Ponto Vermelho
Evolução (verde) na continuidade…
21 de Fevereiro de 2015
Partilhar no Facebook

1. Transcorrida mais uma semana no que ao desporto e ao futebol diz respeito, dela não extraímos grandes novidades evolutivas. Pelo contrário, confirmámos que no futebol português tudo permanece inalterável, continuando enrodilhado nas suas contradições de fundo e dando protagonismo a personagens menores que a pretexto de pretenderem inovar e introduzir a transparência há tanto tempo reclamada, depois de um breve período de graça ampliado pelos media, mais não têm feito do que lançar a confusão e gerar ódios e desconfianças. Afinal tudo era fogo de vista e de promessas está o mundo cheio…

2. Pelo que se constata, apesar das vozes (sinceras e impressivas) que clamam pela acalmia e pela ordem no nosso futebol, parecem ser em muito maior número os que apreciam e alimentam a confusão permanente, não só porque dela podem extrair dividendos e benefícios de vária ordem, mas também porque assim mantêm vivas e actuais as circunstâncias que podendo não os beneficiar, ao menos impedem de alguma forma os outros de usufruir de vantagens que entretanto conquistaram no terreno. E não esqueçamos o ineditismo de pela primeira vez nas últimas décadas, os três principais clubes se encontrarem de costas voltadas.

3. Se analisarmos com ponderação o panorama no seu conjunto e olharmos para as personalidades com maior peso e influência não ficamos surpreendidos. Estamos no ponto lógico do processo tendo em conta que o que está em disputa é muito mais do que um simples título nacional – trata-se, isso sim, da hegemonia do futebol português que tem sido detida pelo FC Porto nos últimos tempos conquistada sabe-se bem como, ainda que com a passividade do Benfica que entrou em plano fortemente inclinado e teve que encetar um processo complicado e demorado de recuperação do caos em que lamentavelmente se deixou enredar. O Sporting, já se sabe, foi um espectador passivo em mais do que uma década, limitando-se a beneficiar quase sem esforço, do acordo estabelecido com os portistas na era roquetiana.

4. A eleição de Bruno de Carvalho pareceu, de modo breve, vir a perspectivar um novo cenário e um enquadramento diferente no capítulo das relações inter-clubes apesar de já estarem em cena há largos anos duas figuras desavindas e que vinham a revelar antagonismo crescente à medida que o Benfica ia queimando as sucessivas etapas da sua recuperação. Logo, por aí, considerando as recordações do passado, não seria grandemente expectável uma nova era nas relações, a despeito de a conjuntura difícil aconselhar uma busca de soluções comuns extensiva a todos os clubes como forma de obviar ao esgotamento das hipóteses de recuperação e até mesmo de salvação que vinham ameaçando o futebol português.

5. Face à situação que tinha conduzido o Sporting a uma das mais graves crises do seu historial, aconselharia a prudência e o bom senso uma abordagem cautelosa a todas as novas situações que o Sporting teria fatalmente de enfrentar, sobretudo desde o momento em que o presidente leonino ainda em campanha eleitoral anunciava novos caminhos e um rompimento da política que nos últimos anos tinha sido encetada pelos seus antecessores. Isso de facto aconteceu, mas os trilhos escolhidos aproximaram-se da radicalidade nunca aconselhável a qualquer dirigente, sobretudo quando o seu poder, influência, maturidade e conhecimento dos meandros nebulosos do futebol são marcadamente insuficientes. Raciocinar e agir por impulsos como faz qualquer adepto fanático de bancada é meio-caminho andado para a ineficácia e para o desprestígio pessoal que acaba por afectar o Clube de forma negativa.

6. Chegados a este ponto em que incompatibilização é a palavra mais usada em Alvalade pois tudo e mais alguém é inimigo a abater, só haveria vantagem se porventura o futebol fosse uma fonte de alegrias e tivesse acontecido a vitória sobre o Benfica como única solução credível e entusiasmante. Não aconteceu e copiando a cartilha pintista de inventar inimigos fictícios para galvanizar e iludir fracassos, foi sendo recriado o ambiente que tem vindo a animar a malta nos últimos tempos… Por outro lado, era inevitável que a algazarra acabasse por afectar a equipa como sucedeu no Restelo e de certa forma em Wolfsburgo ainda que aqui possa haver alguma fundamentação para entreter boa parte dos adeptos mais acéfalos. E como o futebol é constante, já se perfila no horizonte o perigo gilista, seguido de nova ronda europeia e da visita ao rival da Invicta. Três jogos determinantes no futuro leonino, sendo que se correr mal, iremos ter por certo novas sessões de folclore. Entretanto, novos devaneios no mundo da escrita estão em curso, pelo que a coisa está longe de ser finita. Para além de prometer…








Bookmark and Share