Ponto Vermelho
Valorizar a porcaria
23 de Maio de 2015
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Cai hoje o pano sobre o campeonato nacional de Futebol. Esta temporada tivémos mais 4 jornadas, uma aberração que continua a não encontrar justificação e que deriva das lutas de bastidores para promover clubes que nalgumas circunstâncias nem na II Liga teriam lugar dada a desproporcionalidade e a manifesta falta de condições que ostentam para disputar provas a um nível competitivo mais alto. Fruto disso, para além de inflaccionada, temos a principal prova com um nível competitivo desinteressante na grande maioria dos jogos, em que boa parte dos clubes luta para não cair na luta pela sobrevivência. Com isso perde o futebol português que assim não progride e enfrenta simultaneamente o epíteto de campeonato periférico ainda que possua jogadores e treinadores de classe a darem cartas pelo Mundo inteiro.

São por demais conhecidos os problemas estruturais do nosso futebol. Mas, antes do mais, há que inverter o pior de todos eles: a maledicência e a resistência ao progresso que imperam e levam a fazer abortar as tentativas que alguns com maior visão e alcance fazem no sentido de levar por diante o cumprimento de objectivos sem perder tempo com questões comezinhas e fúteis. Não tem sido fácil porque há barreiras que não sendo intransponíveis, dificultam e muito esse desiderato. Há profissionais principescamente pagos na contra-informação para desancar e tentar impedir o que outros querem construir e levar por diante, porquanto se assim acontecesse, o seu ganha-pão corria o risco de ficar em perigo. Isso leva a perceber muita coisa, infelizmente de forma pouco abrangente. Mas não há que desistir.

Reuniu consenso alargado (embora tenha havido convertidos tardios rendidos perante as evidências), que o Benfica foi um justo vencedor do campeonato. Porque foi mais regular e decisivo em momentos-chave, ao contrário dos outros que ainda não conseguiram despegar-se dos tempos gloriosos onde a verdade dos factos era por sistema adulterada e onde aconteciam coisas teoricamente impossíveis de sucederem. Admitimos que deve ser dolorosa a transição e a adaptação a um novo cenário para o qual não estavam preparados (e estamos a falar de pelo menos duas gerações), mas que está aí pujante para se impor sem hesitações.

Entendemos, igualmente, que toda essa nova perspectiva cause engulhos a muita gente e nem sequer estamos a falar dos muitos adeptos que reagem de forma lógica a uma perspectiva que de desenha. Subjacente a tudo isso está o negócio abrangente no sentido puro e duro e, como tal, a mudança para novos patamares que o poderão prejudicar. O advento das redes sociais ajuda e de que maneira a propagar factos e situações que dantes estavam circunscritos e limitados com toda a dose de especulação e interesses espúrios que acarretam. Em todos os sentidos. Mas é uma realidade.

Todos tivémos conhecimento dos desenvolvimentos mais recentes. Na cabeça de cada um de nós houve, como é óbvio, uma sequência e uma hierarquização dos factos e situações ocorridas. E se quiséssemos ser intelectualmente honestos fosse qual fosse a nossa opção clubística, teríamos que situar num plano destacadíssimo a conquista do bi-campeonato pelo Benfica, mais do que não fosse pelo simples facto de que tal não acontecia há mais de três décadas, ou seja, é a 2.ª vez em que tal sucede desde que o Sistema começou a dar os primeiros passos no futebol português.

Mas não foi nada disso que sucedeu. Essa relevância foi deveras secundarizada, e na linha editorial que alguns pasquins têm vindo a implementar (jornais e/ou televisões) ajudados por alguns plumitivos amadores e profissionais que fazem do alarido público e do empolamento da porcaria a sua profissão, a opinião pública foi inundada com aspectos e pormenores de situações que não deixando de ser importantes pelas implicações subjacentes, não podiam nem deviam de modo nenhum ser catapultadas de forma prioritária para as primeiras páginas da informação, como se tal fosse um aspecto insólito que nunca tivesse acontecido neste oásis à beira do Atlântico.

A dimensão do Benfica e a multidão dos seus seguidores em todas as partes do globo sobrepuseram-se a essa relevância medíocre. É que, como se não bastasse a vitória em mais um campeonato, aconteceu logo de seguida a assinatura do patrocínio nas camisolas através de uma empresa de grande dimensão no mercado bem traduzida no leque de clubes de enorme gabarito que fazem parte dos seus patrocinados. E isso, quer queiramos quer não, causa pruridos e inveja a muitos que gostariam de enfileirar na galeria dos eleitos. Mas para isso terão que trabalhar, ganhar maior dimensão e prestígio e não enveredar por estas estratégias invejosas de baixo nível potenciadas pelos seus pontas de lança na comunicação social. Citando José Mourinho: The dogs bark and the caravan goes by






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