Ponto Vermelho
O milagre da multiplicação
11 de Maio de 2015
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O desporto em todas as suas vertentes vai avançando, ganhando novas formas e completando ciclos mais ou menos prolongados, mas nem sempre no sentido desejado por quem o projecta e por quem o segue. É assim em toda a parte. Habituados a vitórias sistemáticas, os adeptos e simpatizantes do Benfica viram-se forçados a partir da parte final da última década do século XX a ter que refrear o entusiasmo e a ter que aceitar um longo período de jejum na principal modalidade do Clube, e na eminência de assistirem à completa extinção das modalidades.

Ia portanto acontecendo que um dos maiores orgulhos do Clube desde sempre – o ecletismo – quase finasse, devido a uma altamente discutível opção política-desportiva do Presidente da Direcção de então que, por opção estratégica, considerava o Futebol como a única modalidade do Benfica, ao arrepio de toda a sua história gloriosa. Mas, curiosamente, querendo provar que a sua lógica era a contradição, a Formação do Futebol também foi enviada de regresso à estaca zero. Um relembrar de situações que embora tristes e frustrantes, ajudam mais facilmente a perceber o confronto desse passado que não deve ser esquecido, com a situação actual.

Muito caminho foi percorrido desde aí. E para entender melhor as passadas gigantes que foram dadas, torna-se necessário perceber num momento de grandes dificuldades, a decisão que um teimoso Luís Filipe Vieira e a sua equipa enfrentando várias resistências internas tomaram, ao resolver que o Benfica deveria antes do mais respeitar a sua história e porque isso ia de encontro à aspiração de milhares e milhares de benfiquistas que tendo no Futebol a sua modalidade de eleição, não deixavam de olhar para as várias modalidades com um carinho e uma atenção especiais. Com as suas preferências, claro, mas dedicando o seu interesse a todas elas por representarem a pujança e a vivacidade de um Clube centenário. O tempo haveria sancionar a positividade da opção e hoje, passados todos esses anos com altos e baixos, é inquestionável que elas constituem no seu todo, um orgulho e um dos braços armados do desporto benfiquista e do País.

Falámos de quem tomou a opção estratégica e deu alma ao projecto que, depois da indispensável maturação, culminou com o sucesso registado na actualidade. Não podemos todavia esquecer os milhares de atletas, a multiplicidade de técnicos em todas as áreas, corpo médico e demais pessoal administrativo que através do seu profissionalismo e da sua dedicação, têm vindo a conseguir implementar e desenvolver no terreno o projecto que em boa hora o actual presidente teimou em levar por diante. Embora não consigamos avaliar em pormenor a problemática de uma empreitada de tão grande envergadura, estamos cientes que valeu bem a pena não só porque as vitórias começaram a aparecer com regularidade, mas também porque as modalidades têm desempenhado o papel de embaixadores do Benfica levando o nome do Clube aos sítios mais recônditos do País, da diáspora e do estrangeiro, prestigiando o Benfica e Portugal.

Como é óbvio, nem sempre esta ou aquela modalidade atinge os objectivos delineados e aquilo que os adeptos desejavam e gostariam que acontecesse. É que para além de erros próprios e de situações exógenas que por vezes adulteram os resultados e os títulos, há adversários com a mesma legitimidade de vencer. Temos que saber conviver com toda essa problemática e avaliar no final de cada época a floresta em detrimento da árvore. É contudo de toda a justiça que se afirme que nas últimas temporadas, essa mesma floresta continua a florescer imparável, o que comprova a justeza e o sucesso da opção.

Nesta temporada e a avaliar pelo caminho percorrido até agora, voltamos pelo que nos é dado observar a ter mais uma época de êxitos globais continuados e ainda com risonhas perspectivas de aumentar o pecúlio. Estão de parabéns todas as modalidades mesmo aquelas que por esta ou aquela razão não conseguiram chegar ao primeiro lugar do pódio, mas com destaque naturalmente para os que já se sagraram campeões nacionais e conquistaram outros títulos de nomeada em Portugal e na Europa. Para já, é de sublinhar o trabalho consolidado que tem vindo a ser desenvolvido nas várias vertentes formativas de quase todas as equipas e que começa a dar os seus frutos.

Neste enquadramento e apesar de nos sentirmos tentados, optámos por não dar a primazia a ninguém muito embora tenha havido várias modalidades (masculinas e femininas) que o justificariam amplamente. Permitam-nos no entanto uma referência muito particular ao Rugby como uma das mais antigas e de maior sucesso no Clube e que, nos últimos anos, tem andado desaparecida. De facto, o Rugby será porventura, aquela que mais problemas e vicissitudes tem encontrado e o facto de andar com a casa às costas não tem ajudado minimamente a consolidar e fazer singrar o projecto que os seus responsáveis têm em mente. Ao que parece, esse tormento está a ser ultrapassado e, estamos certos, em breve ouviremos falar muito da modalidade. Por último, a quota-modalidades dá uma ajuda. Bem sabemos que já existem dificuldades para liquidar a quota normal mas quem poder ajudar é bem-vindo, sobretudo indo aos Pavilhões que têm vindo a registar cada vez maiores afluências.






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