Ponto Vermelho
Os surrealismos do futebol português
9 de Abril de 2015
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1. Quando, e se alguma vez, o futebol português não vier a atravessar situações anómalas que infelizmente se tornaram há muito normais aos olhos dos amantes e observadores do desporto-rei, será sinónimo de que algo se alterou de muito significativo e finalmente, estamos a caminhar para a normalidade daquilo que deverá ser a organização do futebol luso. Contudo, pelos indícios que continuam a florescer, a forte convicção é a de que ainda estaremos longe desse desígnio. Mesmo muito longe. Mas desistir não é a opção mais conveniente mesmo sabendo as tremendas dificuldades dessa cruzada sem prazo determinado e sem fim à vista.

2. Prossegue por isso, em bom ritmo, o descasque e a avaliação dos factos considerados como mais mediáticos e perniciosos , sendo que nesse capítulo não há mãos a medir. O menu apresenta para escolha um leque de opções variado e, por isso mesmo, permite escolhas que porventura poderiam ser para alguns inimagináveis. Sem cairmos em optimismos descabidos ou em pessimismos exagerados que surgem sempre nestes momentos, se não vivemos no melhor dos mundos é também óbvio que estamos longe de se poder considerar que está tudo mal. Uma pitada optimista vem mesmo a calhar nestas alturas de sobressaltos colectivos e constantes.

3. Chegou finalmente à barra do tribunal o caso de Paulo Pereira Cristóvão que se arrastava há já bastante tempo mas que ninguém pode estranhar face à morosidade de actuação do nosso sistema judicial. É uma questão transversal que envergonha não só o Sporting mas todo o edifício do nosso futebol. Não se trata de atirar simplesmente pedras para o quintal do vizinho, mas tão somente reconhecer que basta o simples facto de existirem Homens para que possa haver todo o tipo de situações por mais inverosímeis que possam parecer aos olhos do cidadão normal. Todos, cada um à sua maneira já beberam do mesmo cálice, restando agora apurar a veracidade dos factos apurados sem cair na tentação de proceder a julgamentos precipitados. O seu a seu tempo que, assim o esperamos, está para breve.

4. Mas uma coisa já é, todavia, certa. Devido ao mediatismo do processo e a exemplo de outros, a opinião pública já deu o seu veredicto e o Sporting que fazia por ostentar o grau de campeão das não citações nestas conspurcações futeboleiras, assinou irrevogavelmente a folha de presenças no livro preto. Aparte a decisão que vier a ser tomada pelos tribunais relativamente a este caso demasiado grave para ser ignorado, tendo em conta pormenores que foram divulgados e que revelam aspectos pidescos que alguns julgavam terem sido banidos de modo definitivo de uma sociedade que se assume como democrática. Os benfiquistas não se esquecem de que foi esta mesma personagem que transmitiu força e sequência morais e materiais ao incêndio da Luz…

5. Neste patamar nebuloso, falta agora desvender o outro episódio a aguardar julgamento – o assalto à Sede da Federação – e que pelos contornos e pormenores curiosos que vieram a público aguçaram a curiosidade dos adeptos do futebol que, mais do que nunca e até provas em contrário, continuam convencidos de que não se tratou de uma simples pirataria informática mas antes um roubo selectivo, a mando de alguém, com intuitos bem claros. É por isso que continuamos à espera que os tribunais agendem o julgamento do processo, de preferência sem fazerem concorrência à incrível demora da investigação que com os dados ao seu dispôr nomeadamente a identificação do presumível culpado, demorou uma eternidade até proceder à sua detenção. Um mistério que provavelmente ainda estará para durar…

6. As habituais tentativas de desestabilização têm crescido à medida que o campeonato se aproxima do fim. A importância de que se reveste o título de campeão torna as pessoas nervosas e instáveis, ainda que as circunstâncias possam parecer diferentes. O FC Porto porque investiu demasiado e está a trabalhar sem rede protectora para tão grande investimento arriscando-se pela primeira vez na era trintona de Pinto da Costa a não ganhar nenhum título; o Benfica porque depois de ter feito o mais difícil não quer morrer na praia; e, finalmente, o Sporting que após um intenso folclore do seu presidente corre, também, o risco de marcar passo.

7. Numa outra vertente, quiçá inesperada, surgiu repentinamente a revolta dos homens do apito. Enquanto a acção decorre e se apura a real veracidade dos factos e se tenta a via do diálogo, é inegável que por mais razões que eventualmente lhes assistam (e isso está ainda longe de ser um dado adquirido), não fica nada bem esta acção de chantagem dos árbitros sob a capa de pedidos de dispensa justamente a partir da jornada que, por coincidência, alberga o Benfica-FC Porto. Os adeptos, com sempre, têm que aturar estas divagações. Haja paciência…






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