Ponto Vermelho
Afinal quem é que está mais calmo?
28 de Março de 2015
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«Para quem sabe esperar, tudo vem a tempo»-Clément Marot.

A última jornada do campeonato da 1.ª Liga portuguesa trouxe alguns resultados inesperados. Com efeito, embora não estivesse por completo fora das cogitações de alguns o espatifanço do Benfica e a escorregadela do FC Porto, a verdade é que a grande massa adepta do futebol não esperaria por certo que o Benfica baqueasse em Vila do Conde ou admitisse depois que face ao suplemento vitamínico recebido, que o resultado dos portistas na Choupana se pudesse saldar por um desfecho semelhante ao da última época com o FC Porto a regressar da Pérola do Atlântico sem a integralidade dos pontos. Mesmo existindo sempre a dúvida da imprevisibilidade, passou a não ser expectável a perda de pontos depois do resultado negativo dos encarnados consumada momentos antes.

Provou-se assim mais uma vez se dúvidas ainda existissem, que pese embora os constantes elogios dos media sobre um plantel nunca antes visto em Portugal, os portistas estão, pelo que se observa, ainda longe de possuir aquela equipa e aquele estofo que costuma caracterizar os campeões e que já fez parte do seu ADN depois de terem conseguido atingir a velocidade de cruzeiro conseguida à custa de factores exógenos extra, pois o falhanço registado com tudo a apontar para que tal não sucedesse, só prova que algo mudou para pior no reino portista. E assim sendo, quando mais rapidamente os seus adeptos se habituarem à conjuntura, mais rapidamente interiorizarão a nova realidade e passarão a assumi-la com menos constrangimentos e menor exigência…

Por sua vez os adeptos benfiquistas têm vivido de certo modo na montanha-russa, pois após as fracas expectativas geradas pela pré-época repleta de factos desanimadores, o Benfica ainda que aos solavancos e depois de uma inglória eliminação da Europa e da Taça de Portugal arrancou para performances na Liga que muitos não vislumbravam ao seu alcance, tendo em conta o esforço desmedido portista na recomposição e no reforço do seu plantel mesmo que em manifesto contraciclo com o que aconselhava a paupérrima conjuntura económica-financeira que se vive presentemente.

Ainda que a prudência aconselhe que as contas só se devam fazer no fim, os resultados por banda do FC Porto não são obviamente os esperados pelos seus adeptos. Do lado encarnado é contudo inegável que depois da melhoria da equipa passada a fase mais aguda, os reversos têm acontecido de forma algo inesperada, o que prova que aparte os escolhos que possam suceder a qualquer momento em qualquer campo do país, à equipa ainda falta alguma estabilização para que em terrenos que à partida revelem grau de dificuldade acrescido e sem que tenham sucedido os tais factos anormais por demais conhecidos, equipa técnica e os jogadores na sua globalidade possam reagir da forma mais conveniente ao ponto de resolver as contendas a seu favor. Até porque em complemento, os adeptos têm garantido maiorias e apoio absoluto nos estádios onde os encarnados se têm deslocado.

Não podemos no entanto esquecer que, para além de todas as complicações registadas, o Benfica só muito recentemente conseguiu recuperar fisicamente alguns jogadores com lesões de longa duração que, todavia, ainda procuram o seu melhor ritmo de jogo. E isso, num plantel que sofreu um desbaste acentuado e se apresenta claramente com um nível inferior ao da temporada passada, temos que convir que tem o seu peso em contraponto com o FC Porto que se reapetrechou de forma significativa para esta época. Ainda assim, a carreira da equipa intramuros tem sido mais assertiva do que eventualmente se esperaria, mas o alcançar desse desiderato potencia o desejo do adepto que, conseguido um determinado patamar, de imediato começa a exigir o seguinte. Faz parte da condição humana e do ADN benfiquista.

Com a meta cada vez mais à vista aumenta o nervosismo de quem tem que olhar para cima e multiplicam-se as tentativas de desestabilização do adversário. Os esquemas utilizados são os habituais com os protagonistas a ensaiarem estratégias que melhor julgam servir os interesses do seu clube. É assim que vemos dito e escrito por adeptos portistas (e não só) de que o Benfica está nervoso, tem falta de estofo, só dependem deles próprios, etc, etc, sendo que alguns mais optimistas e atrevidos já pedem para ligar os aspersores… Francamente não vemos, no momento presente, razões para tão decalcado optimismo. Afinal quem vai em 1.º lugar? Quem tem 3 pontos de avanço que em última instância poderão ser 4? Tal só poderá acontecer se o FC Porto tiver uma recta final perfeita e, ao invés, o Benfica entrar em depressão. Não sendo de excluir como é óbvio, alguém com um mínimo de ponderação acredita nisso? Convém no entanto que os benfiquistas não baixem a guarda e persistam sem desvios na luta pelo objectivo, sabendo lidar com mestria com as provocações e tentativas de desestabilização que, nesta fase, aumentarão certamente de tom...








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