Ponto Vermelho
Será desta vez o salto?
8 de Janeiro de 2015
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Como foi noticiado ainda que o acontecimento devesse ter sido aproveitado para lhe dar maior ênfase por parte de todos os agentes ligados ao futebol e pela imprensa especializada em particular, acabou de ter lugar na Sede da Federação Portuguesa de Futebol um encontro promovido pela Direcção federativa. O tema em agenda foram as equipas B, para transmitir e receber ideias dos vários protagonistas e aquilatar da sua viabilidade futura numa conjuntura económica e financeira assaz complicada para a Federação, Associações e sobretudo para os Clubes.

Uma reunião de facto oportuna numa altura em que os clubes e a própria Selecção Nacional denotam cada vez maior dificuldade de recrutamento e de renovação, sendo que, com o Benfica e Luís Filipe Vieira à cabeça, talvez como nunca no passado se falou tanto do aproveitamento da Formação, uma via alternativa cada vez mais credível no potenciamento de novos talentos que poderão dar corpo de forma gradual mas segura a uma nova era na vida dos clubes, depois de alguns anos em que os principais com destaque para FC Porto e Benfica já iniciaram, por várias vezes, as suas partidas com o pleno de jogadores estrangeiros.

Um tema recorrente com forte incremento nas redes sociais bastas vezes levado ao exagero próprio de visões apaixonadas, algumas vezes delirantes e desfazadas da realidade social em que o País, os clubes e os próprios adeptos vivem. Os tempos saudosos para alguns em que acontecia precisamente o contrário como no Benfica, é um tempo cuja memória se foi esgotando sem que dessemos por isso e que se tornou irreversível. Agora é tempo de avaliar as possibilidades da conjuntura e buscar soluções que não sendo de forma nenhuma as ideais, serão as possíveis tendo em conta as supremas dificuldades que se deparam a todos. A menos que façam parte de uma minoria de previlegiados para os quais nunca há crise e que se preparam para bater novos recordes no capítulo dos proventos à custa da esmagadora maioria da populaça, sobretudo da mais vulnerável…

Segundo notícias veiculadas pela comunicação social, a reunião terá decorrido de forma positiva o que de facto constitui um bom indício e um bom ponto de partida. Nunca é tarde para recomeçar, para introduzir melhorias ou para dar início a uma nova era desde que sustentada, coerente e com firmeza nos objectivos a atingir. Mas, antes de tudo, é preciso alterar as tradicionais mentalidades pessimistas que tudo criticam antes sequer de qualquer esquema estar no terreno. Vivemos um período em que não há mais lugar para tergiversações ou indecisões de qualquer espécie que possam comprometer o futuro. Há pois que seguir em frente sem desfalecimentos.

As equipas B nesta nova versão que necessita de ir sendo sempre melhorada e afinada uma vez que nunca constituirá produto acabado é um desafio a todos, desde Federação, Liga, Associações, Clubes e demais agentes ligados à causa. Atendendo a que isso acarretará, para além do mais, custos acrescidos, torna-se imprescindível que todos dêem o seu contributo sem esquecer a Tutela que anda, por norma, a leste do assunto. A questão das apostas on-line que já era urgente há pelo menos 2 anos e que por força de uma burocracia inadmissível num assunto de primordial importância para a vida dos clubes, do futebol no seu conjunto e até mesmo do próprio fisco, continua de detalhe em detalhe pelo que é imperioso resolver de vez este tema. E, já agora, entre outros pequenos acrescentos, vinha também a calhar uma mexida no IVA sobre a bilhética para atrair mais espectadores e assim aumentar as receitas, quer do futebol quer as fiscais.

A despeito de todo este rosário de dificuldades, fala-se que existem mais clubes que dentro das suas modestas possibilidades estariam a equacionar a eventual criação de equipas B. Sejam muitos ou poucos o princípio é salutar porque isso revela vontade de contribuir para o progresso e desenvolvimento do futebol. Mas perante um projecto dessa envergadura é preciso que existam planos apoiados e exequíveis, pois se isso não acontecer ficarão circunscritos ao papel e, se passarem, correm o risco de se desmoronar num ápice.

Paralelamente a isso, é preciso que os mesmos agentes olhem com olhos de ver para o edifício futebolístico e introduzam correcções à forma competitiva como se estão a desenrolar as várias competições, em particular através da redução do número de clubes que compõem neste momento as duas Ligas profissionais. Se for arquitectado um plano global que contemple todo o edifício do futebol que venha a merecer consenso alargado, levado à prática com o mínimo de desvios e for acompanhado em permanência, estamos certos que o papel das equipas B subirá de importância contribuindo para o progresso do futebol e alargando de forma cada vez mais significativa o campo de recrutamento dos clubes e concomitantemente da Selecção Nacional. Sem esquecer a valorização dos jovens jogadores nacionais tão insistentemente reclamada!






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