Ponto Vermelho
É futebol…
28 de Janeiro de 2015
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1. A primeira jornada da 2.ª volta do campeonato da I Liga teve resultados e já agora compensações algo curiosas; os dois da frente perderam fora do seu reduto pelo mesmo resultado (0-1) e o 3.º ganhando em sua casa pelo mesmo resultado tangencial teve a inesperada oferta de ganhar pontos a todos os seus competidores mais directos (antecedentes e precedentes) o que não deixa de ser uma coincidência que raramente ou quase nunca acontece. Mas aconteceu e é com isso que temos que lidar.

2. O desaire no Domingo do FC Porto nos Barreiros abria uma janela de oportunidade ao Benfica para se distanciar para uns confortáveis 9 pontos. Isto, se evidentemente os encarnados na sua deslocação 'à Capital do Móvel' cumprissem a sua obrigação de vencer. As últimas exibições e resultados deixavam antever um optimismo moderado, sabendo-se que em qualquer momento ou em qualquer lado, podem suceder resultados tidos como inesperados se assentes em previsões lógicas.

3. Afinal repetiu-se o resultado da véspera registado no Funchal o que significa que na frente tudo permaneceu inalterável. Também como na 'Pérola do Atlântico', as análises e comentários que se seguiram aos desfechos tiveram por base, praticamente, o resultado e não todas as envolventes das partidas. É a velha tendência de analisar pelo fim, esquecendo o princípio e o meio. É a requentada teoria de acudir pelos mais fracos que desde que consigam não perder já é um resultado justificado pela energia e fibra colocados em campo e que até justificaram amplamente a sorte que protege por vezes os inocentes.

4. É um déjà vu que nos faz lembrar tempos idos. Do regresso às vitórias morais em que as equipas e a Selecção portuguesa eram massacradas durante os noventa minutos e no fim, quando por vezes a sorte sorria, lá alcançávamos o empatezinho da ordem (0-0) ou perdíamos tangencialmente. Esta mentalidade tem tido como consequência uma certa estagnação do nosso futebol no seu aspecto global ajudado de forma flagrante pela proliferação de equipas sem a menor capacidade competitiva em ambas as Ligas Profissionais sem que os responsáveis resolvam isso quanto antes. Não foi evidentemente o caso.

5. Tal como tinha acontecido no jogo da Madeira, em Paços de Ferreira aconteceu pura e simplesmente futebol. Não exactamente como as prolíferas aves da desgraça nos quiseram fazer crer mas de forma algo diversa, pois como é óbvio cada um devia poder comer o que quisesse. Mais uma vez a lógica e o merecimento não funcionaram naquela vertente inesperada que o futebol oferece e que o torna apaixonante. Agora o que não concordamos é que se queira justificar uma vitória com a exclusividade do mérito quando o que se passou não foi exactamente isso. Utilizar a táctica de estacionar autocarros e esperar pela oportunidade de lançar aceleras sendo uma táctica legítima ainda que encolhida, é um facto que basta vezes prejudica o desenvolvimento do futebol. Os exemplos que nos entram casa adentro vindos de Inglaterra são um bom ponto de partida. Isto, que fique bem claro, vale para todas as equipas.

6. Em que é que diferiu afinal a exibição encarnada de outras de há tempos atrás em que o Benfica acabou por vencer? Apenas e só o desfecho final, o que significa que são sempre os resultados a influenciarem tudo o resto. Não devia ser assim. O Benfica venceu vários jogos com exibições decepcionantes e escassas oportunidades de golo e acabou por perder este em que estando muito longe dos seus melhores dias, não só revelou inépcia na concretização como, se isso ainda não bastasse, fez questão de oferecer o golo aos pacenses através de um deslize que não deve acontecer em alta competição.

7. Como normalmente acontece, a componente anímica tem uma influência poderosa. O falhanço de um lance decisivo provoca, por vezes, desilusão e abatimento a quem falha e reflexamente o crescimento do ânimo e da confiança do outro lado. Foi isso que pareceu ter acontecido com o Benfica a partir do momento em que Lima não converteu o pénalti, a despeito de ainda terem sobrado chances mais do que suficientes para decidir o desafio. Esses factos por demais evidentes e que mantiveram o Paços de Ferreira vivo até ao fim, funcionaram como lenitivo e exerceram um efeito contrário nos encarnados que os condicionou a partir daí. Disso não tiveram culpa os pacenses que se limitaram a aproveitar alguma sobranceria e moleza bem como a generosa oferta benfiquistas. Fica mais uma lição, sendo que de novo se voltou a provar que os resultados parecem ser a única coisa importante…






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