Ponto Vermelho
Sintomas palpitantes…
11 de Março de 2015
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Quem for apaixonado pelo desporto e pelo futebol e dispuser da oportunidade e sobretudo da paciência para acompanhar as várias vertentes do panorama desportivo na sua real dimensão, constata quase de imediato que na modalidade que desperta as maiores paixões apenas uma parte é jogada nos relvados portugueses. É por isso que começa aí a desvirtuação do desporto-rei através de jogadas congeminadas fora deles (e não nos estamos obviamente a referir às diversas componentes do treino ou das tácticas urdidas pelas equipas técnicas ao longo da semana), que acabam por fazer diferença sem que os adeptos mais desatentos se apercebam.

Dir-se-á que no pós-jogos a maratona de comentários e escalpelizações que os vários órgãos de comunicação social fazem questão de nos impingir com as sempre honrosas excepções que teimam em resistir, trazem para a ribalta alguns desses aspectos que fustigam os adeptos e os transportam, na maior parte das vezes, para uma espécie de realidade virtual que transforma o futebol num fenómeno que está muito longe daquilo que verdadeiramente é a sua essência. Culpa de todos que de uma forma ou de outra acabam por alimentar essa sanha persecutória do bem dizer mal, ao não se demarcarem desses sintomas de cariz popularucho e depressivo que leva, por vezes, a considerar o futebol pelo lado mais obscuro…

A génese da questão, hoje em dia, assenta essencialmente no controlo quase absoluto exercido durante décadas pelo principal dirigente do primeiro clube da Invicta e que, com o evoluir dos tempos, está em risco de ver reduzido de forma substancial. Não é pois fácil ter que aceitar essa realidade que se aproxima com alguma rapidez e naturalidade, pelo que são compreensíveis alguns estertores que indiciam profunda preocupação e natural nervosismo. Um general mesmo com a experiência acumulada ao longo de tantas e tantas batalhas ainda que a maior parte delas sem grande oposição dada a colocação estratégica dos seus exércitos no terreno, perante a actual conjuntura não pode deixar de sentir a sua hegemonia a perigar.

Muito tem sido dito e escrito sobre o reapetrechamento das suas hostes e à introdução de sangue novo e diferente para fazer face a alguma indolência que se foi instalando ao longo dos anos dada a sequência de vitórias. Não parece haver dúvidas sobre as reais potencialidades dos novos recrutas, faltando saber se já estarão preparados para as difíceis batalhas que se avizinham quando elas se aprestam para decidir uma guerra que mais do que decidir o presente, pode influenciar definitivamente o futuro. É face à capital importância das decisões que os tabuleiros se agitam com manobras de toda a ordem sobretudo psicológica com o intuito de desmoralizar o adversário. Um passo em falso e eis que as coisas se podem precipitar sem hipóteses de remissão.

Percebe-se assim o cuidado que tem sido posto em todos os sectores onde pode ser adquirida alguma vantagem que se pode vir a revelar preciosa e nesse particular nenhum caminho tem sido enjeitado, sendo que a combinação do silêncio com a manipulação, pressão ou a algazarra são trunfos que não podem ser descurados. Anda pois muita sensibilidade no ar, ligeiras escaramuças para testar a capacidade de resposta do adversário e a forma mais eloquente de lhe poder causar mossa. É um jogo interessante para os estrategas que se deliciam com essas guerras surdas mas nem sempre frias, mas pouco relevante para a maioria dos amantes do futebol que dão óbvia primazia ao jogo disputado dentro do campo. Contudo, uma vez que o outro jogo existe, seria porventura suicídio ignorá-lo como alguns bem intencionados mas ingénuos defendem.

À medida que a contagem decrescente avança vão-se notando aqui e ali movimentações que denunciam esse estado de nervosismo que impera em muitas cabeças. Por mais habituação e rotinas que tenham criado os longos tempos de absoluto domínio e controle, nunca como agora a ameaça da quebra desse domínio foi tão real e verdadeira. Natural portanto, todo o tipo de inquietações geradas no universo azul e branco que está a envidar todos os esforços e a mobilizar todos os meios para obstar à consumação de um facto tido como impensável ainda não há muito tempo. Este campeonato tem, sem a menor dúvida, uma importância acrescida não só para quem o irá ganhar mas sobretudo para quem o irá perder. Daí a extrema importância de que se reveste a vitória final que a 10 jornadas do seu término pende para o lado do Benfica mas a aguardar o veredicto final. A expectativa cresce e todos os jogos são como finais em que vacilar pode ser fatal. Os benfiquistas acreditam como se tem vindo a constatar a cada jornada, mas é imprescindível que não abrandem a vigilância sobre todos os factores que possam surgir no outro campo








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