Ponto Vermelho
Marinho Neves-Testemunhos-III
26 de Janeiro de 2015
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Por EagleView

Vamos então concluir a fase da ligação de Marinho Neves ao Sporting Clube de Portugal no tempo em que António Dias da Cunha presidia aos destinos do clube de Alvalade. "Estou triste com o que está a acontecer com o Sporting. Trabalhei 6 anos no clube de Alvalade com o sentido de ajudar a limpar e abrir novos caminhos. Foi o período mais vitorioso dos últimos 20 anos. Não tenho de me queixar porque fui pago para isso. Mas se o Sporting quiser encontrar o seu caminho, a primeira coisa que tem a fazer, é libertar-se da aliança e espiões que tem a Norte. Que lhe sirva de exemplo o que aconteceu ao Salgueiros e Boavista quando optaram pela mesma aliança."
"In: facebook".

Terminado este capítulo, passemos então a uma entrevista concedida por Marinho Neves:

P: O grande sucesso Golpe de Estádio é um romance ou uma comédia? O que pretendia com a publicação desse livro, gozar ou informar?

MN: Naquela altura era necessário dizer a verdade e não havia outra forma de o fazer. Penso que consegui estabelecer um diálogo com o leitor, espevitando-lhe a curiosidade. Mas, não conheço nenhum romance que não seja baseado em histórias reais.

P: Muitos dizem que esse livro ditou a sua reforma antecipada dos principais meios de comunicação. Mas custou-lhe algo mais, como perseguições, tentativas de envenenamento ou até mesmo de assassinato. Sabe os nomes e os motivos de quem orquestrou esses actos?

MN: Fui de facto perseguido, muito perseguido, ameaçado e continuo a ser. Mas, não é verdade que tenha sido a minha reforma antecipada. Depois da publicação do livro trabalhei no programa da SIC "Os Donos da Bola" e em vários jornais, não obstante me terem tentado boicotar todos os trabalhos que iam aparecendo. Não o conseguiram porque Portugal não se resume à cidade do Porto, e Lisboa nunca me fechou as portas. Cheguei a estar contratado para o jornal "A Bola" e no dia em que devia entrar inverteram a situação. Foi caso único na capital.

P: Qual foi o restaurante onde o drogaram? Para que os nossos leitores saibam antes de lá ir comer.

MN: Foi exactamente no mesmo restaurante onde já foram apanhados alguns árbitros portugueses e estrangeiros que foram cear com dirigentes ("Marisqueira de Matosinhos"). Uma vez, vinha a sair desse restaurante em Matosinhos e à saída tinha dois jagunços à minha espera. Só não me aconteceu nada porque ia muito bem acompanhado.

P: Na sua intervenção no 'Prós & Contras' sobre corrupção no futebol, pareceu bastante incomodado com a maneira jocosa com que Valentim Loureiro se apresentou. O que lhe passou pela cabeça quando o viu a "berrar" que ia ser absolvido porque nunca fez falcatrua no futebol?

MN: Quando fui a esse programa foi-me prometido que teria linha aberta para dizer o que quisesse. Mas, quando me estava a maquilhar, o Valentim Loureiro estava ao meu lado e mostrou-se incomodado com a minha presença. Quando me sentei, senti de imediato que nunca me dariam a oportunidade de dizer o que sabia, não obstante o presidente do Sporting, Dias da Cunha, ter dito nesse programa que tudo o que aprendeu no futebol foi comigo. Depois… foi uma comédia.

P: Você tem alguma coisa a ver com o ‘Polvo dos Papalvos’, com o 'Blog da Bola' ou com o 'Tripulha das escutas'?

MN: Com 'O Polvo dos papalvos' e 'Tripulha das escutas' não. Nem sequer conheço. Já o 'Blog da Bola', foi com grande emoção que me vi obrigado a encerrar, tantos eram os processos judiciais, todos arquivados porque apresentei provas do que dizia. Mas não deixei de gastar fortunas em advogados e despesas judiciais. Em toda a minha carreira jornalística tive 35 processos judiciais (colocados pelos suspeitos do costume), todos arquivados antes de julgamento com a excepção de um, em que fui absolvido.

P: O que faria se lhe dessem a presidência de um dos clubes mais mediáticos de modo a "limpar" o futebol em Portugal?

MN: Mesmo como presidente de um clube podia fazer muito pouco. Primeiro tinha de conquistar a simpatia e a confiança da maior parte dos clubes e só juntos podíamos normalizar o actual sistema. Pinto da Costa demorou 10 anos a montar a máquina enquanto os clubes da capital se degladiavam.

P: Que previsão faz para o Futebol Clube do Porto e para o futebol nacional, quando Pinto da Costa abandonar o cargo no clube?

MN: Esse vai ser o grande problema dos portistas. Quando Pinto da Costa acabar, o clube também acaba. (…)
















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