Ponto Vermelho
Conformismo portista?!
13 de Maio de 2015
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1. Não obstante as últimas investidas de Julen Lopetegui deselegantes e a roçar o destempero e mesmo o boçalismo, sente-se na atmosfera futebolística o conformismo perante uma inevitabilidade que se apresta para acontecer. Um sentimento, curiosamente, perfilhado e assumido de forma clara pelos nossos adversários, enquanto que do lado benfiquista a grande maioria prefere esperar por factos concretos ainda que com total convicção e confiança na vitória. Neste grupo estarão incluídos muitos adeptos e simpatizantes que têm dificuldade em ultrapassar as fortíssimas desilusões de 2012 e 2013. Logo socorrem-se da prudência para não serem surpreendidos.

2. De forma alguma os censuramos porque a euforia antecipada naqueles anos redundou numa profunda decepção. Admitir a imprevisibilidade do futebol e surpresas sempre susceptíveis de poderem acontecer é uma atitude prudente e de bom senso, ao mesmo tempo que se respeita e valoriza os adversários e torna mais saborosa a conquista dos títulos. Isso é respeitar a competição e nós próprios, numa altura em que todos precisamos de incentivos para fazer face às vicissitudes do quotidiano.

3. É justo reconhecer que os últimos tempos têm sido de acalmia entre dirigentes, aparte esta ou aquela declaração mais polémica ou este ou aquele remoque. E podendo ser feita essa constatação, tal significa que os adeptos em geral mesmo os mais irascíveis tendem a manter uma postura menos belicosa, a comunicação social mais sensacionalista perde nas caixas, e todo o ambiente fica muito mais tranquilo. Esperemos que esta nova era tenha vindo definitivamente para ficar, aparte as nuances inesperadas em qualquer momento. Como agora…

4. Tivesse acontecido há uns tempos atrás e as estapafúrdias declarações de Lopetequi desfasadas no tempo e no modo, teriam causado grande burburinho e agitação. Muito embora não se saiba em absoluto, ninguém minimamente avisado acredita que foram integralmente da sua lavra. Quando chegou ao Porto e à estrutura outrora de sonho, por certo deve ter sofrido uma lavagem no sentido de assimilar a versão que obviamente mais interessava à estrutura portista. E historicamente como basco deve ter ficado algo sensibilizado com a tese do regionalismo à moda pintista contra o continuado centralismo da capital e por inerência dos seus maiores clubes com o Benfica à cabeça.

5. Já tivémos oportunidade de dizer que durante os primeiros passos nos deu a sensação que Lopetegui tinha não só ideias arejadas como um discurso comedido e coerente. Face a tão grande metaformose, resta saber a partir do momento em que as coisas não começaram a correr bem internamente com a contestação dos adeptos a aumentar ainda que de forma comedida face ao sucesso do trajecto europeu, até que ponto se deixou influenciar ao passar a debitar um discurso que em nada o dignifica, destruindo a auréola que transportava. Estamos em crer que, perante a substância e os pormenores do discurso, terá sido a estrutura a exercer a sua influência, mas, para além do rambório habitual, desta vez nem os profissionais da imprensa de forma abrangente escaparam, pois deixou de haver selecção para entrarem todos no barco da teoria da conspiração anti-portista.

6. A prova de como os tempos mudaram está contida na quase indiferença em como a estrutura encarnada e a grande maioria dos adeptos benfiquistas encararam mais este devaneio de Lopetegui. O raciocínio mais lógico diz-nos que é uma tentativa de mascarar os erros próprios que terá cometido ao longo da época e que nunca assumiu, situação agravada por ter um plantel à sua disposição que, contrariamente à prática da escola portista foi escolhido por si, trazendo jogadores que apesar de serem jovens e estarem em trânsito, é inegável que revelam bons argumentos para o futebol português. Com a agravante, em contraponto, do principal rival ter sofrido uma sangria no seu plantel.

7. Estranham alguns que, aparte situações isoladas, Lopetegui apareça sozinho nesta sua cruzada de regeneração. Se calhar fará parte de uma nova estratégia, porquanto os erros de palmatória que cometeu como que fragilizou a sua defesa e eventuais manifestações de solidariedade institucional. Ter carta-branca numa estrutura altamente centralizada como é de forma indiscutível a portista, implica como é óbvio e natural, responsabilidades acrescidas. Veremos as cenas dos próximos capítulos já a seguir que parecem vir a ter um fim lógico. Se assim acontecer poderá haver consequências. Ou será que continua tudo na mesma?






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