Ponto Vermelho
Um simples desafio?
25 de Janeiro de 2013
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Os caprichos do calendário que têm obrigado a equipa do Benfica a uma sequência anormal de jogos fora da Luz começa por ser um facto positivo, pois isso significa que os encarnados estão a disputar todas as provas em que entraram (com excepção obviamente da Liga dos Campeões). Mas no reverso da medalha estão as constantes dificuldades, o desgaste, e todo um conjunto de factores que pesam ou podem vir a pesar já a seguir quando os jogos forem por natureza todos decisivos. E mesmo os jogos da Liga Nacional que é um prova de regularidade, transformaram-se em autênticas finais dado que no ombro-a-ombro com o FC Porto, qualquer escorregadela pode reduzir as hipóteses de alcançar o objectivo principal da época.

A propósito, afigura-se-nos oportuno referir que a calendarização da Taça de Portugal que aparte a rábula da sua transferência do Vale do Jamor equacionada pelo presidente federativo Fernando Gomes pelas razões conhecidas, cada vez mais se está a transformar no parente-pobre do futebol português. E só não é totalmente porque, por enquanto, continua a dar acesso a uma prova europeia o que não é discipiendo. Se até aos quartos de final o processamento das eliminatórias se vem fazendo da forma usual, já a disputa das meias-finais em que o finalista é apurado a duas mãos tem um certo sabor caricato atendendo a que a 2ª mão é a perder de vista. Com efeito, disputando-se o 1º jogo no dia 30 do corrente mês, não se nos afigura ajustado no próprio interesse da prova que o 2º jogo só ocorra a 17 de Abril, o que representa um manifesto desvirtuamento da competição. Não sendo uma novidade, entendemos que a FPF em conjunto com a Liga deverão articular melhor este assunto por forma a evitar esta tão grande dilação de prazos.

Mas para já é o que temos, e é neste apertado cenário que só é exclusivo do Benfica felizmente pelas melhores razões, que temos que nos movimentar e fazer face às exigências que serão colocadas à equipa encarnada nestes meses iniciais do ano. Para agravar ainda mais o nível de exigência, é já no princípio de Fevereiro que acontecerão vários particulares de Selecções em que em condições normais teremos vários jogadores seleccionados (Enzo Pérez, Maxi Pereira, Melgarejo, Cardozo, Gaitán e Garay) o que também deve ser visto como positivo, alguns deles com deslocações transatlânticas em perspectiva, o que acarreta maior cansaço e menor disponibilidade, esperando que não aconteça entretanto nenhum problema de ordem física. É o preço que temos de pagar por termos nas nossas fileiras internacionais de vários países, uma situação a que aliás já nos vamos habituando.

Contrariamente à temporada anterior, tem havido uma maior rotação de jogadores por forma a prevenir o inevitável desgaste muito embora se notem carências pontuais no plantel que nem sempre podem ser prevenidas por unusuais, como seja a malapata que tem existido com os defesas-centrais que têm tido lesões em catadupa, para já não falar no caso especial do capitão Luisão que antes disso, juntou uma suspensão que o impediu de durante 2 meses de prestar o seu contributo à equipa. Por coincidência ou não, o que é facto é que a equipa nas temporadas anteriores e devido a uma multiplicidade de factores tem decaído na segunda metade da época, o que leva os nossos adversários e os observadores em geral a prognosticarem o mesmo resultado para a presente. Não sendo de excluir, não acreditamos nessa teoria dado que o factor anímico é determinante e vemos a equipa muito bem nesse particular e que a tem inclusive levado a várias remontadas, o que é sinónimo de saúde psicológica.

Como o próximo desafio é sempre o mais importante, teremos que incluir a visita a Braga nessa categoria. Pelos resultados verificados nas últimas épocas e dada a súbita rivalidade que passou a estar presente no estádio da cidade do Bom Jesus, não será difícil prognosticar uma tarefa difícil e que requererá da parte dos encarnados o máximo empenho e concentração. Os bracarenses ainda que praticamente afastados do título dado que não é crível que venham a recuperar 20 pontos aos dois mais sérios candidatos, alimenta ainda o sonho de atingir o 2º lugar, ao mesmo tempo que pretende manter uma distância pontual segura para o surpreendente Paços de Ferreira e quiçá poder resistir ao novo e emergente Sporting. Por todos esses motivos é de crer que teremos como habitualmente um SC Braga a entrar em campo fortemente determinado, o que como é óbvio aumentará ainda mais as dificuldades do Benfica que precisará de toda a sua determinação para levar de vencida os bracarenses.

A despeito de todo o folclore levado a cabo pelo presidente António Salvador e que tem acontecido nos últimos anos sempre que o Benfica visita Braga, acreditamos que o jogo possa decorrer sob o signo da normalidade e em que as duas equipas entrarão em campo dispostas a ganhar o jogo, sem quaisquer picardias dentro e fora do relvado e com uma arbitragem a condizer. É certo que temos fundadas razões de queixa em jogos anteriores, mas acreditamos que o setubalense Bruno Esteves apesar de já ter errado contra o Benfica (vem-nos sempre à memória o Paços de Ferreira-Benfica) irá tentar dar o seu melhor não prejudicando qualquer das equipas. É esse pelo menos o desejo que aqui deixamos expresso.








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