Ponto Vermelho
Nervosismo em passo acelerado…
7 de Março de 2015
Partilhar no Facebook

Desnecessário se torna dizer que a vitória neste campeonato, representa para o vencedor não apenas a conquista de mais um título, mas muito mais do que isso. Em rigor o que está verdadeiramente em causa, não vale a pena escamoteá-lo, é a luta pela hegemonia do futebol português entre o FC Porto e o Benfica dado que o Sporting não parece ainda dispôr de condições aceitáveis para se intrometer nessa luta a dois que tem caracterizado as temporadas mais recentes na prova maior do nosso futebol.

O Benfica tem vindo a ameaçar seriamente esse troféu que os portistas têm conservado nas últimas décadas, conforme salta à vista de qualquer observador minimamente atento. Tem sido um longo caminho recheado de escolhos e peripécias em que, para além de ter que ultrapassar as suas próprias lacunas e deficiências, tem lutado contra um conjunto diversificado de surpresas alojadas em todos os tabuleiros, criando dificuldades suplementares as quais, com muito trabalho e perseverança, têm vindo a ser esbatidas. É verdade que ainda não vivemos num mundo novo, mas é inegável que muitas artimanhas foram desmontadas ainda que o coração do Sistema continue activo e a bater.

São hábitos adquiridos que levam tempo até chegarem ao fim do ciclo e por isso, enquanto continuarem a existir, criarão todas as dificuldades ao seu alcance para perpetuar ao máximo um esquema bem congeminado que lhe tem rendido excelentes dividendos. Mas, como tudo na vida, os ciclos iniciam-se e terminam e essa assumpção aproxima-se em passo acelerado da sua conclusão, embora exista um conjunto de factores aleatórios que os poderão antecipar ou prolongar. A ver vamos como será o futuro próximo para aferir da justeza desse desiderato.

Perante essa ameaça latente e porque os tempos já não são o que eram, não restou alternativa ao FC Porto senão um esforço financeiro assinalável claramente em contra-ciclo com a actual conjuntura para tentar dar a volta aos acontecimentos. O plantel de luxo de que dispõe segundo os especialistas que não se cansam de o sublinhar a cada passo, conjugado com um treinador que no inverso da filosofia e modus operandi portistas teve carta branca para escolher os jogadores para o plantel, criou como é óbvio elevadas expectativas nas hostes portistas e em particular nos seus adeptos.

Contudo, as coisas não aconteceram como previam. É certo que fruto de um sorteio bastante simpático na Liga dos Campeões cujos ecos continuaram nos oitavos e naturalmente mérito, os portistas têm percorrido a prova com a maior das tranquilidades. Mas intramuros os resultados não têm sido os pretendidos. Na Taça de Portugal viram-se eliminados em sua própria casa por um Sporting-bébé como agora alguns se lembraram de lhe chamar para justificar os insucessos e, no objectivo primeiro, a situação está longe de ser famosa ainda que mantenha as possibilidades em aberto. Mas sendo este o alvo primordial, qualquer resultado que não seja a conquista do campeonato terá sempre que ser considerado como uma derrota face ao elevado investimento realizado.

A redução cada vez maior da distância para a meta sem que o Benfica tenha cedido, até aqui, os pontos suficientes por forma os portistas ficarem a depender apenas de si próprios, parece estar a causar intenso nervosismo e instabilidade na estrutura azul e branca, passando pelo treinador, jogadores e por extensão aos adeptos. Tem sido assim nos tempos mais recentes em que em todas as conferências de imprensa ou declarações, Lopetegui numa demonstração perfeita de que já assimilou a cultura portista, perora invariavelmente sobre árbitros e arbitragens, tentando fazer passar a mensagem de coitadinhos, substituíndo assim o Sporting que atravessa um período de reflexão profunda sobre o tema.

A exemplo de todos os campeonatos, têm sido vários os erros e equívocos das equipas de arbitragem. Mas, para além disso (o que já de si seria significativo!), tem havido também enorme algazarra de comentadores e quejandos, passando até por artigos encomendados em Espanha com a intenção de apoucar o mérito do Benfica e fomentar maior instabilidade no sector que já de si revela um conjunto acentuado de problemas. O propósito é evidente, pois estando a comunicação social invadida por elementos que fazem do anti-benfiquismo primário a sua profissão e o seu auto de fé, tem-se assistido semana após semana a críticas soezes e desproporcionadas para convencer a opinião pública de que o Benfica só vai à frente porque tem sido favorecido. Uma estratégia fomentada e que serve na perfeição aos portistas. Devem pois todos os benfiquistas estar atentos e denunciar todos os atropelos sempre que o julguem necessário, até porque mantendo-se as coisas como estão, é previsível que o clamor suba de tom…






Bookmark and Share