Ponto Vermelho
Concentremo-nos no próximo jogo!
29 de Abril de 2015
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Após um clássico catalogado de morno e sem motivos de interesse para o que alguns ansiavam, sem a panóplia de fait-divers que costumam animar a imprensa e as tertúlias, havia que encontrar temas de conversa suficientemente motivadores que entretessem os adeptos. Não fazia sentido que depois de meses e meses a insistir no carácter decisório do jogo da Luz (que acabou por ficar adiado), a coisa ficasse insípida e sem a especulação ou a criação dos factos da ordem. É uma questão de prática e princípio que faz com que essas promoções tenham os seus efeitos, mais que não seja com aspectos irrelevantes que têm sempre atenção garantida e asseguram que o eco se vai prolongar no rescaldo.

Estamos plenamente de acordo com quem afirmou que o clássico esteve longe de corresponder às expectativas criadas para um jogo que, alegadamente, era o jogo do título. Não o foi, porque se é certo que beneficiou mais o Benfica, a vitória final mantem-se incerta apesar da lógica e das circunstâncias apontarem para o reforço do favoritismo encarnado. Não o dizemos por nos acudiram à memória situações análogas anteriores, mas porque a vivência e a prudência aconselham a que, enquanto as possibilidades reais subsistirem, os benfiquistas devem manter-se prudentes e sem qualquer euforia, sem que isso queira significar acreditar menos nas possibilidades da equipa atingir o seu objectivo final. É que o factor aleatório do futebol jamais deverá ser menosprezado.

Não concordamos de todo com a pretensa falta de competitividade que alguns afirmaram ter acontecido olhando para a categoria das equipas, pois se existiu algum factor de negação esse resultou do receio que obrigou à estratégia de contenção dos dois treinadores. Estavam demasiadas coisas em jogo para que o desafio decorresse fora das férreas amarras tácticas, ainda que se porventura tivesse acontecido um golo numa das balizas poderia ter transformado por completo as características do jogo porque obrigaria a equipa que o tinha sofrido a tentar alcançar outro resultado. Mas é inegável que a estratégia conservadora definida pelos treinadores foi claramente mais difícil de compreender do lado do FC Porto onde, à partida, apenas a vitória lhe concedia alento e esperança.

Apesar de tudo isso não temos a menor dúvida que terá sido um dos jogos mais exigentes e desgastantes (física e mentalmente) para os jogadores. A rigidez táctica que implicou suprema atenção e pressão sempre que a bola era perdida por uma equipa, obrigou a desdobramentos sistemáticos no sentido de compensar eventuais espaços que pudessem de imediato ser aproveitados, e nessas circunstâncias os jogadores de uma e outra equipa tiveram que fazer apelo a todas as suas energias e poder de concentração para não serem surpreendidos. Essa terá sido uma das razões fundamentais para o encaixe táctico e para a supremacia das defesas em relação aos ataques e à inexistência de emoção e de oportunidades reais de golo.

Na ausência de matéria futebolística relevante do ponto de vista de tratamento jornalístico pois até aconteceu um dos resultados que se cogitava, tendo sucedido uma arbitragem a quem não poderá ser creditado qualquer lance polémico nem nenhuma desigualdade de critérios ao ponto de merecer o reconhecimento das partes, sobravam aspectos extra-jogo para que o Domingo e os dias subsequentes não fossem dias perdidos. E o desaguisado entre Julen Lopetegui e Jorge Jesus do final do jogo a propósito de minudências próprias de quem tinha acabado de constatar a fria realidade do falhanço e tinha sido invadido pela frustração, acabou por adquirir um papel relevante na actualidade do pós-jogo. Foi mesmo, poder-se-ia dizer, um acontecimento à altura dos clássicos dos bons velhos tempos em que o belicismo era parte integrante do cardápio de situações anómalas.

Sendo que teria sido naturalmente preferível que não tivesse acontecido, há que analisar a questão pelos vários prismas, desde a personalidade, estado de espírito de cada um ou, ainda, a adrenalina própria do momento em que é muito difícil não exteriorizar aquilo que vai na alma. Não enveredando por teorias de desculpabilização sem cabimento, dir-se-ia que só quem não passa por este tipo de situações é que está imune a que não lhes aconteça. Para já, não vemos razão para qualquer empolamento nem sequer devemos perder mais tempo com isso. O foco e a concentração têm que ser mantidos sem qualquer desvio ou distracção, pois no Sábado em Barcelos disputa-se mais uma final. Essa sim é que é verdadeiramente importante!








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