Ponto Vermelho
A hipocrisia do discurso…
13 de Fevereiro de 2015
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«Não há hipócrita que saiba resistir ao exame de uma longa, de uma paciente observação, e o trabalho dissimulado de um ano perde-se na distracção de um minuto.»-Paolo Mantegazza.

1. As diversas incidências do último fim de semana registadas no Pavilhão da Luz e sobretudo no Estádio de Alvalade originadas pelos dois dérbis entre os vizinhos da Av.ª Eusébio da Silva Ferreira e da 2.ª Circular, continuam na ordem do dia e a alimentar bocas famintas do sensacionalismo. E, claro, da hipocrisia sem limites.

2. Não é pois de estranhar o folclore (palavra com pleno cabimento neste contexto) que tem inundado a opinião pública mas, que curiosamente, quando o Director de Comunicação encarnado João Gabriel a utilizou para ilustrar uma verdade comprovada e incontornável, aqui Del-Rey que foi uma provocação e um crime lesa-majestade. É assim o panorama comunicacional em que vivemos em que a ausência de sólidos alicerces morais em muitos dos protagonistas, faz com que as situações mais susceptíveis de exploração mediática descambem para terrenos resvaladiços e lodosos dos quais ninguém sai dignificado e muito menos ileso. Mas, se procurarem as razões pelas quais elas surgem às luzes da ribalta o que aliás até não é muito difícil, encontrarão por certo as personagens e os grupos de interesses e de pressão a quem lhes interessa estes conflitos artificialmente engendrados.

3. Há evidentemente motivações. Depois de uma entrada de leão, Bruno de Carvalho (BC) que prometeu um sem número de novas soluções que segundo a sua óptica revolucionariam o futebol português e quiçá mundial, a sua cotação subiu em flecha junto dos seus mais ingénuos e entusiasmados apoiantes e, claro, junto de uma comunicação social ávida de novos filões para explorar. Numa primeira fase em que tentou estabelecer rupturas com práticas suicidárias e de eufeudamento do passado que conduziram o seu Clube a uma das mais graves crises da sua história, mereceu não só a compreensão como até o aplauso e incentivo daquela minoria (infelizmente) que gosta de olhar para os clubes (por maior rivalidade que possa existir), e vê-los trilhar caminhos seguros e independentes. Porque isso, ao contrário do que muitos julgam, dá alento e obriga os rivais a estarem atentos e a serem melhores para se manterem no topo.

4. Se os primeiros tempos foram prometedores e registaram avanços significativos, paulatinamente a personalidade truculenta, imatura e instável do presidente leonino começou a criar brechas na imagem. Abrindo sucessivas frentes de combate em todos os tabuleiros e pondo em causa tudo e todos, fácil era de perceber que não demoraria o tempo em que a temperatura do futebol português subiria virando-se contra o próprio. Avançando com algumas propostas que até justificariam uma discussão séria e construtiva, faltou-lhe a arte e sobretudo o engenho para atrair gente para o mesmo lado da barricada porque, como já se tornou consensual, BC é um homem de rupturas e nunca de consensos. E, é dos livros que, ou se têm força para impôr individualmente as ideias e forçar a aceitação de propostas, ou ter-se-á que procurar vias de aglutinação engajando outros parceiros que, não por acaso, até andam nestas andanças há muito mais tempo…

5. Deparando-se cada vez mais com o espectro do isolamento apesar do generoso e empenhado esforço de alguma imprensa que foi sistematicamente branqueando muitos dos seus dislates, BC, sem alternativa, optou por procurar apoios extramuros e a pretexto da posição manifestada sobre os Fundos e que conhecia de antemão, colou-se aos presidentes das duas organizações mais representativas do futebol para tentar infligir derrotas ao Benfica e ao FC Porto e com isso nivelando o futebol português por baixo. Mal comparado, dir-se-ia que a posição de subserviência de BC nesse capítulo, tem sido similar à que Passos Coelho tem repetidamente manifestado em relação à chanceler Merkel. Veremos se o processo que decorre em tribunal não lhe acarreterá uma gigantesca dor de cabeça…

6. Só contra o Mundo que suspeita estar todo conluiado contra si, o seu último passo foi cortar relações com o Benfica. Como se elas existissem na verdade… Os indícios folclóricos vinham-se acumulando sem cessar, pelo que haveria que aproveitar um qualquer pretexto para materializar a decisão já tomada mas a aguardar a oportunidade certa. O fim do blackout não surgiu por acaso e coincidiu com o jogo contra o velho rival que, segundo as opiniões abalizadas dos muitos experts do futebol que por aí gravitam, eram favas contadas. Como também era data do seu aniversário, estava preparado um fim de noite de Domingo de festa-rija, cujo ensaio-geral apoiado por sonoros Olés foi de curta duração e acabou por ser interrompido 6 minutos depois…

7. O que resta saber é se a decisão do corte de relações aconteceria se porventura aqueles breves minutos de festa brava se tivessem prolongado por muitos mais. Pela nossa parte atrevemo-nos a prognosticar que tal não sucederia, pois a vitória no campeonato contra o Benfica objectivo primeiro da existência leonina, seria de tal modo entusiasmante que prolongaria os Olés e os festejos pela noite dentro e dias subsequentes, prevendo-se uma semana sem igual. E, nessas circunstâncias em que o júbilo intenso estaria associado, seria altamente improvável que o estado de espírito apontasse para a entrada em vigor de tal medida. Porque carga de água quis o Benfica ser desmancha-prazeres?






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