Ponto Vermelho
Miguel Sousa Tavares: Um exemplo (péssimo) a não seguir… Parte IV
26 de Março de 2015
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Por EagleView

Uma pessoa tão controversa como MST teria fatalmente que gerar opiniões muito desencontradas. Olhemos, por exemplo, para uma (algo violenta) publicada por Carlos Miguel Silva (Gwaihir): «Podia, podia perfeitamente, vir aqui mais uma vez desmascarar – e é tão fácil – mais uma croniqueta hipócrita, mentirosa e ofensivamente mal escrita daquele moço que tem a fama (justa ou injusta) de plagiar escritores para vomitar os seus livrecos.

Podia confrontar o mentiroso (quem mente sistematicamente, desculpem é mentiroso, - desculpem isto é mesmo assim), e podia vir aqui atirar-lhe à cara que, sendo adepto e defensor convicto de uma agremiação que prosperou desportivamente à custa de um sistema imoral e criminoso construído à base de anos e anos de 'fruta', 'cafés com leite', 'viagens ao Brasil', túneis sem câmaras, sem testemunhas e com Guardas Abéis, viciações de classificações de árbitros e manietação de agentes desportivos e políticos, vir agora, travestido de virgem ofendida e num caso em que a verdade o desmente como um pontapé na boca sem perdão, escrever alarvidades como 'eles jogam nos túneis, nós jogamos no campo' e arrogar-se de arauto impoluto da verdade desportiva é duma hipocrisia que chega a ser verdadeiramente obscena. No fundo, é como a Camorra vir apresentar-se a público, brandindo sem vergonha uma auto-atribuída respeitabilidade, como uma organização que é injustiçada e perseguida sem fundamento pelas autoridades.

Podia ainda, se para lá estivesse inclinado, desmascarar a ética invertebrada e a corrupção moral de quem vive de forma canalha com duas verdades e as molda à sua conveniência para tentar justificar o injustificável e branquear o que é demasiado sujo (MST e as escutas ao primeiro-ministro): 'uma vez reveladas não podem ser ignoradas'; (MST e as escutas a Pinto da Costa): 'uma canalhice que nem ouvirei'. Podia fazer isso tudo. Mas, honestamente, não vale a pena. Já chega. São devaneios patéticos, histéricos e insalubres de quem vê o polvo em risco. Esta personagem decadente já só engana quem ainda quer ser enganado. E esses não me merecem os escritos, porque já não têm salvação. Fica a escrever para o vazio. Que é o que há entre as orelhas de quem ainda é enganado e influenciado pelo que escreve: um gigantesco e sufocante vazio».

Olhemos agora para um artigo do humorista Ricardo Araújo Pereira sob o título de "Vamos contar mentiras"; «Há duas alturas em que uma equipa consegue fazer uma época mítica. Uma é quando os seus jogadores praticam bom futebol, despacham os adversários com goleadas, enchem os estádios. Outra é quando os seus adeptos se entretêm a inventar mitos. Na impossibilidade de verem a sua equipa cumprir os requisitos da primeira, há colunistas que se vêem forçados a optar pela segunda.

É o caso de Miguel Sousa Tavares. A sua última crónica era um soberbo monumento de mistificação. Dizia ele sobre o Benfica: "(n)o último campeonato ganho, o do Trapattoni, (…) nos últimos dez jogos todos os golos dos encarnados aconteceram de 'penalty' e livres inventados ou duvidosos à entrada da área". Ou seja: no ano em que o Porto teve três treinadores, e na mesma época em que obteve o recorde de maior derrota caseira da liga (os célebres 0-4 frente ao Nacional), como conseguiu o Benfica ganhar o campeonato? Como é óbvio, com o auxílio da arbitragem.

