Ponto Vermelho
Os ’prejuízos’ segundo a cartilha pintista
4 de Janeiro de 2015
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Por EagleView

Desde o pontapé de saída dado por JM Pedroto nos já longínquos anos oitenta, estabelecido e consolidado por JN Pinto da Costa nas décadas subsequentes, que o Sistema tal como o conhecemos dos seus tempos áureos, foi direccionado para duas vertentes fundamentais: obter favorecimentos para o FC Porto e prejudicar o(s) clube(s) que se perfilasse(m) e estivessem eventualmente em condições de obstaculizar a carreira ascensional dos portistas.

A estratégia era multifacetada e comportava um conjunto de nuances que faziam por se ajustar à situação pretendida, podendo até acontecer que nenhuma das duas situações (benefício vs prejuízo) viesse a suceder, dependendo sempre da forma como os resultados íam acontecendo. Havia ainda uma terceira que era usada sempre que necessário, que passava pela teoria da vitimização, i.e., sobrevalorizando e provocando alarido na comunicação social quando o Benfica como seu adversário mais directo, era hipoteticamente beneficiado por qualquer erro de arbitragem mesmo que isso não influisse no resultado final.

As coisas foram evoluindo e hoje em dia poder-se-á dizer que já nem tudo é como dantes, atendendo a que por um lado o Benfica foi evoluindo e actualmente já dispõe de uma capacidade de resposta que não tinha na altura e, por outro, a própria conjuntura criou mais mecanismos de escrutínio que começaram a pôr a nu toda essa estratégia ínvia. Mas os resquícios do passado ainda se fazem sentir e, sempre que o Benfica está bem posicionado no campeonato, lá vem a lenga-lenga que então fez furor mas que hoje não passa de uma mera e triste memória do passado.

Sem pretender ser exaustivo mas para ilustrar que o passado ainda faz parte do presente, relembro ao acaso uma estória recente e que revela que ainda vigoram alguns desses esquemas que tão bons resultados produziram ao longo de várias décadas. Vejamos então o que aconteceu no jogo FC Porto-Rio Ave realizado no passado dia 30 de Novembro:
1.º - Prepara-se o terreno cansando os adversários. O Rio Ave jogou na Ucrânia na Quinta-feira para a Liga Europa e jogou para o campeonato no Domingo contra o FC Porto (3 dias de descanso). O Estoril jogou em casa na Quinta-feira para a Liga Europa e jogou para o campeonato na segunda-feira (4 dias de descanso). Por contraste, na semana anterior:
O Estoril jogou na Rússia na Quinta-feira para a Liga Europa e jogou para o Campeonato no Domingo contra o FC Porto (3 dias de descanso). O Rio Ave jogou em casa na Quinta-feira para a Liga Europa e jogou para o campeonato na Segunda-feira (4 dias de descanso).
Resumindo, os dois adversários do FC Porto, Estoril e Rio Ave, tiveram apenas ou menos de 3 dias de descanso enquanto o FC Porto teve mais. Nas outras ocasiões os mesmos clubes, Estoril e Rio Ave, tiveram 4 dias de descanso.

2.º - Prepara-se o jogo escolhendo um árbitro de maior confiança, Olegário Benquerença, um dos que dispensa apresentações… Olhemos pois para as incidências da partida:
1. Minuto 27: Cotovelada de Marcano sobre o jogador do Rio Ave. Marca livre ao contrário.
2. Minuto 28: Brahimi pontapeia o jogador do Rio Ave. Amarelo que se esqueceu de mostrar;
3. Minuto 47: 1.º Golo do FC Porto precedido de falta de Jackson Martinez sobre Marcelo. O lógico e justo seria amarelo e livre contra os azuis e brancos;
4. Minuto 49: Penálti por marcar por derrube de Danilo a Zeegelaar dentro da grande área portista. Penalty e amarelo por mostrar;
5. Minuto 52: Penálti por marcar por mão na bola de Herrera dentro da grande área portista. Novo penalty e amarelo que ficou no bolso;
6. Casemiro na grande área do Rio Ave derruba sem bola um defesa. 2.º amarelo e consequente expulsão. Mais uma vez sem acção.

3.º - O golpe de misericórdia. Desfeito o adversário, uma derrota certa transforma-se em goleada. Resolvida a descomplicação, vieram os golos:
7. Minuto 78: 2-0 por Jackson Martinez.
8. Minuto 89: 3-0 por Alex Sandro.
9. Minuto 91: 4-0 por Óliver.
10. Minuto 93: 5-0 por Danilo.

4.º - O arranjo completa-se com o branqueamento dos agentes intervenientes. - O presidente do Rio Ave tal como o treinador Pedro Martins assobiaram para o lado e justificaram o silêncio por causa do resultado desnivelado... muito me contam!
- Lopetegui esqueceu rapidamente o discurso da arbitragem.
- A comunicação social assinalou os erros e rapidamente virou de página.
- Os comentadores desportivos tiveram a coragem de afirmar, como o jornalista andrade Bruno Prata, que "não foi um jogo marcado pela arbitragem"...

5.º - Branqueamento total de uma arbitragem escandalosa! Não há menção nos programas semanais sobre o escândalo arbitral. Se fosse o Benfica teria sido exigido que o árbitro fosse para a jarra! O Sistema no seu melhor! Igual ou parecido apenas nos longínquos anos 90! E o que se pretende fazer passar para os papalvos é que o grande beneficiário é o Benfica. Ah, pois…












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