Ponto Vermelho
Espantos...
29 de Janeiro de 2013
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Nos últimos dias têm-se multiplicado as reacções de espanto de vários quadrantes perante uma alegada falha da infalível organização portista ao permitir que na equipa que entrou em campo para disputar um dos jogos da Taça da Liga contra o V. Setúbal alinhassem 3 jogadores da equipa B que tinham actuado nesta equipa menos de 72 horas de harmonia com o que se encontra estipulado nos regulamentos da prova. Mais; terá sido apenas por escassos 15 minutos que a infracção ocorreu. De assinalar que o FC Porto estava no primeiro lugar do respectivo grupo e já apurado para a final dado que se perspectivava um passeio com o Rio Ave no Dragão para as meias-finais.

De facto, é indesmentível que a máquina azul e branca sempre esteve formatada para as golpadas que já duram há décadas, mas neste particular não se deve sequer ter preocupado habituada que está quando falha, a que ninguém repare em eventuais falhas regulamentares. São conhecidas as situações em que deliberadamente ou por omissão isso se verificou sem que daí resultassem males maiores. Só que desta vez e porque estavam próximos antecedentes do mesmo género (Braga B-Belenenses) para já não falar do Marítimo-Sporting, os serviços da Liga ou algum denunciante acabaram por precipitar as coisas que saltaram de imediato para o conhecimento da opinião pública.

Enquanto que os analistas fora da órbita portista apressaram-se a expressar a sua admiração pela impensável distracção, os apoiantes azuis e brancos para não variar, vieram meter o Benfica ao barulho. Por exemplo Miguel Sousa Tavares: «(…) Tem sido evidente o júbilo com que os comentadores benfiquistas se apoderaram do assunto para nele verem uma prova de que, afinal, a tão falada organização profissional do FC Porto não é assim tão profissional. E há até quem veja mais longe: num programa televisivo, perguntava-se aos espectadores, por telefone, se o erro não teria sido mesmo voluntariamente cometido pelo FC Porto – presume-se que para escapar, via secretaria, ao previsível confronto com o Benfica na final da Taça da Liga. Está assim definido o crime: suicídio; encontrado o criminoso: o suicida; e desvendado o móbil: o medo de viver (…)».

Francamente não vislumbramos razões objectivas para este tipo de arengadas. Nem para um alegado júbilo dos benfiquistas. Em primeiro lugar porque, se aparentemente é vantajoso o facto do FC Porto ficar de fora da competição, tal não resulta de um não apuramento no terreno de jogo mas sim fora dele. Em segundo, porque graças aos sorteios sempre vantajosos que o Benfica tem tido nos últimos anos, o facto do adversário ser de novo o SC Braga no campo deste, indicia dificuldades acentuadas e apesar da natural crença na ultrapassagem deste difícil obstáculo, não é líquido, em antecipação, afirmar que sejam os encarnados os apurados para a final. E finalmente, em terceiro lugar, porque na única final que reuniu Benfica e FC Porto (então comandado pelo treinador dos treinadores por quem agora dobram os sinos de alguns jornalistas da nossa praça e que na altura se queixou da distância da final), o resultado foi uma concludente vitória dos encarnados.

Embora seja dos livros que o hábito faz o monge e hajam muitos a desconfiar, não vamos obviamente alinhar nessa paranóia. Estamos convictos que aconteceu mesmo o lapso, embora a organização do FC Porto esteja habituada a ultrapassar essas minudências sem qualquer problema de maior. O passado confirma-nos isso. O único problema grave para o FC Porto como sério candidato à vitória final na prova, se tal não tivesse acontecido ou caso a eliminação não venha a ser confirmada, seria, no caso de vir a conquistar a Taça da Liga, de repente ter de lhe atribuir uma relevância que nunca esteve nos seus princípios como bem se sabe, derivada do facto de, finalmente, ter conseguido vencer uma competição que, quer queiram quer não, é uma prova de regularidade e não o habitual joguinho de princípio de época que aprecia fazer da Supertaça (com o máximo respeito pelo enorme e saudoso desportista que lhe dá o nome).

Acreditamos, por outro lado, que um dos factores que está em questão é a contabilidade dos títulos que os fanáticos das percentagens e das estatísticas alimentam e que os portistas cultivam na ânsia desmedida de se equipararem ao Benfica. Como se o tal joguinho a que aludimos pudesse servir de comparação com os títulos que derivam de provas de regularidade (Campeonato, Ligas Europeias, Taça de Portugal e Taça da Liga). Porque, como se sabe, a relevância obtida por qualquer dos intervenientes ao estarem presentes na final da Supertaça, chega do facto de qualquer dos clubes ter tido destaque nas duas principais provas domésticas na época finda.

P.S. Embora completamente fora dos meandros, não deixa de nos causar alguma perplexidade o facto de aquilo de que os portistas hipocritamente se queixam nos últimos tempos com insistência - dois pesos e duas medidas - estar a ser a curiosamente a si aplicado. Se não vejamos; o caso (similar) do Braga B-Belenenses foi resolvido em escassas 48 h (Uhau!...). Então porque razão o caso FC Porto demora tanto? Será que estão a confirmar se todos os relógios estavam certos?








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