cada vez maior proliferação de chicos-espertos, a despeito de continuarem a existir bem intencionados suficientemente convencidos e que afirmam sem rebuço que o Apito Dourado foi uma pedrada no charco, quando se constata a par e passo, que funciona em cada um dos imensos tabuleiros existentes a regra da multiplicação, alterando cenários e pontualmente pessoas para que tudo fique na mesma e se renove com roupagens adequadas à nova situação.

Estes tempos de crise não vêm ajudar nada aqueles que continuam a lutar para que o desporto seja mais limpo e mais despoluído. Pelo contrário, a falta de policiamento como a enésima medida de poupança levada a cabo pela Santíssima Trindade encabeçada pelo Ministro Rabaça Gaspar (não se percebe como com tantas poupanças é preciso despojar de uma forma brutal sobretudo os cidadãos da ex-classe média), começa tal como previsto a ter efeitos perversos a despeito do grande optimismo de Fernando Gomes, e já se começa a notar um rastilho que ameaça destruir todo o enorme barril de pólvora em que se está a transformar a crescente crispação popular que começa a transportar para os campos de futebol todos os problemas que vai experimentando devido à política suicida seguida. Vários têm sido ultimamente os sintomas que se têm notado e que poderão vir a crescer exponencialmente sem que possam ser controlados.

Na 1ª Liga com o nervosismo evidenciado pela estrutura de sonho através das declarações inflamadas do 'Querido Líder' e do tímido Vítor Pereira que tem feito questão de as repetir a cada passo, do súbito recrudescimento das patacoadas Salvadorenhas em vésperas do SC Braga-Benfica, da reacção ao status-quo dos desalinhados em Setúbal e que inclusivamente acabaram por envolver o árbitro do encontro e posteriormente num pseudo volte-face do presidente Fernando Oliveira para salvaguardar a sua relação com os adeptos. Na 2ª Liga no Braga B-Belenenses, no Feirense-Leixões e no Santa Clara-União da Madeira também se registaram alguns incidentes, e provavelmente noutros campos e campeonatos de menor dimensão onde o mediatismo não chega a menos que aconteça algo de muito grave. Sem que sem alterações de política se consiga colocar um travão a esta onda crescente de insubordinação a roçar a violência, é tempo de, como já tínhamos alertado, das autoridades competentes sejam elas desportivas, políticas ou de segurança se debruçarem seriamente sobre o assunto antes que seja tarde.










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