Ponto Vermelho
Por este ano acabou-se…
31 de Dezembro de 2014
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Como é da tradição em Portugal, o campeonato das competições profissionais de futebol foi interrompido na época natalícia para só ser retomado no início de 2015. Trata-se de uma opção que tem vindo a perdurar ao longo dos anos e que encerra vantagens e naturalmente inconvenientes. Como quase tudo aliás. Sendo tradição ninguém estranha e a opção para aqueles que não gostam de perder pitada do futebol, foi sintonizar a BTV para acompanhar a sempre apelativa Liga Inglesa que, como é hábito, nos deliciou com jogos de grande interesse competitivo. Não demos porque alguém se tenha queixado (antes pelo contrário), o que prova mais uma vez que quando o produto é bom e genuíno, há sempre muitos interessados.

Em contraponto, no nosso futebol disputou-se a Fase 3 da Taça da Liga uma prova bastarda que ainda não deixaram consolidar a posição que começa a justificar. Estamos em crer que tal só acontecerá após o FC Porto e no patamar seguinte o Sporting a vencerem, altura em que os que agora a tratam jocosamente deixarão de a apelidar de Taça da Cerveja ou de Taça Lucílio Baptista para assumirem o seu verdadeiro nome. É apenas uma questão de oportunidade que poderá até ser este ano ou quiçá prolongar-se por mais uns tempos…

Tal como na mais recente eliminatória da mais democrática Taça de Portugal, acontecerem algumas surpresas ainda que neste caso continue a haver, pelo menos em teoria, a possibilidade dos derrotados rectificarem os deslizes que tiveram na 1.ª jornada da Fase de Grupos. Mas indiscutivelmente o jogo que atraía mais atenções e quase monopolizava o espaço noticioso (especializado e generalista) era o V. Guimarães-Sporting devido ao estado de turbulência que o seu presidente decretou em Alvalade e que fez com que, a avaliar pelas reacções, uma parte significativa dos adeptos tenha deixado de o seguir cegamente para estar ao lado do treinador.

Com efeito, depois do veto presidencial à utilização dos jogadores mais utilizados em mais uma opção de protesto das muitas que tem protagonizado no seu ainda curto mandato, o jogo passou a ser observado do ponto de vista do treinador, como um dos jogos menos complicados na sua carreira. Porque, a partir desse momento, fosse qual fosse o resultado, qualquer observador justificaria (em caso de derrota) que Marco Silva tinha sido forçar a jogar amputado dos seus melhores elementos e, em caso de empate e sobretudo se a vitória acabasse por lhe sorrir, que tinha tido mérito inquestionável sem esquecer obviamente os jogadores como obreiros directos do êxito.

Ao ter vencido demonstrando ao mesmo tempo coesão defensiva e eficácia atacante com um onze não titular, a equipa do Sporting e em particular o seu treinador viram reforçada a tese que apontava para mais uma divagação do presidente, pelo que as efusivas comemorações de Bruno de Carvalho representando a figura do adepto anónimo com acesso ao banco, roçaram o ridículo e soaram a uma profunda hipocrisia. É certo que o V. Guimarães tem vindo a perder gás nas últimas jornadas, mas o que ficou foi que uma jovem equipa do Sporting venceu onde os titulares baquearam inapelavelmente dando início às incursões presidenciais de agravo facebookeanas.

Por seu turno os outros dois grandes também venceram abrindo assim a porta das meias-finais. O FC Porto em Vila do Conde com a habitual opção rotativa de Julen Lopetegui e com os protagonistas escolhidos a darem boa conta do recado, dispensando o último lance do desafio em que o Rio Ave podia ter chegado ao empate se o árbitro tivesse considerado mão na bola e não bola na mão, provando, afinal se dúvidas houvessem, que as equipas de arbitragem incluindo os árbitros-auxiliares também se equivocam e favorecem o FC Porto…

Na Luz perante um equipa organizada como são sempre as equipas de Manuel Machado, o Benfica com o seu melhor onze disponível de momento marcou cedo, podia ter de seguida arrumado a contenda mas, a exemplo do que várias vezes já aconteceu esta temporada, foi deixando vivo o resultado o que deu alento ao Nacional que nunca desistiu de empatar, salvo na última fase do desafio com menos um elemento. Podia ter chegado à igualdade? Podia, tal como o Benfica podia (e devia) ter ampliado o resultado. Na retina, para além do excelente golo de Jonas, fica uma exibição pouco conseguida dos encarnados no primeiro momento a seguir ao encerramento do peditório valenciano… Para 2015 aguardamos o regresso gradual dos lesionados que certamente irão emprestar outra dinâmica à equipa. Bom ano para todos os desportistas a começar pelos benfiquistas!






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