Ponto Vermelho
‘Upgrade’ de um candidato a candidato…
14 de Março de 2015
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1. Os tempos em que Braga era a capital benfiquista do Minho, por mais que custe a muitos adeptos e simpatizantes benfiquistas que viveram esse (longo) período, já estão muito distantes da realidade. Várias foram as causas que contribuiram para que esse estado de coisas se alterasse, mas é inegável que a subida ao poder do empresário António Salvador contribuiu de forma decisiva para que de modo crescente fosse nascendo um sentimento anti-benfiquista na bela cidade minhota. As coisas são o que são e quanto mais depressa assimilarmos a nova realidade mais rapidamente estaremos em condição de criar os antídotos necessários.

2. É compreensível o desejo e a intenção de Salvador em fazer do SC Braga um clube maior e melhor. Mas é preciso analisar todas as vertentes que levaram à satisfação (parcial) desse seu objectivo legítimo, e aí, vários considerandos poderão ser feitos à luz das realidades que estiveram na sua génese. A proximidade com Luís Filipe Vieira motivada segundo transparece por questões de estratégia empresarial tendo em consideração que ambos estão inseridos no mesmo ramo de negócio ainda que em relação ao Benfica com ramificações mais antigas (por exemplo o projecto abortado do Centro de Estágio do Seixal no tempo de Vale e Azevedo que acabou por ter consequências desastrosas), fez com que Salvador fosse olhado com alguma benevolência.

3. Nele observava-se o empreendedor entusiasta que perseguia o objectivo de tornar o SC Braga num clube moderno e desenvolvido dentro das regras da sã convivência e da verdade desportiva. Nem mesmo o facto de ser adepto confesso do FC Porto e alimentar a ambição (remota ou não ver-se-á daqui a uns anos) de vir num qualquer futuro a presidir ao clube da Invicta, despertou até certa altura dúvidas ou suspeitas na grande maioria dos benfiquistas cônscios de que vir a existir mais um clube a quem os ligava elos de simpatia a tentar rivalizar na luta por um lugar no pódio era não só benéfico, mas positivo para o futebol português.

4. Mas, enquadrado nessa intenção de fazer crescer o clube bracarense e alcandorá-lo a outros patamares mais competitivos, o objectivo de Salvador englobava também uma estratégia importada e habilmente arquitectada que foi sendo construída e testada nas últimas épocas ao ponto dos encontros com o Benfica, sobretudo na Pedreira, atingirem pontos de confrontação inimagináveis até então. Segundo a nova cartilha arsenalista, o Benfica passou a ser o inimigo a abater com toda uma panóplia de truques e provocações baratas que invadiram gradualmente o espírito dos adeptos bracarenses. Dados os contornos, como não poderia deixar de ser, o FC Porto passou a ser benquisto e na maior parte das situações como por exemplo na última, nem sequer faltou a passadeira aos ilustres visitantes estendida com pompa e circunstância. Se não foi, pelo menos pareceu...

5. Como é evidente, dentro do campo os jogadores da casa passaram a disputar os jogos com o Benfica como se fossem os últimos da carreira, contrastando com o estranho torpor que os invadia sempre que defrontavam o vizinho mais a sul. Nessa estratégia de valores crescentes, não faltaram arbitragens a condizer como a expulsão fantasma de Óscar Cardozo no túnel ou a de Javi Garcia sobre o artista de variedades Alan. Ou o pénalti-fantasma que o inefável Proença (não) viu cometido por Emerson. Já sem falar na organização braguista em que o Benfica passou a adversário incógnito, o desfilar de músicas provocatórias ou o atirar das célebres bolas de golfe, tudo manifestações aprendidas na famosa escola de 30 anos das Antas e transferida para o Dragão. De Salvador como máximo responsável, nem um piu…

6. Voltaram os acasos do sorteio do campeonato a determinar a sequência de jogos do SC Braga com o FC Porto e o Benfica. Do jogo da última jornada já quase tudo foi dito mas convém sublinhar a estranha passividade bracarense perante um FC Porto demolidor como alguns mais entusiastas e outros coniventes se apressaram a justificar. Dos responsáveis a começar pelo irritável Sérgio Conceição ele próprio conhecedor dos meandros portistas, apenas explicações calmas e pausadas, sendo que a tentativa esboçada de um débil protesto sobre o pénalti apenas terá acontecido para salvar a face e acalmar as hostes bracarenses.

7. Não se esperavam, face à conjuntura, declarações presidenciais. Mas elas aconteceram e quando a lógica e o decoro impunham uma afirmação reprovatória sobre o lance que impediu os bracarenses de eventualmente poderem chegar ao empate, eis que Salvador se saiu com a pérola de que temos que fazer tudo para ganhar ao Benfica… Se porventura fôssemos adeptos bracarenses independentemente do segundo (ou primeiro?) clube de Salvador ser o FC Porto, interrogar-nos-íamos seguramente sobre a condição em que o seu presidente falou, não excluindo a probabilidade quiçá forte, de o ter feito como portista… É com todo este passado da era Salvador e alguns tiros próprios nos pés que o actual SC Braga se apresenta (motivadíssimo) na Luz, competindo ao Benfica dar-lhe a resposta condizente dentro das quatro linhas, esperando que não hajam factores aleatórios como aconteceu para a Taça de Portugal. Que assim seja!






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