Ponto Vermelho
Miguel Sousa Tavares:
Um exemplo (péssimo) a não seguir … Parte I

16 de Março de 2015
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Por EagleView

"Eu não sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.
"
António Aleixo

A liberdade de expressão uma das grandes conquistas de um Abril já longínquo veio permitir todo o tipo de opiniões. A questão que sempre se coloca é a expressão que as mesmas alcançam, sabido que a esmagadora maioria nunca consegue ultrapassar o limiar do anonimato, por mais eloquentes que sejam. Nos últimos tempos o advento e o crescimento exponencial das redes sociais vieram dar voz a quem não a tinha, ainda que aquele pressuposto restrictivo se mantenha.

Como seria expectável, a situação tornou-se viral e ao mesmo tempo que permitiu que alguns exprimissem as suas ideias de forma livre e ponderada porque têm sabido respeitar de alguma forma os limites que a própria liberdade de expressão concede, outros (muitos) ultrapassam largamente essa barreira, situando-se quase sempre do outro lado da barricada, ou seja do disparate congénito, do insulto gratuito ou da ofensa desbragada. Mas não é desses (apesar do generoso espaço que em muitos casos os media lhe concedem) que quero falar, mas antes dos encartados que por mais disparates que digam ou escrevam ou por mais fanatismo ou dogmatismo que manifestem nas suas ideias, continuam a ser benquistos nos veículos informativos que lhes dão guarida. O multifacetado Miguel Sousa Tavares (MST) é um desses exemplos.

Estando sempre actual, recordo por isso algumas das ideias que já tive ensejo de transmitir sobre tão insigne personagem que não dá mostras de abrandar, na linha do que o presidente do seu clube do coração foi debitando ao longo dos tempos. Observem, a título ilustrativo, este texto escrito por MST: «Vive na net e a coberto do anonimato, uma multidão de seres doentios, cobardes, transtornados pela raiva e que, a salvo de qualquer consequência, dão largas aos seus instintos de autênticos animais. Qualquer tentativa de os identificar, para efeitos processuais, junto dos servidores americanos, encontra fatalmente a oposição das autoridades judiciais dos Estados Unidos, invocando a hipócrita razão da liberdade de pensamento. Como se a liberdade se confundisse com o direito ao insulto e à calúnia, sem riscos de consequências!» - Miguel Sousa Tavares, 'in' jornal A Bola, 15 de Fevereiro de 2011.

Ora aqui está à vista de todos a verdadeira cara da anti-democracia, da intolerância, da vontade de calar as vozes que se ouvem na blogoesfera, na senda dos Mubaraks e dos Kaddafis deste mundo. Tentam por todos os meios silenciar as vozes dissonantes ou que por esta ou aquela razão não lhe agradam, na linha do que os ditadores costumam seguir sem hesitação. Nessa esfera de raciocínio e de actuação, o aludido personagem conseguiu fechar o blogue "Freedom To Copy". E o que publicava esse blogue? Nada mais nada menos do que a canalhice de um 'original' escritor que sem qualquer tipo de escrúpulos copiou nacos inteiros de um livro chamado "Freedom At Midnight", para os encaixar à força num escarro literário chamado "Equador", título também ele copiado de outro livro (Erin L. Foley)… Mas não deixamos morrer David Croquete nem David Rissol nem a mensagem que nos trouxe um dia o "Freedom to Copy". E porque soubemos guardar a mensagem final desse grande blogue, ela aqui fica para desmanchar bem o carácter de MST…

Refira-se a propósito que os autores do blogue tentaram, em devido tempo, que essas comparações entre "Freedom at Midnight" e "Equador" fossem publicadas num jornal de reputada seriedade e expressão. Debalde. A discussão sobre a matéria não foi permitida. Porquê? Porque MST sabe tirar partido do seu mediatismo. Nenhum jornalista o questionou ou tentou contactar, idem a editora de Lapierre e Collins para ouvir a sua posição, nem nenhum jornalista se deu ao trabalho de comparar as duas obras com um mínimo de rigor e seriedade, não caindo na tentação de querer defender o autor de "Equador" a todo o custo. MST sempre teve o espaço que quis para continuar a escapulir-se e para soltar os seus palavrões com voz gutural e ameaças. Até conseguiu que, o então solícito "24 Horas" lhe escrevesse um panegírico. Valeu o "bardamerda" e as "pauladas".

Só na TVI manteve o silêncio. Seria certamente confrangedor confrontá-lo, em directo, perante todo o país, com o seu pecadilho. É para isso que servem os amigos. Para as horas más. Muito curioso e sintomático vindo de quem acusa os autores do blogue de cobardia. Mesmo muito curioso... Há, no entanto, uma pergunta à qual MST nunca respondeu nem irá responder: por que é que transcreveu parágrafos inteiros de um livro? E já agora, qual a opinião que tem sobre os escritores que o fazem? O blogue cumpriu a sua missão, demonstrando cabalmente as semelhanças entre os dois livros, publicando parágrafos idênticos, permitindo a todos os que a ele acederam tirar as suas conclusões.

MST mandou "bardamerda" e ameaçou com "pauladas". Mas não explicou. Nem irá explicar, quanto fará guerra à blogosfera. Boa sorte! Os parágrafos publicados no blogue foram um mero exemplo elucidativo. Mas há mais... As semelhanças entre os dois livros são evidentes para qualquer espírito lúcido. Mas MST não se limitou a ir buscar inspiração a Lapierre e Collins. Outros mereceram a sua atenção. Faz imenso ruído e isso impede a análise. Enreda-se em bravatas e distrai aqueles que lhe acham graça. Copiou parágrafos inteiros de um livro e não é capaz de o reconhecer, por mais que as evidências o exibam. Reduz tudo às interjeições atrás referidas, demonstrando uma fina e requintada classe…

Um caso de flagrante plágio ou será antes roubo? "Luís Bernardo Valença, instalado confortavelmente num assento de uma carruagem de 1ª Classe, recosta-se e observa a paisagem alentejana ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Lisboa e foi chamado a Vila Viçosa, ao palácio real, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de Governador de S. Tomé." (Equador) - "Louis Francis Mountbatten, instalado confortavelmente no assento de um automóvel, recosta-se e observa a paisagem londrina ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Zurique e foi chamado a Downing Street, residência do Primeiro-Ministro, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de último Vice-Rei da Índia. Ambos são jovens bem parecidos com ambições e consideram absurdas as propostas que lhes são apresentadas." (Freedom at Midnight)

A ssim se iniciam os livros "Equador", de MST, e "Freedom at Midnight", de Dominique Lapierre e Larry Collins. MST, na bibliografia publicada nas últimas páginas notifica a consulta de La Pierre, Dominique e Collins, Larry – «Cette nuit la liberté», Éditions Robert Laffont, Paris 1975. As parecenças poderiam ficar por aqui. Mas não ficam. Quem lê a forma como os livros se desenvolvem nota a olho nu variadíssimos pontos comuns. Não só de construção como até de linguagem. Uma observação mais atenta dá-nos conta de que há parágrafos inteiros que foram pura e simplesmente traduzidos, quase ao pormenor. Outros tiveram uns pequeninos toques: ligeiras alterações de nomes ou de números. (…)


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