Ponto Vermelho
Choradinho repetido
25 de Fevereiro de 2015
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Todos sabiam à partida a importância que a vitória neste campeonato representa para o FC Porto. Isso mesmo foi assumido pelos portistas que não olharam a meios para se reforçarem e prepararem o assalto às vitórias mal fosse dado o tiro de saída. Reconhecido o esforço (e o risco face à periclitante situação económica azul e branca) com a ajuda e intervenção decisiva de Jorge Mendes na recomposição do plantel, os portistas abasteceram-se primariamente no país vizinho desde o treinador a um conjunto de promessas e algumas certezas, restando saber apenas quantos permanecerão no plantel na próxima temporada. Mas isso é outra história que será abordada a seu tempo. De concreto, é inegável que o FC Porto parece ter mais e melhores opções que o seu principal concorrente Benfica.

Benfica que quase seguiu o caminho inverso. Depois de ter disposto de um plantel de luxo para a realidade nacional e ter chegado a mais uma final europeia, viu partir elementos nucleares um após outro no defeso, saga que prosseguiu também em Janeiro ainda que obviamente em escala muito mais reduzida. Mas significativa. Por sua vez as aquisições não foram de molde a entusiasmar dado que depois da fasquia ter sido elevada, seria muito difícil manter ‘normal’ o nível de exigência das opções, considerando a conjuntura que aconselhava vivamente ao desinvestimento. E, para complicar ainda mais a questão, Fejsa um dos elementos que vinha assegurando o fulcral lugar de médio-defensivo prosseguia o seu calvário com uma lesão que, ainda hoje, o mantem fora dos relvados.

A pré-época veio confirmar os receios dos adeptos e ajudou a criar forte desilusão face aos resultados e às exibições nada convincentes. Esse factor alimentou ainda mais a convicção de alguns de que o campeonato estaria desde logo entregue, faltando saber a partir de que jornada é que o FC Porto conseguiria, a exemplo de outras épocas emblemáticas para as suas cores, descolar e ganhar forte e decisivo avanço que lhe permitisse fazer a gestão de que tanto gosta, para se concentrar única e exclusivamente nas provas europeias. Por muito estranho que possa parecer tal não sucedeu e até aconteceu uma raridade que consistiu no Benfica ter vencido na jornada inaugural, um facto que já não sucedia há 10 anos. No entanto, nada parecia preocupar o Dragão…

O avançar da prova veio demonstrar um FC Porto algo inseguro e pouco assertivo, o que foi apressadamente justificado pelos comentadores encartados e plumitivos azuis e brancos ou anti-Benfica, pela acentuada rotatividade promovida pelo treinador Lopetegui que não permitia a afirmação e a criação de rotinas na equipa ao cambiar com frequência os jogadores. Noutra vertente, também o desconhecimento do futebol português que estando longe da vanguarda da Europa, tem ainda assim um campeonato complicado se considerarmos que os técnicos portugueses são por norma fortes e exigentes na componente táctica que cria dificuldades inesperadas (sobretudo em casa), mesmo para quem tem equipas recheadas de grandes estrelas…

A realidade é que o Benfica apesar de todas as insuficiências detectadas e das contrariedades inesperadas que tem vindo a enfrentar (mais lesões prolongadas de elementos importantes) tem, ainda que longe da nota artística que alguns reclamam de forma ingénua e outros o fazem para criar pressão acrescida à equipa, vindo a fazer o seu caminho ultrapassando os sucessivos escolhos que lhe têm surgido pelo caminho. E, no jogo que os portistas tinham definido como o ponto da viragem definitiva, viram-se batidos pelo Benfica que a partir daí não só ganhou maior vantagem pontual mas, sobretudo, um reforço de ordem psicológica para o resto do campeonato.

É indesmentível que os encarnados têm vindo a registar altos e baixos que os levaram a deixar mais recentemente 3 pontos inglórios em Paços de Ferreira e mais 2 em Alvalade que voltaram a dar alento aos azuis e brancos. Mas com todas as dificuldades o Benfica vai prosseguindo a sua caminhada jornada após jornada, o que tem causado crescente apreensão da parte de quem corre atrás do prejuízo e sabe de antemão que não pode falhar. Isso como é evidente cria uma pressão acrescida e um maior desgaste que não podem ser escamoteados. Para além de que o regresso da Europa também pode ser marcante.

Face à conjuntura adversa que teima em persistir, ninguém avisado estranha o recurso à montagem de um cerco, ao alarido e ao apelo a outras ajudas, nomeadamente às tentativas descaradas de condicionamento da arbitragem em que, pelos vistos, até já os não-burros sobre ela peroram… Não é caso virgem pois sempre que o Benfica está na frente em condições de poder vir a ganhar o campeonato, lá vêm os gritos compungentes tentando atrair a ajuda externa que, como se sabe, reune um vasto leque de agentes e recadeiros, desde portistas e sportinguistas coligados aos anti-benfiquistas convictos, numa aliança que se repete ciclicamente.

Infelizmente para esses a imaginação não abunda, pelo que por serem demasiado óbvios e repetitivos os argumentos utilizados, dispensamo-nos de os chamar à colação para não criar ainda mais poluição. Se da parte dessa gente é sempre assim porque não têm outra maneira de se comportar perante o desespero, não deixa de ser curioso observar outros que deveriam ser mais comedidos nas avaliações mas que já não conseguem disfarçar o mal estar, provando que a grande maioria dos media optaram em definitivo pelo caminho comercial porque a vidinha está complicada… O que lamentamos é que continue a haver ainda alguns que passam por benfiquistas a alinhar nessa estratégia ínvia.




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