Ponto Vermelho
Anime-se a ‘malta’…
19 de Abril de 2015
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1. No rescaldo de mais uma jornada europeia que à revelia das vozes pessimistas que inundam a nossa praça futebolística trouxe, esquecendo por momentos a habitual postura de egoísmo e fanatismo que é cultivada por cá, motivos de alegria para o nosso futebol e porque não dizê-lo, para o Portugal da populaça que cultiva a realidade do que é verdadeiramente um país, somos confrontados com a também corrente prática do exagero em que navega boa parte da opinião, que na prática está confinada a dois polos opostos – o excepcional (se positivo) e o péssimo (que por norma ganha com grande vantagem) dado que os motivos para alegria são, infelizmente, mais escassos. O grau intermédio é quase sempre relegado para as calendas.

2. Como vulgarmente acontece, não cremos que a conjuntura tenha sido correctamente avaliada, sem prejuízo das situações que catapultam a disciplina futebol para um estádio de improviso e de exaltação, de pundonor e de mérito, que contribuem para as ditas surpresas. E, já agora em terreno mais firme, da sobranceria, do menozprezo por um lado, e da perspicácia, do mérito, e do aproveitamento das debilidades momentâneas do conjunto reconhecimente mais forte e apetrechado por outro. Saber jogar com os dados favoráveis do momento aparte as variáveis inesperadas e circunstanciais é, em si mesmo, um crédito que não pode deixar de ser atribuído seja qual for o clube. Mesmo que na circunstância seja o nosso principal adversário que se limitou a aproveitar a conjuntura favorável. E isso é ser perspicaz!

3. Enquanto a frieza do resultado abre caminho a todo um mundo de esperanças azuis e brancas e pode vir a reforçar a sua componente psicológica, somos remetidos para a realidade interna do momento. E essa, quer queiramos quer não, é bem real e sublinha uma maior ou menor regularidade numa prova de maratona. Tem-se dito e redito que o plantel portista é o mais apetrechado nas várias componentes, mas até ao momento isso não tem feito a diferença para o Benfica que está comprovadamente mais desfalcado em relação à temporada anterior. É um facto que gera consenso mas isso, esquecendo a Europa com a qual parece estar a haver um conflito latente, não se tem traduzido nos resultados e mais remotamente nas exibições. Os encarnados, mesmo com esse handicap, apesar de alguns percalços que poderiam e deveriam ter sido evitados, têm sabido gerir com mestria essa aparente debilidade.

4. Com o fim a aproximar-se velozmente, todas as jornadas assumem particular relevância porquanto falhar nestes momentos pode ser o princípio da derrocada bem à vista da meta. Tem sido assumido que todos os jogos, ainda que aparentem menor dificuldade teórica são relevantes e assumem carácter prioritário e inadiável antes daquele que é tido como o tira-teimas na discussão sobre o título. Isso mesmo têm sentido os adeptos benfiquistas que têm correspondido ao apelo e importância do momento, contribuindo com a sua presença e o seu apoio vibrante para a onda de optimismo moderado que invade a grande massa benfiquista, desde a estrutura, equipa técnica e jogadores que aliás, têm reconhecido isso com insistência.

5. O Restelo, dadas as tradicionais dificuldades que habitualmente enfrentamos, era tido como mais um jogo de carácter decisivo, pois um resultado que não fosse a vitória poderia causar danos quiçá irreversíveis do ponto de vista pontual e emocional antes do jogo do ano que é suposto abrir a janela da clarificação do título, estando cientes que tudo tem que ser conquistado com esforço e com convicção. Como não poderia deixar de acontecer, voltou a ser relançada a velha questão dos jogadores emprestados que, curiosamente ou talvez não, é empolada a níveis impensáveis sempre que em causa está o Benfica.

6. Com a inevitabilidade da questão ser chamada à colação e contrariamente ao seu antecessor no cargo que em vez de esclarecer adensou ainda mais a suspeição, o actual treinador do Belenenses foi frontal, simples, preciso e conciso. Enquanto a legislação adequada não estiver disponível (e isso tem que passar obrigatoriamente pela proibição dos jogadores emprestados ou com quaisquer outros interesses poderem jogar frente à casa-mãe, vamos tendo estes fait-divers bem à portuguesa que só demonstram a pobreza de espírito e o fanatismo de que muitos dão mostras. Porque, no vazio das circunstâncias actuais, é sempre preferível e mais honesto as coisas serem mais taxativas do que recorrer a expedientes que passam por lesões-súbitas, gastroentrites ou más disposições nas vésperas dos jogos…

P.S. – A equipa de Hóquei em Patins do Benfica acabou de conquistar o seu 22.º Título Nacional. Festa e parabéns merecidos para todos os que para ele contribuiram!








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