Ponto Vermelho
Penúltimo obstáculo
15 de Maio de 2015
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Aproxima-se a decisão irreversível e o frenesim aumenta. Dos adeptos e simpatizantes encarnados que mal podem esperar pelo jogo na Cidade-Berço para comprovar que o título já não foge ou se têm de esperar pela derradeira jornada na Luz com o Marítimo, dos portistas que ainda alimentam a secreta esperança de que algo de bom e de inesperado está para vir (força do hábito?!), e dos sportinguistas ou simplesmente antis que iriam delirar se a lógica deixasse de ser o que costuma ser propiciando um golpe de teatro que, apesar do duplo antecedente recente , seria um aspecto a roçar o inimaginável. Seja como for, a prudência está a exercer a sua magistratura o que só prova que o seguro morreu de velho…

Como a esperança é sempre a última coisa a perecer, enquanto a matemática não entra em campo e faz o apuramento final definitivo e irreversível, mantem-se a expectativa onde todos os sonhos são legítimos. Como todos os factores contam, nos bastidores agitam-se as bandeiras dos fait-divers como que a querer transformar factos simples e comezinhos em potenciais factores de polémica e desestabilização com o intuito claro de desviar as atenções e quebrar o índice de concentração dos leaders. Nada de transcendente afinal quando a incompetência dentro do campo quer recuperar a vitória nos bastidores.

Uma questão compreensível que não é factor exclusivo do futebol português, competindo a quem vai à frente não se distrair nem se desconcentrar. Porque se o fizesse, correria sérios riscos de acabar por justificar actos desesperados que estão a ser levados a cabo em vários tabuleiros. Quem lidera deve olhar única e exclusivamente para a linha do horizonte e não se preocupar em demasia com quem vem atrás. Sem menosprezar os adversários mas fazendo o seu trabalho de forma digna e competente, pois só assim a vitória fica mais perto.

Mas se isso continua a acontecer ainda que com muito menor eco, reconheça-se que tal se deve em grande parte à desvalorização que os adeptos e a opinião pública em geral fizeram dos últimos acontecimentos, a despeito de alguns intérpretes (jornalistas e comentadores habituais), os continuarem a hipervalorizar. Numa tentativa de venderem uma pseudo-independência que nunca tiveram, esses plumitivos continuam a agarrar-se a conceitos anquilosados que sempre fizeram parte do seu ADN, para tentar impingir produtos fora do prazo de validade e sem qualquer interesse. Nesse particular, incapazes de formular e assumir uma análise séria, construtiva e independente, limitam-se a criticar os aspectos mais condenáveis e susceptíveis de merecerem consenso na opinião pública, sem apontarem os verdadeiros culpados mas antes pondo todos no mesmo saco…

O jogo no Afonso Henriques é tido pela grande maioria como crucial na caminhada para o bi-campeonato. Também é expectável que por todas as razões e mais algumas, seja um jogo tremendamente difícil na linha do que é costume acontecer, e pelos antecedentes registados esta época com os outros dois grandes. A despeito de tudo isso, quando o desafio terminar, esperam os adeptos e simpatizantes benfiquistas que se concretizem os seus anseios de verem sair o Benfica campeão. É certo que ainda falta outro jogo para poder eventualmente dirimir a questão, mas relembrando o velho adágio popular, os riscos devem ser evitados ao não querer guardar para amanhã o que se pode (e deve) fazer hoje. Portanto…

Tentativas várias fizeram a sua aparição para introduzir grãos de areia na máquina benfiquista, uma situação esperada pela estrutura encarnada que, decerto, terá tomado as precauções recomendadas para este tipo de distracções. Elas ressaltaram para o conhecimento da opinião pública e não diferem de forma substancial daquilo que se esperava viesse a acontecer sobretudo nestas duas jornadas finais. Não podemos, todavia, deixar passar em claro uma que, pela sua natureza e peso institucionais, merecem uma referência no pior sentido.

Reportamo-nos às infelizes declarações do presidente da MAG do Vitória Sport Clube que por serem estapafúrdias e fundamentalistas a fazer lembrar os piores tempos do antigamente, aconselhou e recomendou aos adeptos encarnados que, em caso de vitória, se abstivessem de comemorar em Guimarães e fossem antes para o Marquês de Pombal… Dizer que estamos desiludidos ou revoltados não corresponde inteiramente à verdade porque, se o fizéssemos, estaríamos a valorizar o comentário de uma pessoa cujo nome só agora foi conhecido pelas piores razões. Se o fizémos, é apenas porque institucionalmente é a primeira figura do Clube vimaranense embora estejamos convictos que não é extensível à Direcção do grande clube minhoto. Pensávamos, pelos vistos ingenuamente, que estes excessos mal disfarçados já teriam acabado a este nível. Enganámo-nos. Mas daqui perguntaríamos a tão insigne personagem quando o seu Clube venceu a Taça de Portugal frente ao Benfica no Jamor, se os adeptos vimaranenses só comemoraram no Toural…






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