Ponto Vermelho
Incoerência sem limites…
9 de Março de 2015
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Costuma dizer-se sobre qualquer pessoa que defende (de forma aparentemente convicta) uma determinada posição sobre qualquer tema e depois (inopinadamente) defende o seu contrário, que tem fraca memória ou é incoerente. Todavia, também é possível constatar que algumas das pessoas que navegam nessas águas, excluindo como é óbvio as palavras convicta e inopinadamente, o fazem sem que sejam catalogadas pelas mesmas correntes de opinião como incoerentes. Nestas situações, o mais normal é ouvir-se um ruidoso silêncio ou tentativas óbvias e descaradas de branquear ou desvalorizar o que foi afirmado. Os exemplos abundam.

Para além do que imediatamente ressalta, está a jogada tantas vezes repetida com sucesso da memória curta dos Homens. Sobretudo quando interfere a manipulação e o controlo sobressaindo os interesses dos donos da comunicação social que estão muito para além das minudências da clubite aguda. Isso constitui apenas uma manobra dilatória para manter vivo o debate sem ideias para provocar a confusão, que ecoa e alimenta muitos dos adeptos que vivem na ilusão de que estão perante um bate-papo sem tréguas e sem fim à vista sobre os interesses do seu clube de eleição. A tentativa de controle e manipulação é uma realidade que têm que enfrentar todos os dias sem contudo se aperceberem.

Como é natural, os agentes desportivos que há mais tempo se encontram sob as luzes da ribalta, são os que detém a maior percentagem de pérolas. Nesse particular o decano Pinto da Costa no seu longo consulado, tem tido intervenções que não deslustravam em nada aquilo que o jornalista e escritor Afonso de Melo tão bem ilustou com a expressão A oeste de Pecos. Numa primeira fase em que após ter conquistado o poder do califado em que se deu ao luxo de produzir as mais espectaculares tiradas que o mundo da mixórdia e da imundice intelectual alguma vez reproduziu em termos públicos e, em fase posterior quando o controle deixou de ser tão evidente, aos solavancos sempre que entendia que as coisas estavam a resvalar.

Os Homens com memória jamais esquecerão, e os que permitiram que tal acontecesse com a cadência derivada da necessidade deverão continuar com a consciência pesada se por acaso a tiverem, o que francamente duvidamos. O seu silêncio e a sua aceitação tácita revelam-nos que assim é. Mas isso são tudo questões do passado que ajudam a compreender melhor o presente, uma vez que para muitos arautos da verdade incontroversa, os estratagemas e as golpadas usadas durante anos para influenciar o fulcro da questão é um mérito que deriva dos outros estarem a dormir. As regras e os regulamentos, essa coisa que existe à medida dos interesses e das conveniências mas que só são cumpridos quando interessa, é apenas para entreter ingénuos com preocupações com a verdade desportiva…

Não chafurdemos, por ora, nessa teia conspurcada de subversão de interesses. Detamo-nos apenas em algumas tiradas próximas da hilariedade porque ditas num contexto em que o seu autor – Pinto da Costa –, não se apercebeu do desfasamento da realidade que enfrentava. No dia 6 de Janeiro de 2010, não através de mais uma declamação versícula mas de um discurso inflamado e deveras emotivo que não é a sua imagem de marca, numa das várias homenagens ao seu mentor José Maria Pedroto prometia-lhe o título nacional. Que se viu impossibilitado de cumprir, e que conste, jamais se retratou publicamente do seu falhanço indesculpável. Um facto que rapidamente caiu no esquecimento.

Ao acaso e continuando com as referências ao futebol português mais recente, algumas pérolas ressaltaram como aquela da referência na época anterior ao árbitro portuense Artur Soares Dias em que depois de mais uma derrota contra o Benfica, entre outras diatribes, o comparou ao longínquo cinquentista Inocêncio Calabote o tal que é sempre chamado à colação quando se trata de desculpar maus resultados portistas (e já agora sportinguistas), em particular se forem contra o Benfica. Citamos: «Artur Soares Dias se for uma pessoa honesta tem que deixar a arbitragem ou pedir escusa dos jogos do FC Porto». Uma manobra de diversão que os mais avisados não levaram a sério, conhecedores que são da personagem camaleónica do presidente portista.

Não demorou muito tempo para que na época seguinte depois do ensaio em Penafiel com todos os golos da vitória portista a deixaram muitíssimas dúvidas (e isto apenas para sermos simpáticos) em que como seria expectável nenhuma referência ou opinião (mesmo que em latim) surgiu do universo portista. Passou o tempo. Não muito. E não é que está fresquíssima a arbitragem do mesmo Soares Dias no FC Porto-Sporting de há dias? Pois, numa daquelas metamorfoses e golpe de rins só ao alcance dos predestinados, Pinto da Costa naturalmente eufórico com a vitória, discorreu sobre a arbitragem (com o beneplácito dos burros…) e, surpresa das surpresas, afirmou que: «Artur Soares Dias tem todas as condições para chegar ao topo da arbitragem!». Palavras para quê? Não estamos a falar de Pinto da Costa?






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