Ponto Vermelho
Desafio motivador
3 de Fevereiro de 2015
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Não é de hoje nem de ontem que o principal organismo que rege o futebol Mundial dá mostras (evidentíssimas) de conluios e corrupção. Recordamos que com o fenómeno da globalização e do avanço inexorável das novas tecnologias de informação, a derradeira fase do consulado do brasileiro João Havelange já tinha sido pródiga em rumores e denúncias de corrupção e tráfico de influências, as quais culminaram com a publicação de provas insofismáveis a condenarem o então presidente e alguns membros do séquito, já com o mesmo a gozar a sua reforma dourada que nem chegou a ser perturbada.

Sucedeu-lhe o actual presidente Joseph Blatter ex-coronel suíço depois de luta renhida com o sueco Lennart Johansson que apresentava como credenciais o facto de ter sido presidente da UEFA e ter a imagem pública de homem sério e empenhado. Face aos intrincados jogos de poder e lutas surdas de bastidores, Blatter por estar próximo de Havelange, não teve dificuldades de maior em assumir o seu lugar. Nesse momento, para quem tinha dúvidas, ficou bem patente que a FIFA é muito mais do que uma organização do futebol sem fins lucrativos, mas uma organização política de grande envergadura e influência, que com o manuseamento de centenas e centenas de milhões, se tornou extraordinariamente apetecível e deveras tentadora para homens sem escrúpulos para quem o poder e o vil metal associado sempre foram chamariz.

Nos 17 anos que Blatter já leva à frente dos destinos da FIFA, incontáveis têm sido os escândalos que têm abalado o organismo. Apesar da forma organizativa ser profundamente conservadora e possuir uma estrutura algo hermética, nos últimos anos os mesmos têm vindo a aumentar de intensidade, seja com as constantes manipulações acerca das atribuições de Prémios a distinguir os melhores (um dos casos gritantes a distinção de Lionel Messi no Mundial do Brasil por exemplo) ou a atribuição da organização dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar respectivamente que têm causado acesa polémica, com o relatório Garcia a comprovar as irregularidades a ficar escondido numa das gavetas de Nyon... Sem esquecer as constantes ajudas e tráfico de influências nas eleições de dirigentes amigos em Confederações mais receptivas à manipulação para daí serem recolhidos os dividendos quando necessário.

Uma estratégia de longo alcance (uma ampliação incomensuravelmente maior daquela que temos conhecido por cá há mais de três décadas), que tem dado óptimos resultados a despeito de cada vez mais se ouvirem vozes em todo o Mundo a colocar em causa aquilo que devia ser preocupação primeira – o desenvolvimento e o progresso do futebol – de forma harmoniosa e transparente, criando o mínimo de distorções e assimetrias entre países e clubes ricos e pobres. Está à vista de todos que tal como na esfera política, esse desiderato que devia ser perseguido não só foi abandonado, como inclusivamente feito o seu contrário isto é, o que se observa é uma ofensiva sem precedentes contra os clubes menos afortunados o que, se prosseguir sem que nada seja feito, vai acabar por condenar esses clubes e afastá-los definitivamente da carruagem da frente do futebol.

É neste contexto assaz complicado que Luís Figo apresentou de surpresa a sua candidatura ao ceptro maior do organismo. Em Portugal e não só, têm-se multiplicado os apoios e os incentivos mas, infelizmente… não votam. Passado o inesperado da situação, importa avaliar se Figo reune as condições necessárias para exercer o cargo e, ainda mais importante, se tem ou não hipóteses de se bater com um peixe de águas profundas como é Blatter. Aqui chegados, poder-se-á dizer sem aprofundar muito a questão que será, apesar da imagem do actual patrão da FIFA estar muito desgastada e abalada por sucessivos escândalos, muito complicado derrotá-lo dado o presente ordenamento das Confederações a começar pela Africana que é a maior, vota em bloco, e parece ser uma incondicional de Blatter.

Todavia, perante um colégio eleitoral de 209 federações, podem registar-se surpresas de última hora podendo vir a repetir-se o mesmo cenário que determinou a vitória de Michel Platini à presidência da UEFA que quando a corrida começou era um outsider que não reunia hipóteses verosímeis de ser eleito. Mas foi! Luís Figo é sem sombra de dúvida um homem do futebol que nunca se afastou dele, e que tem vindo a preparar-se com tranquilidade para o exercício de tarefas importantes na estrutura do futebol. Mas que vai ter que lutar contra uma estrutura retrógrada que utiliza métodos corruptivos e a magistratura de influência para garantir apoios para quando vier a ser necessário. A acrescer isso, Figo tem contra ele a acusação de falta de experiência por não ter exercido cargos relevantes na área. Mas isso sendo importante não é determinante como aliás de viu com Platini. Que tenha o maior sucesso pois o futebol, tal como está, bem dele está precisado!








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