Ponto Vermelho
Tempo de futilidades…
3 de Maio de 2015
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Sendo que a Operação Luz não resultou em pleno para qualquer dos dois contendores embora dela tenham resultado evidentes vantagens para o Benfica que ficou mais perto do seu objectivo, observou-se uma transferência automática da actualidade para a jornada seguinte e em particular para a deslocação dos encarnados a Barcelos. Natural porque tinha todos os pressupostos para ser uma jornada-chave na caminhada para o título, acrescida de um conjunto de fait-divers que continuam a recolher ainda a atenção dos distraídos e sensíveis a minudências. Para os mais atentos já não há pachorra por ser mais do mesmo.

Todos compreendemos que estando o FC Porto com o tal plantel de luxo, o melhor de sempre no futebol português, em sérios riscos de não conseguir o seu grande desígnio de impedir o Benfica de se sagrar bi-campeão, que enverede pelas suas habituais manobras de bastidores e não só, para tentar introduzir grãos de areia na engrenagem oleada dos campeões nacionais. Percebemos ao mesmo tempo que é difícil para não dizer impossível, explicar aos seus adeptos e simpatizantes como é que um investimento tão forte em contra-ciclo com a realidade de todo o futebol português, está em vias de realizar uma época em branco, uma situação completamente virgem no longo consulado de Pinto da Costa.

Tudo isso que faz parte da matriz pintista, é entendível à luz de uma realidade que sempre viveu e que foi a base dos seus êxitos. Não se estranha nem nos surpreende pois o passado ditou-nos as razões do presente. Mas, com toda a franqueza, é deveras ridículo que o seu treinador que até desconhece a realidade futebolística portuguesa sobretudo os seus capítulos mais tenebrosos, recite jogo após jogo, qual papagaio amestrado o rambório portista cujos bilhetinhos lhe passam para debitar nas 'Flash-Interviews' e nas Conferências de Imprensa como verdades absolutas. Como pessoa que alegadamente é dotado de forte personalidade confessamos que deixa muito a desejar…

Até porque insiste sempre na mesma tecla dos árbitros como a fonte de todos os descalabros e insucesso portistas, em contraponto com o suposto favorecimento que concedem ao seu principal adversário que o precede na classificação geral. Sobre as prestações menos conseguidas do FC Porto em determinados jogos ou sobre os erros que como ser humano comete, nenhuma justificação e muito menos uma simples palavra. Silêncio absoluto. Como se fosse infalível em todas as decisões que toma e os erros e falhas sejam de exclusiva pertença dos outros. Ficamos por aqui, até porque dos próprios adeptos aos jogadores e responsáveis uma boa parte já percebeu há muito o filme da desculpabilização

Mas, não menos importante na actualidade, é o facto das dezenas e dezenas de cidadãos que fazem da crítica o seu modo de vida terem de sobreviver. Não restando grande margem de manobra para rescaldo do último clássico, houve algum empolamento forçado com a cena dos dois treinadores cujo pontapé de saída foi dado por Lopetegui mas, por mais que tenha havido um esforço para a ampliar, a atenção que atraíu foi escassa pois grande parte dos adeptos já não se deixam ludibriar com essas nuances e estão concentrados em coisas bem mais importantes. Havia pois que tentar fechar apressadamente a página e partir para outra que pudesse distrair e fazer mossa no pensamento e na atenção dos adeptos.

A nomeação de João Capela caiu como sopa no mel. Se a reacção portista é lógica e as repercussões nas redes sociais são entendíveis, já o mesmo não poderemos dizer do que se passou a nível da imprensa profissional cujos intérpretes não só intensificaram o eco como, inclusivé, aumentaram a especulação sem razão objectiva aparente. Ou será que não estávamos a falar do mesmo árbitro que, inexplicavelmente, expulsou Óscar Cardozo na Luz por simplesmente ter batido com a mão no relvado ou Pablo Aimar em Olhão por uma entrada normalíssima em futebol?

A arbitragem é um assunto em que o Benfica não recebe lições de ninguém tantas foram as vezes que foi prejudicado com decisões que manipularam jogos e campeonatos. Nessas circunstâncias os benfiquistas não só não aceitam como repudiam, que aqueles que foram durante épocas a fio beneficiados directa e indirectamente, venham agora pretender assumir-se como arautos da moral, da ética e da verdade, como se fosse possível manter a verdade escondida para todo o sempre, apenas e só numa altura em que as coisas não lhe estão a correr de feição. É claro que há mais gente a tentar aproveitar-se da maré mas desses cada vez mais a história tem dificuldade em recordar-se… O importante é que ultrapassámos categoricamente o obstáculo de Barcelos, um jogo deveras decisivo. O resto, é a procissão que não vai conseguir chegar ao adro…






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