De outro modo, não se concebe como teria podido superiorizar-se ao fortíssimo Porto de Del Neri, Fernandez e Couceiro. Não houve presidentes do Benfica a receber árbitros em casa, nem vice-presidentes apanhados a oferecer quinhentinhos, nem viagens pagas ao Brasil — mas foi demasiado evidente que os árbitros beneficiaram o Benfica naqueles 'últimos dez jogos', em que 'todos os golos dos encarnados aconteceram de 'penalty' e livres inventados ou duvidosos à entrada da área'; Só há um pequeníssimo problema. É que isto é mentira (lamento, mas não há outra palavra).

Nos últimos dez jogos desse campeonato, o Benfica jogou, por exemplo, com o Gil Vicente. Ganhou por 2-0, com um golo de Mantorras de bola corrida, a passe de Manuel Fernandes, e outro de Miguel, também de bola corrida, a passe de João Pereira. Depois, jogou com o Setúbal. Voltou a ganhar por 2-0, com um golo de Manuel Fernandes de bola corrida (belo remate de fora da área) e outro de Geovanni, também de bola corrida, na sequência de jogada pela direita. A seguir, jogou com o Marítimo. Ganhou por 4-3, com dois belos golos de Nuno Gomes, ambos de bola corrida (um a passe de Miguel e outro após centro de Geovanni), outro de Mantorras, em lance de (talvez o leitor já tenha adivinhado) bola corrida, e ainda um de Miguel, em remate de fora da área, na sequência de livre de Simão. E ainda jogou com o Estoril. Ganhou por 2-1, com um golo de Mantorras após um canto (não um 'penalty') e outro de Luisão depois de um livre junto à bandeirola (não à entrada da área).

Claro que houve jogos que o Benfica venceu com um golo de 'penalty', como o Benfica-Belenenses, curiosamente na mesma jogada após um canto (não um 'penalty'), e outro de Luisão, depois de um livre junto à bandeirola de canto, curiosamente na mesma jornada em que o Porto ganhou por 1-0 ao Marítimo com um golo de McCarthy em fora-de-jogo. Mas, a menos que "dez jogos" tenham deixado de ser dez jogos, ou que a expressão "todos os golos dos encarnados" tenha deixado de significar "todos os golos dos encarnados", MST inventou um mito. No entanto, o atraso de uma equipa no campeonato é directamente proporcional à capacidade de efabulação dos seus adeptos.

Não se estranha, portanto, que MST tenha prosseguido: "lembro-me bem do 'penalty' decisivo, no último jogo no Bessa, que foi dos mais anedóticos que já vi assinalado". Mais uma vez, é mentira (peço desculpa, mas não há mesmo melhor palavra) que o 'penalty' tenha sido decisivo. O Benfica terminou o campeonato três pontos à frente do Porto. Sem o ponto que aquele 'penalty' garantiu, teria sido campeão na mesma. Resumindo: como o Porto (ainda) não consegue vencer campeonatos estando dois pontos atrás do primeiro classificado, aquele 'penalty' não foi, de todo, decisivo.

Finalmente, a propósito do golo do Braga, diz MST que "entre a saída da bola e o golo decorreram uns trinta ou quarenta segundos em que a bola passou por uns seis jogadores e poderia ter sido umas três vezes definitivamente afastada pelos jogadores do Marítimo antes do belíssimo pontapé fatal de Luís Aguiar". Permitam-me que atalhe para informar que isto é, como dizer?, mentira! Entre a saída da bola e o golo decorreram, não quarenta, não trinta, nem mesmo vinte, mas dez segundos. E a bola passou por dois jogadores do Marítimo que, no meio de sucessivos ressaltos, não conseguiram sequer tirá-la da grande área. A título de exemplo, compare-se com o golo do Benfica ao Porto. Entre o fora-de-jogo de Urreta e o belíssimo pontapé fatal de Saviola decorreram 13 segundos. E a bola é tocada por quatro jogadores do Porto que conseguem afastá-la para bem longe da área. A diferença é que o lance do Braga é uma minudência, mas o do Benfica é uma mancha que ficará para todo o sempre lá.» (…)

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