Ponto Vermelho
Animação de fim de época…
21 de Maio de 2015
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Já com os cestos a começarem a ser lavados, a época aproxima-se vertiginosamente do fim. Falta a derradeira jornada para cumprir calendário e ainda as duas finais –Taça de Portugal e Taça da Liga, estando já definido o pódio e os lugares de descida na I Liga. O apuramento para as competições europeias vai pelo mesmo caminho. Tempo pois para se iniciarem os indispensáveis balanços nos clubes, e se acelerar a preparação da nova temporada que aliás já vinha sendo desenvolvida. Em estruturas altamente profissionalizadas como são as dos principais clubes com máquinas gigantescas a laborar continuamente, todos os pormenores terão que merecer a indispensável ponderação para que nada falte no momento em que o pontapé de saída será de novo dado. Entretanto…

Temos o recorrente desfile das entradas e saídas de jogadores que já não é o que era nem pouco mais ou menos. Para isso muito contribuiram dois factores fundamentais: a capacidade cada vez mais reduzida dos principais clubes portugueses em contratarem grandes trutas, e a especulação desenfreada diariamente publicitada nos órgãos de informação com a multidão de interessados a tentarem vender o seu peixe e assim usufruirem dos largos proventos que as transferências e até mesmo os empréstimos propiciam. Mas de tanto insistirem na especulação e com a falta de rigor que os caracteriza, há já algum tempo que essa problemática é olhada com cepticismo para não dizer indiferença, pelos adeptos.

É evidente que a FIFA e a UEFA também têm dado o seu contributo, na linha do que se vai passando nas sociedades em geral, agravando desmesuradamente o fosso que separa os clubes ricos dos clubes remediados e ainda mais dos pobres que são cada vez em maior número. Ser periférico e ainda por cima pobre em confronto com os colossos económicos da outra Europa, é uma fatalidade quase inultrapassável. Não bastasse isso, os Fundos de Investimento de Jogadores que ajudavam os nossos clubes a ter atletas de grande potencial e futuro que de outra forma nunca por cá passariam, foram proibidos à luz de uma política obtusa que não se preocupa, por exemplo, com os larguíssimos milhões que inundam países-exemplo mas cuja proveniência não é questionada e muito menos escrutinada. Adiante…

A tudo isso acresce a violência da situação económica que se abate sem dó nem piedade sobre os cidadãos dos países mais desprotegidos e naturalmente sobre os clubes. Uma realidade que assume foros preocupantes se tivermos em conta que estes, com a escassez de meios inerentes à construção das suas equipas numa perspectiva competitiva nas vertentes interna e externa e ao desenvolvimento a que aspiram os seus dirigentes e adeptos, foram paulatinamente a exemplo das empresas em geral, construindo passivos que agora se abatem sobre eles com menores hipóteses de os reestruturarem, no tempo e sobretudo no modo. É óbvio que nalguns casos houve incúria, incompetência e má gestão no avolumar de várias situações mas isso, sendo importante, não desvirtua o essencial da questão.

Seja como for a situação é real e os clubes não podem fugir dela. Principalmente o FC Porto, que depois do vultuoso investimento em contra-ciclo não viu o mesmo ser rentabilizado. Pelo contrário, chega ao fim da temporada sem conhecer o bem conhecido sabor da vitória o que, para os mais atentos ao fenómeno e para os seus exigentes seguidores, constituiu uma autêntica surpresa e profunda desilusão, habituados que estavam até tempos recentes mesmo quando as coisas estavam pretas, que Pinto da Costa tirasse coelhos da cartola e invertesse, a seu favor, o rumo dos acontecimentos. Tantas vezes sucedeu que criou hábitos que geraram convencimentos difíceis de erradicar.

Algo parece ter mudado no futebol português como já se tinha percebido há algum tempo e, sem entrar em grandes análises, poder-se-á dizer com razoável objectividade e certeza que nada ficará como dantes, muito embora possa ser especulativo falar com rigor em mudança de ciclo da forma como é geralmente entendido. Há factores incontornáveis que são determinantes. De entre eles, destacamos o reapetrechamento gradual e constante do Benfica em todos os domínios e a sua organização colectiva, a situação económica que obriga a que desta vez não se possa assobiar para o lado e, finalmente, a confirmação que quando um clube ou empresa está assente em pilares que parecem fortíssimos mas acabam por ser balofos, mais tarde ou mais cedo (e foram demasiados anos), tenderá a desmoronar-se e cair de modo fragoroso se porventura não inverter o rumo das suas políticas…








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