Ponto Vermelho
Aniversário a condizer
1 de Março de 2015
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O Glorioso Sport Lisboa e Benfica depois do interregno de um ano motivado pelas circunstâncias tristes de todos conhecidas, comemorou ontem com pompa e circunstância mais um aniversário – o 111.º. Fê-lo, com todo o propósito num espaço muito seu – O Museu Cosme Damião – que se engalanou para receber uma plateia de ilustres benfiquistas muito diversificada em que como é da praxe, aproveitou para distinguir os sócios que completaram 25, 50 e 75 anos de filiação, atletas das mais diversas modalidades, dirigentes, casas, projectos e parceiros, numa cerimónia recheada de um brilho intenso. Estamos certos que todos os benfiquistas se reviram com enorme orgulho na grandeza do Clube que a todos aglutina, independentemente das salutares diferenças de opinião sobre este ou aquele tema ou projecto ou sobre esta ou aquela decisão ou realização.

Perante o tremendo impacto do aniversário e de todas as realizações a ele associadas, quis o acaso que antes, durante a tarde que ajudou a reviver tempos antigos, acontecesse uma série de jogos das modalidades nos respectivos Pavilhões da Luz e, como ponto alto, a disputa da 23.ª jornada do futebol na Catedral contra o Estoril que há duas épocas e quando menos se esperava, cometeu a desfaçatez de nos vir roubar 2 pontos que ajudaram a precipitar a derrota in-extremis do Benfica num campeonato que se previa ser favorável às nossas cores. Esse facto que estava presente na mente de muitos benfiquistas e quiçá da própria equipa técnica e jogadores, aconselhava à prudência não fosse o diabo tecê-las.

É certo que o Estoril, fruto de uma série de saídas importantes, tem tido comparativamente às mais recentes épocas uma prestação aquém do habitual, sendo que antes da visita à Luz tinha registado quatro derrotas consecutivas e o seu lugar na classificação do campeonato está naturalmente abaixo das expectativas de toda a sua estrutura técnica e dirigente e, como é evidente, dos seus mais indefectíveis adeptos. Mas nestas circunstâncias e porque os exemplos abundam, o Benfica em vésperas de um clássico em que um ou os dois rivais terá forçosamente que perder pontos, não poderia facilitar sob pena de se reeditarem velhos fantasmas que sempre surgem quando se vacila.

Os primeiros minutos foram de expectativa mútua com os canarinhos tentando por todos os meios aplicar a táctica que tinha sido congeminada durante a semana. Sabendo de antemão que o Benfica para o campeonato levava a bonita e impressionante soma de 88 jogos sempre a marcar, o objectivo passava por retardar ao máximo que o Benfica inaugurasse o marcador, enervando assim os jogadores encarnados e o público da Luz que compareceu em número assinalável (quase 47 mil espectadores), sendo que apesar dos reparos pertinentes que se têm vindo a fazer às assistências, é de notar que esta época (aparte as recepções ao Moreirense e Rio Ave) o número de assistentes ultrapassou sempre os 40 mil. Estando longe do desejável, ainda assim é significativo se tivermos em linha de conta a actual realidade portuguesa.

A estratégia estorilista rapidamente se desfez porquanto a exemplo do que tinha sucedido em Moreira de Cónegos, de um mesmo canto, marcado pelo mesmo Pizzi e cabeceado pelo mesmo Luisão, o Benfica conseguiu o primeiro golo que iria abrir caminho a uma exibição com períodos prolongados de excelência em que os destaques individuais (que os houve sem dúvida), se diluiram na assertividade do conjunto que funcionou em pleno. Quando assim é, os adversários por muito que se esforcem acabam por passar para segundo plano, o Benfica cavalga para resultados convincentes desde que, e isso não se passou ontem, não tire o pé do acelerador. Ficou-nos na retina a jogada do 4.º golo que resultou de um entendimento perfeito entre vários jogadores encarnados até à concretização final de Jonas.

Não sabemos até que ponto as sucessivas críticas com colinhos e as exibições nem sempre conseguidas que têm fustigado o conjunto encarnado contribuiram para que o orgulho dos jogadores fosse espicaçado. De uma forma ou de outra, a realidade é que a equipa encarnada conseguiu na tarde de ontem uma estupenda exibição e um resultado a condizer, como que fazendo questão de se associar ao aniversário do Clube. Resultou claro para os mais cépticos e até para os adeptos e simpatizantes mais susceptíveis, que o Benfica tem uma equipa à altura de conquistar o título e de produzir exibições bem conseguidas muito embora isso nem sempre aconteça.

Mas com o panorama das lesões a tornar-se mais desanuviado, o optimismo não pode deixar de aumentar ainda que ninguém deva embandeirar em arco pois falta vencer muitos desafios e ultrapassar muitas dificuldades que não poderemos omitir, pois além das que irão suceder dentro das quatro linhas, existem as outras bastas vezes invisíveis mas que são poderosas e, como sabemos até à exaustão, já têm influído decisivamente na atribuição de vários campeonatos. Para já ficou a satisfação de ter visto o Benfica atingir uma performance de que muitos duvidavam mas, como isso já é passado, vamos esperar que passe a ser regra e não excepção. Como ponto negativo o costume; os bombistas que parece não terem emenda. Não há quem ponha cobro a isto que apenas e só prejudica o Clube?






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