Ponto Vermelho
Assumidamente merecido!
19 de Maio de 2015
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1. Está quase a cair o pano sobre mais um campeonato com o desfecho que a grande maioria esperava. O Benfica sagrou-se de novo vencedor, repetindo esta cena longuíssimos 31 anos depois, uma prolongada travessia de claro domínio do FC Porto que apenas deixou entrecortar a sequência de vitórias. Para isso, nunca é demais relembrar, muito contribuiu um conjunto diversificado de situações anómalas tantas e tantas vezes repetidas.

2. Todavia, este é o momento de exaltação benfiquista por nova vitória, particularmente porque desde a pré-temporada e durante o primeiro terço da época, as dúvidas e o desencanto foram o pão nosso de cada dia, em consequência da debandada de jogadores depois de uma época de sucesso (quase) irrepetível. Desde os media, passando pela multidão de comentadores e analistas e estendendo-se aos adeptos e simpatizantes encarnados, a filosofia reinante era a de que a equipa benfiquista não tinha a mínima hipótese de lutar com sucesso pelo título, depois do seu principal rival se ter reforçado em qualidade e quantidade.

3. A tal ponto que mesmo quando a equipa atingiu o topo na 5.ª jornada e por lá se foi mantendo, as dúvidas e o cepticismo continuaram, admitindo uma percentagem significativa que a ultrapassagem definitiva dos portistas era tudo uma questão de tempo. Basta recuperar as opiniões que então foram sendo expendidas para se perceber o estado de espírito reinante. Embora mantivéssemos a convicção de que tudo era possível, admitimos que por vezes nos assaltaram dúvidas porquanto, em paralelo com a saída de jogadores influentes, também o inferno de lesões prolongadas teimou em afectar a equipa de forma sistemática.

4. Mas, como factor conjugado com os falhanços dos adversários e em particular do competidor mais directo, a estrutura no seu conjunto, equipa técnica e os jogadores mantiveram-se unidos e serenos, acreditando firmemente nas suas possibilidades e naquilo de que seriam capazes de fazer. Poderiam não o vir a conseguir mas não deixariam de o tentar, porque isso seria desde logo meio-caminho andado para a obtenção de algo muito positivo. No seu todo, foi dada uma lição de enorme maturidade e organização que revela bem o longo caminho já percorrido. Em épocas idas e até porventura não muito distantes, seria bem provável que com todas as vicissitudes que afectaram de modo drástico a equipa e o plantel, os objectivos se tivessem desmoronado.

5. É difícil escolher os momentos que parecem ter sido mais determinantes nesta caminhada de sucesso. Mas, no início da 1.ª volta, a vitória tangencial na Luz frente ao Gil Vicente e posteriormente no reduto do FC Porto e na 2.ª, o empate conseguido in-extremis em Alvalade, terão sido os mais marcantes e que, para além dos resultados em si e dos pontos conquistados, reforçaram em muito a vertente psicológica dos jogadores, da estrutura e dos adeptos. Foi por isso que a equipa ainda que alternando períodos de fulgor com outros menos bons, conseguiu nunca perder de vista o obtectivo primeiro – a conquista do título. Estão pois todos de parabéns porque foram os mais regulares e provaram mais uma vez que o querer, a vontade e a ambição se conjugados, movem montanhas.

6. Uma vitória desta dimensão depois de tudo porque a equipa passou não merecia, de modo algum, ser ensombrada. Mas foi. Por diversas vezes abordámos a questão da violência no futebol e da possibilidade da mesma eclodir em qualquer lado e a qualquer momento, dado que a modalidade oferece palcos propícios a aproveitamentos por gente que nada tem a ver com o futebol. Em Guimarães para além do mediatismo provocado pelo inenarrável ataque de fúria que atingiu um graduado policial e que culminou com as bárbaras agressões totalmente injustificadas a um adepto benfiquista na frente do seu filho horrorizado, houve igualmente muita destruição dentro do estádio alegadamente provocada por adeptos encarnados. Sendo infelizmente um caso recorrente nos estádios, perguntamos como foi possível a situação ter atingido as proporções que alcançou? Será que havia condições? Onde estavam as forças policiais para o impedir?

7. Já na zona do Marquês de Pombal configura-se uma situação diferente. Por ser uma festa e uma comemoração de tão grande dimensão, era difícil antecipar o que aconteceu, quando aparentemente grupos rivais aproveitando-se da multidão, resolveram acertar contas entre si fora das suas zonas de conforto. As forças policiais fizeram o que lhes foi possível face às circunstâncias difíceis com que foram confrontadas conseguindo relativizar os confrontos mas não evitando o rasto de destruição, enquanto a festa ficou de todo estragada. Em todas estas ocorrências há um denominador comum: a violência. Apure-se o que tiver que se apurar e puna-se quem tiver que ser punido e sem quaisquer hesitações. A esmagadora maioria das pessoas, adeptos e a sociedade em geral não poder estar sujeitos a este tipo de espectáculo degradante que ofende o futebol e leva uma imagem distorcida aos quatros cantos do Mundo. Haja pulso firme!






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