Ponto Vermelho
Interrogações e certezas
6 de Janeiro de 2015
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1. Parece conclusivo para qualquer observador que acompanhe o fenómeno futebolístico, que o Benfica tem atravessado desde que atingiu o cume interno no final da temporada passada, uma sucessão de acontecimentos que afectaram de modo significativo a sua estrutura futebolística. Foi a cobiça natural dos elementos que mais se tinham destacado ao serviço das águias e das respectivas selecções que culminou com a debandada de vários elementos nucleares, foi a crise financeira que se agudizou e afectou os principais sustentáculos que apostavam no desporto e no futebol profissional em particular, foram as lesões traumáticas de longa duração em catadupa que nesta altura, passados já quase 5 meses de competição, ainda continuam.

2. Como se isso não bastasse e já com as diversas provas a decorrer, voltámos a ter mais do mesmo com a ida para o estaleiro de mais atletas o que, convenhamos, não pode deixar de preocupar. Atrever-nos-íamos até a dizer que noutros tempos não muito distantes teria sido certamente catastrófico. Felizmente, toda a estrutura envolvente revela hoje em dia uma superior capacidade de resposta, a que se junta em particular a equipa técnica e os restantes jogadores que, por enquanto, não foram afectados pela magia negra que teima em persegui-los.

3. No meio de tudo isto e após uma pré-época a prenunciar receios sem fim daqueles adeptos e simpatizantes que encaram as adversidades sempre com o maior pessimismo e desconfiança, a situação começou a compor-se através de uma conjugação de esforços e de uma entrega sem limites, a que se juntaram, há que reconhecê-lo, resultados menos conseguidos por parte dos nossos adversários directos que ajudaram a consolidar a actual vantagem. Mas é justo realçar que a equipa tem vindo a cumprir bem a sua parte, ilustrada nos resultados ao cabo de 15 jornadas que demonstram que nada aconteceu por acaso – 13V, 1E e 1D e com a defesa menos batida.

4. Todavia, apesar desses números que aguçam a curiosidade dos amantes das estatísticas, persistem as dúvidas e são levantadas interrogações, atendendo a que as notas artísticas que Jorge Jesus popularizou começaram a rarear nos últimos tempos, observando-se uma nova forma de abordagem aos encontros, que sendo muito menos vistosa tem a virtude de ser eficaz. Pelo menos até este momento quando a primeira volta se aproxima da sua conclusão.

5. Comenta-se que o maior pragmatismo agora revelado tem como justificação o facto de haver menos qualidade no actual plantel sem esquecer a contingência de haver vários lesionados a começar por uma das áreas nevrálgicas – a intermédia. Não vamos contrariar essa evidência. Mas lembramos a propósito que já no derradeiro terço da época passada quando o plantel do Benfica apresentava, sem dúvida, um maior leque de opções no binómio quantidade/qualidade (e era criticado por isso) ouvimos esse argumento amiúde, o que levanta a interrogação se porventura não terá havido evolução no modo como passaram a ser abordados os jogos por parte da equipa técnica e dos jogadores.

6. Não falta quem vaticine que a equipa encarnada, mais tarde ou mais cedo, cederá a vantagem confortável de que dispõe. Para isso, baseiam-se no super-plantel do FC Porto e nas dificuldades que o Benfica está a encontrar para se desenvencilhar de adversários modestos com destaque para os últimos jogos. Aliás, é bom igualmente recordar que até à viagem ao Dragão as provas acumulavam-se em favor da tese dos que argumentavam que todos os jogos de superior grau de dificuldade não tinham sido ultrapassados a 100% pelos encarnados o que, sendo uma evidência estatística, acabou por demonstrar a falência que essas constatações podem acarretar, pois a cada passo os resultados tidos como inesperados podem suceder a qualquer um.

7. A próxima jornada que proporciona uma cimeira importante aos clubes da frente, pode trazer com ela resultados com o seu quê de imprevisto. Ou não. Mas que promete temperaturas mais elevadas não há dúvida que sim. Estando quase a iniciar-se a viragem para a 2.ª volta e a entrar-se em contagem decrescente, a expectativa cresce em relação aos dois polos e decerto não deixará de produzir os seus efeitos. Do nosso ponto de vista, no Benfica há dois vectores importantíssimos a observar; o pragmatismo que deverá ser mantido e a convicção que emerge da recuperação dos lesionados para aumentar o leque de opções. Havendo lugar aos dois em simultâneo o que é uma possibilidade real, o horizonte só poderá ser vermelho…

Nota: Como o tempo passa! Completou-se já 1 ano sobre a partida do king. Onde quer que esteja não deixará certamente de observar o tributo e o reconhecimento dos seus admiradores que vão muito para além do Benfica e de Portugal. A inauguração de um troço da 2.ª circular junto ao Estádio da Luz rebaptizado como Av. Eusébio da Silva Ferreira e as homenagens que lhe foram prestadas, revelam bem que havia muito tempo que já tinha reservado lugar na eternidade!






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