Ponto Vermelho
Racismo e Xenofobia
7 de Maio de 2015
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1. Está de novo muito em voga no desporto e no futebol um tema que em rigor nunca desapareceu por completo da actualidade – o racismo. Sempre que acontecem casos mais graves ou mediáticos o assunto volta a ser chamado à colação, com os mais revoltados a defenderem a urgente tomada de medidas abrangentes e eficazes pelos políticos e pelos dirigentes desportivos para a sua erradicação. A menos que tenham sucedido casos muito graves, o assunto esmorece e só voltamos a falar dele quando mais do mesmo volta a acontecer. Está a ser um círculo vicioso sem fim à vista…

2. Todavia, a sucessão de factos e experiências que dão à tona praticamente em todo o universo, deviam levar os cidadãos em todo o Mundo a fazer uma introespectiva para tentar perceber o que está de todo errado. E, porventura, não seria difícil concluir que o tema é muito mais profundo e complexo de que à primeira vista pode parecer nas constatações mais simples. É que, do nosso ponto de vista, contrariamente ao que habitualmente é vendido como produto fiável, reduzir a questão fulcral à côr da pele é não só redutor como deveras simplista. O assunto é muito mais abrangente e como tal deve ser analisado.

3. Convém antes do mais dismistificar o conceito. A expressão mais comum transformada em insulto que por vezes se escuta em estádios de futebol ou em recintos desportivos é a de referir a cor da pele se dirigida a alguém adversário (pouco estimado obviamente) e que tenha tez morena ou escura. Em alternativa, podem ser produzidos sons a imitar símios e até já foram lançadas bananas para o relvado, uma situação que o jogador brasileiro do Barcelona Dani Alves aproveitou com admirável sangue-frio e humor para importalizar. Os adeptos portugueses, nesse particular, nunca deram azo a grandes reparos devido à tolerância com que sempre encararam a questão, o que não significa que em casos pontuais não tenha havido alguns abusos e mesmo maus comportamentos.

4. Não podemos todavia ignorar que a questão do racismo e da xenofobia tem vindo a crescer em todo o velho continente. E não só. De tempos a tempos recrudesce nos Estados Unidos e a pretexto de um qualquer incidente alastra rapidamente e torna-se dificilmente controlável. São problemas históricos que não foram completamente resolvidos. Numa e noutra situação estão subjacentes questões de ordem social que dão origem ao crescimento de movimentos extremistas que, sempre que podem, espalham o caos e a violência e fazem das claques dos clubes um terreno propício para se infiltrarem e levaram por diante os seus pérfidos desígnios.

5. A nosso ver, o racismo no sentido amplo do termo está presente em todos os Estados do Mundo e tem essencialmente a ver para além do normal, com a descriminação objectiva dos cidadãos, sejam eles mestiços, brancos, pretos ou amarelos, porque uma boa parte dos Estados começam por lhes negar a igualdade de oportunidades como por exemplo no ensino, na justiça ou na saúde. Em teoria todos têm acesso, mas na prática isso não se verifica dado o ror de dificuldades que se levantam a começar pela questão financeira pois todos estão catalogados como serviços de luxo. E como a grande maioria da população é pobre…

6. Os obstáculos de acesso a esses serviços básicos e a diminuição do poder de compra geram naturalmente reacção, frustração e revolta que podem levar a acções impensáveis. Vemos isso no dia a dia, e porque o desporto e o futebol despertam paixões, estas podem extremar-se ainda mais se as pessoas transportarem consigo sentimentos de frustração e necessidade. E sempre que as coisas não lhes correm de feição, quando assistem a um espectáculo desportivo a tentação de exteriorizar, de chamar nomes impróprios aos árbitros ou aos atletas da equipa adversária aumenta exponencialmente, com a utilização de expressões vernáculas de várias matizes não sendo de excluir palavras que poderão ser entendidas como sinónimo de racismo e xenofobia. Há pois que estar atentos e tentar matar logo pela raíz casos que ultrapassem o desabafo individual do momento. É claro que nas quatro linhas não podemos cair no ridículo de ver um árbitro dar ordem de expulsão a um treinador só porque este chamou um seu jogador pelo nome que por acaso era Preto…








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