Ponto Vermelho
Marinho Neves-Testemunhos-II
24 de Janeiro de 2015
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Por EagleView

No segundo artigo sobre as investidas que o jornalista Marinho Neves tem empreendido no mundo da corrupção que tem grassado no futebol português, olhemos agora para as ligações que manteve com o Sporting ao tempo do antigo presidente António Dias da Cunha.

Falemos então desse capítulo que já faz parte de um passado a começar a ficar distante. "Janeiro de 2007: Marinho Neves ex-jornalista e autor do livro 'Golpe de Estádio', que versa sobre a temática da corrupção no futebol português, revelou ter trabalhado secretamente durante seis anos para o Sporting, tendo sido contratado em 2000 pelo antigo presidente António Dias da Cunha, para o manter informado sobre os jogos de bastidores da modalidade. O tal sistema de que tanto se falou. Durante a cerimónia de relançamento do livro, Marinho Neves explicou que a sua colaboração terminou quando Dias da Cunha se demitiu, "devido às guerras internas no clube, instigadas por pessoas que ainda lá estão".

Segundo fez saber, os relatórios confidenciais por si elaborados e destinados ao antigo presidente já estavam a chegar, em determinado momento, "a pessoas do Norte". Sem mencionar nomes, explicou como as coisas se passavam: "Com duas semanas de antecedência, eu sabia quem eram os árbitros designados para certos jogos. Sabia também quais os jogadores do Sporting que iriam ser enervados pelos árbitros, no sentido de reagirem e assim acabarem expulsos, para enfraquecer a equipa. Fazia relatórios e enviava-os a Dias da Cunha. Mas essas informações acabavam por não chegar ao técnico José Peseiro, que assim não podia avisar antecipadamente os jogadores no sentido de não reagirem às provocações".

O jornalista disse ainda que Dias da Cunha, com base na informação recolhida por ele, Marinho Neves, tentou a regeneração do futebol através de uma aliança com Luís Filipe Vieira, "mas logo aí houve anticorpos dentro do clube, contrários a essa aproximação". Confrontado com o teor destas afirmações, Miguel Salema Garção, director de Comunicação do Sporting, confirmou ter existido uma colaboração entre Marinho Neves e o clube e deu a conhecer a posição dos actuais dirigentes:"O dr. Dias da Cunha sempre recebeu total solidariedade dos dirigentes que ainda estão no Sporting na sua luta pela regeneração do futebol português. O actual presidente entendeu cessar essa colaboração porque escolheu outras formas de lutar por essa regeneração, nomeadamente com uma participação activa na Direcção da Liga."

Volvidos dez anos sobre a publicação do romance 'Golpe de Estádio', obra que relata práticas de corrupção no mundo do futebol, o jornalista Marinho Neves relançou a obra e prometeu para breve um novo livro, agora não ficcionado."As práticas relatadas no 'Golpe de Estádio' estão mais actuais que nunca. Mas mal o processo 'Apito Dourado' saia do segredo de justiça, avanço com um livro, desta vez não ficcionado, sobre todo o processo, com nomes e factos", revelou. Sobre o 'Apito Dourado', Marinho Neves só disse, por agora, que "muitas pessoas vão ficar surpreendidas com os resultados. Toda a gente vê Pinto da Costa como o 'monstro', mas antes dele outros cairão". Sobre o livro de Carolina Salgado, MN diz que não precisou "de dormir com Pinto da Costa para saber mais sobre ele que a própria Carolina".

Testemunho de Marinho Neves no facebook. "Vou dizer-vos uma coisa, uma só, porque não posso ir mais além. Quando Dias da Cunha teve conhecimento de que o clube era um centro de negócios para alguns, alguns ilustres sportinguistas, fizeram tudo, mas mesmo tudo, para que ele se demitisse. Mostrei-lhe provas de como os meus relatórios, pagos pelo clube, iam parar às mãos de Pinto da Costa e Valentim Loureiro e havia apenas 4 pessoas que tinham acesso a eles. Arranjei provas de como eram negociados alguns jogadores com graves prejuízos para o Sporting e o envolvimento que havia entre dirigentes sportinguistas e presidentes de clubes do Norte".

Eu, com ajuda preciosa de um grande sportinguista que trabalhava no clube, arranjámos provas de como dirigentes do clube, nos bastidores com a ajuda de elementos da Juve arquitectavam a derrota para criarem mau ambiente ao presidente e ao treinador.
E mais: Sabem o que fizeram? Elegeram os traidores e os negociantes e voltaram a eleger e a eleger os mesmos traidores. Chegaram mesmo ao ponto de contratarem um elemento ligado à claque para agredir um elemento que estava comigo nas investigações. Tenho todos os meus relatórios e juro-vos que se um dia eles fossem publicados dariam o livro mais polémico da história do futebol". "In: facebook", 13 Dez 2012 (…)






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