Ponto Vermelho
A vida eterna dos dérbis
7 de Fevereiro de 2015
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1. Vamos ter mais um derby desta vez em Alvalade. Determinaram as circunstâncias que a juntar às peripécias que por norma costumam caracterizar qualquer deles, o resultado seja importante para o Benfica e claramente decisivo para o Sporting, uma vez que alimentando ainda legítimas esperanças ao lugar mais alto do pódio, só a vitória lhe continuará a assegurar uma luz visível ao fundo do túnel, uma vez que até o empate passa a ser um resultado negativo. Porque mantem tudo na mesma para o Benfica enquanto poderá ver aumentar de novo a distância que o separa do clube que o antecede na classificação geral que terá ainda que visitar. Uma pressão extra impossível de escamotear.

2. Sucede porém que o resultado final não interessa apenas aos vizinhos da Avenida Eusébio da Silva Ferreira e da 2.ª circular. Há mais gente interessada principalmente o mais emblemático clube da Invicta, sendo que para além do tradicional desejo de ver o seu mais directo competidor sossobrar, seria muito importante até porque isso, apesar de continuar a sentir o Sporting a morder-lhe os calcanhares, significaria uma redução pontual e passar a depender apenas e só de si próprio. Isso, partindo do princípio que o Moreirense será levado de vencida e que o posterior resultado na Luz seria de molde a anular a desvantagem que neste momento se regista a favor do Benfica. Como se vê demasiados ses.

3. Não se tem estranhado por isso as sucessivas tentativas de desestabilização oriundas dos dois lados da barricada mas convergentes na acção e no desejo, reeditando velhas alianças roquetianas que deram os resultados que deram. Mas isso, neste momento, são apenas e só tergiversações para atingir os fins em vista. De Porto/Gaia chegaram as mensagens do mais recente porta-voz da velha e gasta estratégia pintista – Julen Lopetegui – que, tendo em conta o seu percurso imediatamente antecedente e o seu desconhecimento real e efectivo dos esquemas do Sistema que tem vigorado no futebol português, estragou o silêncio do poeta, ao enveredar por caminhos que desconhece desembocando no princípio de Peter… A última tirada sobre o desinteresse do resultado de Alvalade foi mesmo de rir até às lágrimas…

4. Aliás, nos últimos tempos as constantes referências às arbitragens já vinham soando a recados encomendados pelo que, com o realismo e o amor à verdade que as circunstâncias impõem, recomendamos ao permeável e transformado catalão que, ainda que sendo forçado a entroncar a verdade oficial do empregador, se documente melhor através de fontes independentes para evitar o desgaste de imagem acelerado que se está a processar, para que quando retornar ao seu país não seja confrontado com a hilaridade… Para concluir este capítulo azulado, até o repescado Quaresma veio botar faladura sobre o suplício que é ser derrotado pelo Benfica. Bem sabemos que o rapaz sofre de descontrolo emocional congénito ao ponto de observarmos que até os objectos inertes são objecto da sua fúria descontrolada como vimos em directo no último FC Porto-Benfica, pelo que não estranhamos que o desabafo tenha surgido precisamente nesta altura…

5.por baixo, grande é a azáfama e o nervosismo que grassa em Alvalade. Percebe-se, é o momento-chave para manter viva ou desfazer a promessa solene do seu presidente subitamente reduzido ao silêncio… Por ironia do destino que pareceu ter juntado várias peças a seu favor, sucedeu-se uma sucessão de factos todos favoráveis a Alvalade; a derrota do Benfica em Paços de Ferreira, a lesão de Júlio César, a problemática e quase impossível recuperação de Gaitán, e um voto de esperança no decréscimo da força anímica encarnada. Do seu lado, tudo coisas positivas; o descanso de Jefferson e de Nani, o regresso de Slimani e a continuação das vitórias. Até as arbitragens vieram em seu favor nos dois últimos jogos com pénaltis perdoados quando o resultado era incerto. Sobre isto, um silêncio aterrador contrastando com a vozearia dos tempos mais recentes. Até do indignado-mor Eduardo Barroso que deixou, por ora, de incluir esse tema na agenda…

6. Mas não se pense que as coisas ficaram por aí. Também fora do campo os apêndices entraram em acção, desde o ataque à viatura de Jefferson, passando pela vandalização de murais com símbolos encarnados, tudo serviu para tentar empolar a temperatura pré-derby até ver sem resultados palpáveis, dado que a estratégia foi mal delineada e cada vez mais são menos os que embarcam nesse tipo de provocações de acéfalos. Como se isso não bastasse, multiplicaram-se as frentes de desestabilização como aquelas parangonas do órgão do regime sobre o treinador do Benfica formatadas à medida por um profissional familiarizado com o clube de Alvalade. Foi deveras eternecedor e deu-nos um imenso gozo…

7. O isco foi sendo repetidamente lançado mas, para já, as contrapartidas são exíguas. É certo que o jogo ainda não se disputou mas, quaisquer que fossem as circunstâncias e as manobras, o desfecho seria sempre imprevisível como reza a história dos dérbis. Temos observado com interesse e curiosidade as sucessivas desmultiplicações atendendo a que para o Sporting não será um jogo qualquer – será nada mais nada menos do que o jogo do ano do seu campeonato. Para o Benfica será apenas mais um jogo sem dúvida importante, mas em que estarão em disputa apenas 3 pontos que, a serem conseguidos, tenderão a eliminar de vez a candidatura leonina. Na realidade, muito jogam o Sporting e o desinteressado FC Porto. Daí todo o nervosismo…






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