Ponto Vermelho
Silêncios e instigações
26 de Janeiro de 2013
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É deveras curioso observar que a comunicação do Benfica (vista no seu conjunto) está sempre na berlinda mesmo após a saída do seu Director-Geral João Gabriel um dos principais inimigos de todos aqueles que gostariam que a informação dos encarnados se pautasse de harmonia com as suas directivas, manipulações e interesses obscuros. Dito de outra maneira, queriam que o Benfica definisse a sua estratégia comunicacional por impulsos e comandada de fora para dentro para exercer o efeito desejado. De facto, esse tem sido de há muito o esquema promovido por vários sectores e interpretado por algumas personagens bem conhecidas, que aqui e ali tem dado os seus frutos através da confusão que por norma desperta a atenção da opinião pública mesmo que isso signifique uma intoxicação clara e propositada.

Mas será que a comunicação do Benfica tem sido perfeita? É evidente que não e tem registado algumas lacunas e insuficiências. Aqui por vezes deixámos alguns reparos animados das melhores intenções. Ignorando os objectivos malévolos que estão sempre subjacentes na mente de alguns, poder-se-á dizer que é sempre a velha história de cada um de nós mesmo que animados dos desígnios mais correctos, colocados perante a necessidade de termos que assumir uma determinada atitude provavelmente a nossa decisão seria algo diferente, o que também certamente iria motivar críticas de outros quadrantes na tentativa óbvia de a limitar e desvirtuar. Muitos de nós sabemos que o que está por detrás de tudo isso ultrapassa largamente o campo da mera discordância sobre a atitude ou decisão assumida.

Existe pois alguma perplexidade na mente de alguns entre os quais o jornalista Rui Santos (RS) por o Benfica até ao momento não estar a assumir uma estratégia de confrontação declarada ao FC Porto ao contrário do que tem sido norma nas últimas épocas e mesmo assim nem sempre. Sabe-se como os órgãos de comunicação social e opinadores de várias matizes adoram dissertar sobre isso pois são cachas e aberturas de telejornais garantidos mesmo em tempos de crise acentuada, levando alguma opinião pública que não consegue controlar a sua curiosidade a acorrer pressurosa, o que resulta em maior equilíbrio pessoal perante as diversas facções e interesses em confronto, mais vendas e mais audiências, logo mais publicidade. É uma técnica de marketing muito usada e que garante quase sempre excelentes resultados. E consegue-se manter o confronto no nosso campo.

Se olharmos para o posicionamento e actuação de toda a estrutura de Comunicação do Benfica esta época, constatamos sem sombra de dúvida que de facto tem havido maior selectividade, a despeito de não faltarem razões e motivos para que a mesma se pronuncie mais amiúde em termos públicos, sobretudo sempre que o Departamento de Comunicação do Dragão ou os freteiros à sua disposição lançam atoardas que convidam à confrontação no pressuposto histórico de que reúnem condições para poderem sair sempre por cima. Tem havido uma melhor gestão por parte do Benfica nessa matéria, apesar de haver alturas e situações em que tem que haver reacção não necessariamente como retaliação, mas para repor a verdade dos factos que são publicitados propositadamente retorcidos para daí retirarem vantagens.

Mas isso é obviamente curto para alguns opinadores como RS cuja intenção demonstra algum belicismo e alguma vontade de antecipar a agitação das águas por ora estranhamente calmas, situação que gostariam de ver alterada a todo o momento, se possível já. Nesse sentido o recente adiamento do jogo do FC Porto em Setúbal e a sua realização fora do período regulamentar estipulado mas sancionado pela própria Liga de Clubes, teria que ser motivo para despique e o facto do Benfica não ter feito um enorme alarido público por esse atropelo à verdade desportiva é causa de espanto e interpretado como uma actuação dual por parte dos encarnados se comparada com outras ocasiões. Ou seja, a tentativa de fazer passar para a opinião pública que a comunicação encarnada assume uma posição dúbia perante ao que dizem ser situações absolutamente idênticas.

Disputando-se hoje o palpitante SC Braga-Benfica não é inocente que tenha sido chamado à colação por RS os ‘apagões’ ocorridos no jogo disputado no AXA em Novembro de 2011 e a não reacção dos encarnados. De acordo com a sua douta opinião, tudo faz parte de uma estratégia arquitectada pela inteligentsia encarnada de manter as coisas neste estado mais tranquilo por forma a retirar vantagens, o que configuraria segundo o articulista uma contradição com a tão reclamada verdade desportiva porque o Benfica se tem incessantemente batido, inclusive pela possibilidade de vir a ter esta época árbitros directa e indirectamente do seu agrado. Não há dúvida que RS possui inegavelmente uma imaginação fértil que pede meças a qualquer um. Pena é que seja mais uma mera especulação para engrossar as fileiras da confusão numa altura em que estamos a entrar numa fase decisiva das várias provas da presente época. Mais a mais quando o ambiente neste momento está muito mais calmo do que seria expectável...








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