Ponto Vermelho
Miguel Sousa Tavares: Um exemplo (péssimo) a não seguir... Parte VII
7 de Abril de 2015
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Por EagleView

Olhemos agora para os outros aspectos e facetas do multifacetado Miguel Sousa Tavares (MST). Até os actos humanitários reconhecidos internacionalmente e que, pelo menos, tiveram a bondade de chamar a atenção para os problemas existentes, eram todos exibicionistas. Já não se lembra MST da visita aos meninos de Angola que pisaram as minas da guerra e para o alerta que nessa altura foi feito para o problema da desminagem das vias de circulação? Não teve mérito essa acção? Não me lembro, nem sequer me consigo recordar das iniciativas levadas a cabo pelo MST, públicas ou não, de solidariedade e humanidade. Têm sido muitas as oportunidades, com certeza. Meu caro, limite-se a viver a vida na sua impanante atitude burguesa continuada, prossiga com os seus comentários avassaladores sobre a política nacional e escreva um livrinho de vez em quando para alegrar os mais precisados. Não limpe a sua consciência, destratando aqueles que são imperfeitos mas que deram notáveis, generosos e inegáveis exemplos da humanidade e da solidariedade que o Mundo precisa.

Testemunho: Estava na altura em grande e acesa discussão a mudança da população da antiga Aldeia da Luz para a nova aldeia, devido ao enchimento da barragem de Alqueva e não é que a eminência parda de MST se lembrou de criticar a população por estar a exigir isto e aquilo em directo num noticiário televisivo? Só visto… Foi posteriormente convidado pelo Presidente da Junta local para lá ir e conhecer in-loco os problemas dos habitantes ao qual nunca respondeu! Sei que existe um passa-palavra para que, no caso de à posteriori ele se lembrar de lá passar assim tipo incógnito, se alguém o "micar" só tem que avisar a rapaziada…

MST e o tabaco. Sabe-se que é um fumador inveterado um direito que naturalmente lhe assiste. «Na TVI estava MST a comentar então a nova Lei do Tabaco quando da sua boca, inesperadamente, saltou esta pérola: "o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio". Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a suprema fineza do seu raciocínio, MST avançou para uma confissão pessoal: "Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos". Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.

Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que MST considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.

O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, MST produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.» – Testemunho do jornalista João Miguel Tavares.










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