Ponto Vermelho
Evitar o amolecimento
27 de Janeiro de 2013
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Não constituía segredo para ninguém que o encontro ontem disputado no Estádio Axa em Braga atraía muitos olhares e esperanças... ainda que de sinal contraditório. Os benfiquistas na convicção de que seria possível vencer para manterem inalterável a chama de continuarem a lutar pelo 1º lugar no campeonato e pela razão inversa, os adversários e os anti-benfiquistas convictos apostavam claramente na derrota encarnada, como aliás até alguns ditos independentes fizeram questão de o afirmar. Nada de anormal portanto. As crónicas e as opiniões já foram expendidas e será de prever que ainda muitos colunistas semanais se debrucem sobre o tema com as opiniões mais díspares. Tudo afinal condizente com aquilo que se espera que aconteça no futebol português e em todas as suas envolventes.

Já no decorrer do clássico da Luz várias vozes se levantaram indignadas pelo facto de o jogo não ter sido apitado por… Pedro Proença depois do esforço e trabalho que deu adiar o Vitória de Setúbal-FC Porto. Na ocasião surgiu um pré-internacional que a despeito da azia portista e seus apaniguados, teve a coragem de aplicar um critério único que por isso mesmo terá eventualmente beneficiado e prejudicado ambas as equipas. Seguiu-se o Moreirense-Benfica com o internacional João Capela de quem havia más memórias anteriores, mas apesar da eventual sonegação de um penalty ao Benfica, novamente observámos uma arbitragem com critério. Próxima paragem – Coimbra - com Jorge Sousa e de novo uma arbitragem a merecer poucos reparos.

O assunto entrou em banho-maria, mesmo depois da insistência do treinador azul e branco que por instruções da estrutura e depois dos bloqueios da época passada, veio repisar a história dos cartões por exibir a jogadores encarnados em particular Matic que escapou ao castigo pior. Presumimos que tenha ficado feliz pelo facto do jogador sérvio ter sido já contemplado e não alinhar na próxima partida, embora admitamos que deva ter pensado para os seus botões que este castigo chegou tarde… Por mais que se domine ou por mais que se controle, nunca se pode ter tudo como desejaria cada um de nós. Finalmente, ontem tivémos mais uma arbitragem fora do núcleo duro que se pautou por critérios uniformes, não havendo grande margem para críticas para além da tradicional vozearia que anima algumas tertúlias cujo denominador comum é nunca estarem de acordo com coisa nenhuma.

Deste conjunto de partidas com diferentes graus de complexidade, ressalta que tem havido arbitragens equilibradas com utilização de critérios coerentes e, quando assim é, até os erros parecem erros e são mais facilmente compreendidos, porque a eles não está subjacente o critério de desconfiança e suspeita dos adeptos e simpatizantes quando analisam os lances. O que revela que os árbitros portugueses e neste caso concreto de juízes que estão mais afastados das luzes da ribalta do que as vedetas que agora têm feito furor, são capazes de fazer mais e melhor. A questão que se tem eternizado é a razão porque nem sempre o fazem. E a resposta mais assertiva direcciona-nos inevitavelmente num determinado sentido que tem a ver com um conjunto de razões que muitos de nós conhecemos ainda que não na sua plenitude, e que o recente trabalho de investigação do jornalista Carlos Rias do diário 'A Bola' voltou a pôr a nu sem apelo nem agravo.

Numa altura em que o campeonato está ao rubro entre os comandantes e decorridas que são já 16 jornadas, temos estado a desfrutar nos últimos tempos de alguns momentos de uma estranha acalmia que não são habituais, pesem embora as tentativas de quebrar a monotonia nas arbitragens. Sabemos no entanto que tudo isto é volátil e ilusório e de um momento para o outro tudo se pode transformar pois esse tem sido o principal expediente adoptado pelo Sistema durante todos estes anos para fazer valer os seus princípios anti-éticos e anti-verdade desportiva. O facto de cada vez mais a opinião pública e os adeptos e simpatizantes benfiquistas saberem isso tem aconselhado a uma maior prudência na aplicação do método, esperando pois o momento propício para o aplicar. A menos que o Benfica venha a ter algum deslize comprometedor que evite o trabalhinho.

Com efeito, o envolvimento do Benfica nas várias provas não irá deixar de causar algum desgaste. E as quebras que por vezes têm ocorrido nas segundas metades de cada época é mais um factor de esperança para os adversários, nomeadamente do nosso competidor mais directo que com o habitual sortilégio do calendário e a sua eliminação da Taça de Portugal está com uma tarefa menos desgastante e mais simplificada. Sendo que em alta competição quando se verifica uma disputa taco a taco todos os pormenores têm importância pois a resolução final pode vir a ser decidida com base em detalhes, toda a atenção e concentração da estrutura e de todos nós são primordiais para fazer face a esse previsível cenário. Logo todo o cuidado é pouco.








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