Ponto Vermelho
Difícil ser prior...
1 de Abril de 2015
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1. Mesmo depois do fracasso no Mundial do Brasil, recordar-se-ão certamente que após o sorteio da fase de grupos do Euro’2016, mesmo os que por feitio e maneira de ser encaram tudo com pessimismo, acharam que a aventura portuguesa tinha tudo para chegar a bom porto. Por essa altura estava acesa a discussão sobre a renovação da Selecção, não só pelas fraquíssimas prestações em terras de Vera Cruz, mas também porque se perspectivava ausência de alternativas e existia ainda um conjunto de jogadores com provas dadas que se encontrava afastado por razões diversas.

2. O prolongamento do estado de infelicidade do seleccionado luso com a impensável derrota caseira com a Albânia veio atirar mais achas para a fogueira e acabou por precipitar a saída de Paulo Bento que cada vez tinha menos ambiente para prosseguir o seu trabalho. A opção da FPF por Fernando Santos trouxe novos dados para a peleja porquanto o enorme drama passou a ser a sua ausência do banco devido à enormidade dos oito jogos de castigo impostos pela FIFA, um dos trunfos que os muitos santos desta terra se servem para jogar e se fazerem notar, tentando à viva força demonstrar que existem e não são acríticos.

3. É evidente que a escolha de Fernando Santos encerrou em si mesmo um risco. Como afinal tudo na vida. As escolhas têm de ser vistas em função da conjuntura do momento e num mundo ideal não deveriam servir para atacar aqueles de quem não gostamos. Exige-se a qualquer crítico profissional objectividade, isenção e rigor, coisas que normalmente andam arredias de grande parte dos que se dedicam (e usufruem) da situação por estarem mais voltados e interessados na defesa do estado de confusão permanente e de interesses alheios. E assim sendo, como podemos exigir ou acreditar que alguma vez possam ser objectivos?

4. Santos com todos os seus defeitos e virtudes tem sido essencialmente pragmático. Quando foi empossado qual era o objectivo principal imediato? Naturalmente Portugal ser apurado para o Euro. Perante este supremo objectivo valeria a pena estar a perder tempo no entretanto com uma renovação a pedido que sendo importante e necessária, poderia e deveria ser feita com a tranquilidade possível e fora da enorme pressão da infalibilidade que fustiga qualquer equipa que em prova e naquele momento não pode falhar, como era o caso de Portugal depois de mais um mau começo. Não será, à partida e em termos de decisão, a experiência um factor determinante e decisivo e que alberga menos riscos?

5. Portugal para atingir o desiderato pretendido não podia falhar e estava obrigado a ganhar agora, com os elementos disponíveis fossem eles quais fossem. Santos entendeu por bem alargar o leque a todos os elementos porque nesta fase e neste contexto ninguém era demais. Longe de ser uma crítica a Paulo Bento, a sua opção prendeu-se com a realidade e necessidade imediatas, ou seja, dispôr no seu entender dos melhores para uma tarefa em que não podia falhar sob pena de hipotecar em termos definitivos o leque de possibilidades da Selecção portuguesa.

6. Correu um risco como correria sempre se a sua opção fosse outra qualquer. Mas, a nosso ver, face à pressão imediata decidiu da forma mais racional e os resultados têm ajudado. A média de idades da Selecção é elevada? É um facto! Deverá ser encetada a renovação de valores? Sem dúvida! Mas estarão os tão exacerbados críticos e os adeptos que demonstram atenção e interesse e seguem a Selecção dispostos a aceitar os riscos inerentes da possibilidade que nunca pode ser descartada de podermos vir a ter que fazer mais uma travessia no deserto se porventura a transformação for demasiado radical e os novos elementos não corresponderem no imediato ao que deles se espera?

7. A conjuntura económica que afecta os clubes que são obrigados a vender os seus jogadores mais influentes criou uma estranha apatia e até rejeição pela Selecção. Paradoxalmente quando a mesma passou a ser cliente habitual das principais provas do calendário europeu e mundial. Mas começa a estar provado que a Selecção está a atrair a pureza dos adeptos que outrora enxameavam os estádios nacionais através do regresso das famílias que há muito não se revêem no fanatismo e na violência verbal e física que infelizmente preenche os palcos nacionais de provas entre clubes. Em suma, parece estar a ser conseguido o objectivo imediato de vencer e isso, quer queiramos quer não, tinha que ser feito com os valores mais experientes. A renovação tem obviamente que ser encetada e sobre isso parecem não existir dúvidas que estão a despontar valores que nos dão esperança. O que nunca devemos abandonar é o princípio de que Portugal deve jogar sempre com os melhores em cada momento. Tenham eles 20 ou 35 anos…






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