Ponto Vermelho
Um derby com poucas emoções
9 de Fevereiro de 2015
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O amplo leque de possibilidades que se abria com os possíveis resultados do derby e a promoção intensiva do evento através da imprensa, fez pairar no ar durante a semana a ficção de que estávamos perante o derby mais renhido e imprevisível das últimas dezenas de anos. E estando o Sporting em fase de renascimento após década e meia de obscurantismo e eufeudamento aos poderes do clube da Invicta, soou à mais hipócrita ironia a tarja que surgiu nas bancadas tipo esponja branqueadora do passado mais antigo e recente verde e branco.

A história tem destas coisas e as emoções que mudam num ápice tendem a ultrapassar o que se passou ontem, remetendo para as calendas os factos e situações que aconteceram e sobre os quais se faz tábua rasa. Como seria expectável, o aniversariante de ontem a quem continuam a ser perdoadas pela imprensa (e não só) as mais estapafúrdias garotices que derivam da sua manifesta falta de maturidade para dirigir um clube com a dimensão do Sporting, quebrou o blackout a que se tinha devotado sem ninguém ter percebido as razões que lhe deram origem. Como Pinto da Costa está a caminhar para o ocaso, importa desde já criar um sucedâneo a quem sejam permitidas todas as diatribes interpretadas e fomentadas, como se o caminho único fosse de sua pertença.

E como o rapaz é um user assíduo do facebook, não se estranhou que a sua habitual verborreia expressa naquela rede social tivesse criado duas frentes de queixinhas contra o Benfica, um expediente em que é useiro e vezeiro mas cujos resultados têm sido, como seria de esperar, de muito fraco pecúlio. Pena é que continue nesta cruzada tipo D. Quixote quando se devia concentrar em aspectos muito importantes da vida do seu próprio clube que abundam em todas as vertentes, a começar pelo inacreditável fosso existente em Alvalade que ainda ontem voltou a fazer mais uma vítima com gravidade. Custa a crer que face à sucessão de incidentes do mesmo género que se têm verificado, as autoridades desportivas e de segurança não actuem de molde a acabar de vez com estes factos tristes e que envergonham e enlutam o futebol.

No jogo propriamente dito foram mais as vozes do que as nozes. As enormes expectativas criadas em redor do desafio não foram correspondidas e lá se foram as fartas previsões dos especialistas que davam conta do enorme favoritismo leonino tendo em conta que porque sim e que a acontecer seria verde sobre azul, pois isso permitiria o regabofe que se seguiria sobre mais uma profusa crise encarnada... Têm afirmado os arautos da verdade inquestionável que o Benfica teve sorte. Pelos vistos a palavra tem significados muito distintos, sendo aproveitada para implementar teses servidas à medida dos interesses que se querem defender. Cada possível interpretação, sendo legítima, é pessoalista e não é a única.

Recentemente abordámos a questão da sorte e da justiça em função dos resultados. Pois em relação ao desafio de ontem e se quisermos entrar nesse jogo, diríamos que as duas se interligaram chegando a um fim salomónico. Saltava à vista que o resultado era decisivo para o Sporting a quem só a vitória serviria. Logo, previa-se que perante a maior assistência registada no novo Alvalade, os leões tudo fizessem para alcançar esse desiderato. Do lado encarnado, apesar do excelente labor e acerto defensivo, a exibição foi pouco assertiva do ponto de vista global. Apesar de tudo e porque o Sporting defensivamente respondeu na mesma moeda, foi um jogo de fracas e insuficientes oportunidades a despeito de uma maior intensidade leonina no decorrer da 2.ª parte.

Tendo existido grande intensidade táctica, não nos lembramos de um jogo de tão parcas emoções dada a ausência de reais situações de perigo, sendo que o desafio só animou de facto a partir do golo leonino resultante de um erro defensivo encarnado até ao derradeiro apito do árbitro que praticamente culminou com o empate. Para além disso, desta vez não houve lances duvidosos para animar as tertúlias e as chusmas de opinadores, sendo que para além de lapsos menores sempre susceptíveis de acontecer, apenas registámos uma falha que poderia ter sido grave: o livre assinalado nas imediações da grande área encarnada por suposta falta de Maxi Pereira (que foi amarelado) e que nem sequer existiu. Acontece. O que também voltou a acontecer e isso está longe de ser novidade, foi a deplorável realização da Sport TV, repetindo até à exaustão lances sem o mínimo de interesse e esquecendo lances importantes desde que favoráveis ao Benfica. Mais um verdadeiro atentado à ética desportiva que vai passar tranquilamente sem punição…








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