Ponto Vermelho
Curiosidades do Futebol Português…
27 de Maio de 2015
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1. Ninguém se pode surprender pelas peripécias que, umas após outras, vão desfilando no nosso futebol. Há muito habituados a bizarrias e a situações incríveis e inesperadas, os amantes do desporto-rei encolhem os ombros ou discutem à mesa do café com os amigos e conhecidos os casos mais mediáticos, aplaudindo ou verberando todas as novidades que atingem mediatismo mesmo que não o justifiquem. Nesse capítulo as regras estão definidas e resta encarar os factos com a tranquilidade possível e o pragmatismo que se impõe. Mesmo que não se concorde de todo.

2. Enquanto se aguarda pacientemente o que apurarão os inquéritos e as investigações a perder de vista determinados pela Tutela aos distúrbios ocorridos em Guimarães e em Lisboa e a que o presidente encarnado aludiu imediatamente após os mesmos e reiterou no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, tem prosseguido o folclore tentando explorar o facto de o Benfica estar envolvido ainda que de forma indirecta. Como se a sucessão de acontecimentos não fosse um caso de polícia onde é importante que de forma célere sejam descobertos os culpados por crimes atentatórios ao futebol e à sociedade que dispensam de bom grado quaisquer acontecimentos que os manchem e os desvirtuem.

3. No futebol real e consumada a realização dos campeonatos profissionais com os resultados conhecidos, é para já de destacar a subida de certa forma inesperada à I Liga de duas equipas que à partida pareciam não reunir as condições competitivas para o fazer. O que é certo é que Tondela e União da Madeira ultrapassaram no último fôlego a meta nos dois primeiros lugares (parabéns e felicidades a ambos), o que prova o bom trabalho desenvolvido pelas respectivas estruturas e naturalmente pelos técnicos e jogadores que materializaram no terreno jornada a jornada, o sonho que os perseguia desde o início da temporada. Mas deixar igualmente uma palavra de simpatia ao Chaves e ao Covilhã que também o mereciam e provaram que desta vez a ditadura do litoral não se fez sentir.

4. Estes êxitos desportivos conseguidos na derradeira jornada e nos últimos minutos onde nada menos do que quatro equipas poderiam alcançar o mesmo desiderato, deu a falsa imagem que o segundo campeonato profissional é um modelo de disputa competitiva. Não o foi nem o é, porquanto a organização da prova enferma de problemas que se têm vindo a arrastar e que persistem por falta de coragem de acabar com eles. Várias vezes o dissémos que os principais campeonatos não têm condições para serem disputados por tantas equipas algumas das quais, porventura em número significativo, não dispõem de condições mínimas razoáveis para disputarem provas de tão grande exigência.

5. Mesmo no tempo das vacas menos magras nunca houve condições para albergar tantas equipas nos dois campeonatos profissionais que, por via disso, têm estado flagrantemente inflaccionados. Há que tentar reduzir o número de equipas nos dois principais campeonatos e implementar a ideia já aflorada de estabelecer duas zonas na II Liga. E, para além disso, exercer uma fiscalização apertada aos clubes sobre o cumprimento das directivas que estabelecem os vários parâmetros de obrigações e deveres para que não surjam por sistema os habituais escândalos dos ordenados em atraso, um flagelo que faz a sua aparição todas as épocas e prejudica seriamente a imagem do futebol para além de adulterar a verdade desportiva.

6. Uma nota adicional para referir a chegada à Europa do Belenenses que ainda recentemente definhava entre acusações dos dirigentes e dos adeptos por força do velho aforismo que refere que em casa em que não há pão…, sem salvação à vista. É que fruto da evolução dos tempos e das necessidades, os clubes vão abandonando o modelo tradicional de gestão e de funcionamento, sujeitando-se à entrada de investidores que através de injecções de capital passam a ser quem mais ordena. Nem sempre é pacífico de aceitar por parte dos adeptos mais arreigados na medida em que a sua influência deixa de ser determinante. Tal aconteceu no Restelo o que tem provocado contestação, mas a realidade é que sem isso o velho Belenenses parecia correr um risco inevitável – a descida aos infernos. Os resultados desportivos entretanto obtidos legitimam as opções do investidor e criaram uma razão de esperança para o ressurgimento de um Belenenses melhor e mais competitivo. Vamos aguardar pela evolução.








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